Estudo aponta uso de cães no diagnóstico de malária

Animais conseguiram detectar doença em crianças sem sintomas aparentes
Da Redação / Ecológico - redacao@revistaecologico.com.br
PET
Publicado em: 02/11/2018

Testes científicos demonstraram que cães farejadores podem se tornar um instrumento eficiente no diagnóstico da malária, doença infecciosa que provoca febre aguda e, em casos graves, é capaz de levar à morte. O estudo foi apresentado esta semana na Reunião Anual da Sociedade Americana de Medicina Tropical e Higiene, realizada em Nova Orleans, nos Estados Unidos.

“Pessoas com parasitas da malária geram odores distintos em sua pele e nosso estudo encontrou cães com um olfato incrivelmente sensível, que podem ser treinados para detectá-los”, explica Steven Lindsay, pesquisador-chefe e membro do Departamento de Biociências da Universidade de Durham (Inglaterra).

O estudo foi realizado em parceria com pesquisadores da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, a Unidade do Conselho de Pesquisa Médica da Gâmbia do mesmo centro de pesquisa e especialistas de uma instituição de caridade, a Medical Detection Dogs. Esta entidade é a mesma que já treinou cães para detectar uma variedade de doenças, incluindo câncer de próstata e pessoas em risco de sofrer coma diabético.

Como a pesquisa foi feita

O experimento começou na Gâmbia, pequeno país da África Ocidental que faz fronteira com Senegal, onde centenas de crianças em idade escolar foram recrutadas para participar do estudo. Elas foram previamente testadas para a detecção de malária. As selecionadas foram convidadas a usar um par de meias durante a noite. E, no dia seguinte, essas meias foram classificadas de acordo com o status da infecção por malária de cada criança.

Os pesquisadores explicaram que apenas meias de crianças com malária que não tinham febre foram selecionadas, ou seja, de casos ainda assintomáticos. Também foram recolhidas meias das crianças que não estavam infectadas. Todas as meias foram, então, enviadas para o Reino Unido, onde foram armazenados em um freezer por vários meses enquanto os cães eram treinados.

Para o teste, cães farejadores tiveram que distinguir entre meias de crianças com parasitas da malária e meias de crianças não infectadas. Eles foram treinados para cheirar cada amostra e apontar aquelas em que eles detectavam odores associados à doença. Usando apenas as amostras de meias recolhidas na África, os cães identificaram corretamente 70% das crianças infectadas e 90% das não infectadas.

Considerando a condição do teste, os pesquisadores classificaram a precisão dos cães como impressionante. Os animais conseguiram identificar crianças infectadas com malária em níveis mais baixos de parasitas do que o necessário para atender aos padrões clínicos para testes de diagnóstico rápido estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS). No entanto, eles ressalvaram que o estudo precisa ser expandido com mais amostras.

Casos em ascensão

O uso dos cães farejadores é uma medida que traz esperança para diagnóstico e tratamento dos pacientes. Após mais de uma década da redução de infecções por malária, o número de mortes pela doença voltou a subir no mundo nos últimos dois anos. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, os registros também aumentaram, foram 200 mil casos em 2017 – o maior dos últimos cinco anos. A infecção é mais comum em áreas onde as pessoas vivem em condições precárias de habitação e saneamento.

Saiba mais:

  • A doença recebe outras denominações, como: paludismo, impaludismo, febre palustre, febre intermitente, febre terçã benigna, febre terçã maligna, além de nomes populares como maleita, sezão, tremedeira, batedeira ou febre.
  • É uma doença infecciosa febril aguda, cujos agentes etiológicos são protozoários transmitidos por vetores. No Brasil, a magnitude da malária está relacionada à elevada incidência da doença na Região Amazônica e à sua potencial gravidade clínica.
  • A transmissão da malária ocorre por meio da picada das fêmeas do mosquito Anopheles, quando infectados pelo Plasmodium spp.
  • Não há transmissão direta da doença de pessoa a pessoa. Outras formas de transmissão, tais como transfusão sanguínea, compartilhamento de agulhas contaminadas ou transmissão congênita também podem ocorrer, mas são raras.

    (Fonte: Ministério da Saúde)

Crédito da foto: Durham University/Medical Detection Dogs/London School of Hygiene & Tropical Medicine / lloydgoodall


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