GC 451 analfabetismo geológico sustentando legislação ambiental

Edézio Teixeira de Carvalho
Espaço Aberto
Publicado em: 08/08/2019

Não precisamos ensinar a ninguém que a erosão mecânica promove, seguida da ação universal dos rios, grandes emissários, a transferência dos solos erodidos, que seguem rio abaixo assoreando leitos dos cursos d´água, reservatórios de água, que acabam por perder quase a totalidade das funções de armazenamento. Essa erosão mecânica pode ser, em terrenos de topografia acentuada, difusa como num pasto de pastoreio direto, num revolvimento preparatório com arado para plantio de cereais, na capina manual com enxadas, em processos de erosão linear que produzem ravinamentos e erosões chamadas voçorocas. Muitas pessoas enxergam esses fenômenos em suas cabeceiras, mas não os associam aos assoreamentos rio abaixo que muitas vezes alcançaram portos antes da existência de reservatórios grandes como alguns do São Francisco.

Então, sem qualquer leitura geológica, não é feita a conexão entre a erosão, o assoreamento intermediário, a perda de reservatórios, nos baixos vales a da navegabilidade e até nos portos a das manobras dos navios. Isoladamente cada ponto de observação não passa de um problema ambiental pontual, quando na verdade, observados em seu conjunto, adquirem a característica de gigantesco problema territorial. A falta de leitura geológica confere consequência maior à perda de solo que, em termos práticos, deve ser considerado não renovável. Verificado esse ponto, o que falta fazer?

  • Evitar o gigantesco dano ambiental promovido pela legislação equivocada, por exemplo a partir das voçorocas, em que nascentes antrópicas não devidamente reabilitadas antecipam o retorno da água continental ao mar, e também das nascentes urbanas geradas por processos exclusivamente antrópicos onde se impõe a APP provocadora de inundações e mortes a casos geologicamente reconhecíveis;
  • Introduzir no Brasil a regularização da mineração corretiva, trazendo de volta o solo dos grandes assoreamentos, como o da barragem de Rio de Pedras em Itabirito para as voçorocas de Cachoeira do Campo (a primeira operação exatamente para determinar a recuperação da finalidade do projeto e a segunda do mesmo modo recompor a capacidade do armazenamento geológico que o solo erodido garantia nos seus poros);
  • Incluir no ensino básico, como um dos mais urgentes temas de um programa de leitura geológica territorial, baseada no mapa geológico e na imagem de satélite, o evidente conceito de irrenovabilidade do solo perdido por erosão no qual o brasileiro é provavelmente o maior dos analfabetos.


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