Nova espécie de peixe-elétrico emite maior voltagem já registrada em um animal

Uma das duas novas espécies descritas no artigo emite a maior voltagem já registrada em um animal, chegando a 860 volts
Da Redação / Ecológico - redacao@souecologico.com
Biodiversidade
Publicado em: 11/09/2019

Um estudo publicado na revista Nature Communications nesSa terça-feira (10) revela que existem ao menos três espécies de peixe-elétrico conhecidas como poraquê e não apenas uma, como se pensava.

Uma das duas novas espécies descritas no artigo emite a maior voltagem já registrada em um animal, chegando a 860 volts. A pesquisa foi apoiada por FAPESP, Smithsonian Institution e National Geographic Society, entre outras instituições. Além de gerar novos conhecimentos sobre o animal, depois de mais de 250 anos de sua primeira descrição, abre novas possibilidades de investigação, como, por exemplo, sobre a origem e a produção de descargas elétricas fortes em outros peixes.

Os peixes-elétricos compõem um grupo de mais de 250 espécies dotadas de um órgão capaz de produzir eletricidade, geralmente fraca, usada para se comunicar e para navegar. uma vez que a maioria tem olhos muito pequenos.

L. Souza/Agência FAPESP
L. Souza/Agência FAPESP

“O poraquê, que pode chegar a 2,5 metros de comprimento, é o único a produzir também descargas fortes. Ele faz isso por meio de três órgãos elétricos. Essas descargas são usadas para defesa e caça”, disse Carlos David de Santana, pesquisador-associado do National Museum of Natural History, da Smithsonian Institution, nos Estados Unidos, e primeiro autor do artigo.

A pesquisa integra o Projeto Temático “Diversidade e evolução de Gymnotiformes (Teleostei, Ostariophysi)”, coordenado por Naércio Menezes, professor do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZ-USP).

A correlação entre as análises do DNA, da morfologia e do ambiente do poraquê, além da medição da voltagem emitida, permitiu reclassificar os animais em três espécies diferentes. A única conhecida até então, Electrophorus electricus, foi descrita em 1766 pelo naturalista sueco Carl Linnaeus.

Além da E. electricus, agora definida como a espécie que vive na região mais ao norte da Amazônia, os pesquisadores encontraram diferenças suficientes para acrescentar ao gênero a Electrophorus varii e a Electrophorus voltai.

O artigo tem entre os autores Luiz Antonio Wanderley Peixoto, pós-doutorando do MZ-USP sob supervisão de Aléssio Datovo da Silva, pesquisador principal do Temático e professor na mesma instituição.

“Empregamos a medida da voltagem como forma de diferenciação, algo inédito na identificação de novas espécies”, disse Menezes. Durante medições em campo, usando um voltímetro, os pesquisadores registraram em um exemplar de E. voltai uma descarga de 860 volts, a maior já medida em um animal. Até então, a mais alta era de 650 volts.

A nova espécie foi nomeada em homenagem ao físico milanês Alessandro Volta, criador da primeira bateria elétrica, em 1799. Volta se inspirou nos poraquês para sua invenção.

E. varii, por sua vez, é uma homenagem ao zoólogo Richard P. Vari, pesquisador da Smithsonian Institution falecido em 2016. “Foi o cientista estrangeiro que mais influenciou e auxiliou estudantes e pesquisadores brasileiros no estudo de peixes na América do Sul”, disse Santana.

Fonte: Agência FAPESP


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