Obesidade infantil: crescimento da doença alerta para mudanças urgentes no dia a dia dos pequenos

Com aumento no percentual de crianças e adolescentes acima do peso, Brasil precisa melhorar os hábitos para evitar surgimento de mais doenças relacionadas ao ganho de peso
Bruno Frade - bruno@souecologico.com
Saúde
Publicado em: 04/06/2019

A obesidade Infantil está em alerta em todo o mundo pela quantidade de casos nos últimos anos. No Brasil, cerca de 33% das crianças (5 e 9 anos) estão acima do peso, o que acumula um aumento de 110% no percentual de pessoas obesas no país, segundo o Ministério da Saúde.

A Federação Mundial de Obesidade (IASO, na sigla em inglês) já havia alertado, em 2017, que se não houver mudança nos hábitos alimentares, em menos uma década, a doença poderá atingir 11,3 milhões crianças e jovens. Outras doenças também preocupam a entidade que estima, para o ano de 2025, mais de 150 mil crianças e jovens com diabetes tipo 2, em torno de 1 milhão com pressão alta e 1,4 milhão com problemas relacionados a gordura no fígado.

Com dados tão assustadores, as campanhas do Dia da Conscientização Contra a Obesidade Mórbida Infantil, iniciadas em 3 de junho, se tornaram fundamentais. Para o médico endocrinologista e nutrólogo Delmir Rodrigues, “ trata-se de uma doença que acomete pacientes de todas as idades, onde crianças apresentam ganhos exorbitantes no peso, o que compromete seu crescimento, desenvolvimento puberal e psíquico, além de todas as doenças associadas (dislipidemias, hipertensão, diabetes), torna-se importante alertar a população sobre esse agravo”.

Medidas preventivas podem ser adotadas para evitar doenças, mas a família precisa se empenhar e se apoiar na mudança para os novos hábitos. “O papel da família é fundamental para garantir saúde para as crianças. É importante ter acompanhamento regular com pediatra, educação familiar, escolar e comunitária para promoção de alimentação balanceada, estilo de vida saudável e a prática regular de atividade física. Incentivar o combate ao sedentarismo e em caso de suspeita de ganho de peso exagerado, procurar profissional de saúde qualificado para acompanhamento”, afirma Delmir Rodrigues.

Listamos três dicas valiosas para melhorar a saúde das crianças e adolescentes. Confira!

Amamentação

O leite materno é um aliado na prevenção ao excesso de peso em longo prazo, de acordo com um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado no Congresso Europeu de Obesidade, na Escócia. A pesquisa publicada no jornal especializado Obesity Facts, comparou a prática e a duração da amamentação com o peso da criança no nascimento e o índice de massa corporal quando já estavam com idades entre 6 e 9 anos.

Os resultados mostram que as crianças que não foram amamentadas têm 22% chance de serem obesas, as que receberam pouco aleitamento (menos de um semestre) o risco diminui em 12%, enquanto as alimentadas exclusivamente com leite materno por seis meses têm 25% menos chance de ter obesidade infantil. “É importante garantir o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida e mantê-lo com a alimentação complementar, introduzida de forma gradual e saudável. A interrupção precoce do aleitamento materno e a introdução de alimentos inapropriados, os distúrbios de comportamento alimentar, as condições genéticas ou uma combinação desses elementos ajudam a aumentar as estatísticas da obesidade”, destaca o médico.

Quanto maior o peso ao nascer, maior a possibilidade de ter sobrepeso na infância, segundo informações coletadas de 11 dos 22 países europeus avaliados da pesquisa.

Atividade física

A OMS, apoiada pela Sociedade Brasileira de Pediatria, recomenda que crianças de até cinco anos gastem menos tempo em frente às telas de computadores, tablets e celulares e mais horas dedicadas ao sono.

Foto: Domínio Público
Foto: Domínio Público

A organização recomenda que bebês de até um ano não tenham qualquer acesso às telas eletrônicas e que após os dois anos de idade o tempo máximo de entretenimento seja de uma hora por dia. Essa determinação ocorre porque crianças de até três anos estão em intenso processo de formação das conexões neurais e precisam de experiência física e interação social das três dimensões, e com uso das telas elas se fecham em apenas duas, além de estarem expostas à luz que atrapalha na produção dos hormônios do sono.

De acordo com a comissão da OMS para fim da obesidade infantil, é possível ver relação entre o sedentarismo, atividade física e tempo adequado de sono e os impactos provocados por eles na saúde mental, física e bem-estar das crianças.

Vida mais saudável para crianças

- Evite alimentos industrializados e muito processados;

- Consuma frutas, legumes, verduras e saladas;

- Aumente a hidratação;

- Estimule a prática de atividades físicas;

- Faça acompanhamento regular com médico.


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