Emissões de CO2 sobem pela 1ª vez em quatro anos

Relatório da ONU aponta elevação após hiato de três anos e reforça urgência de cumprimento do Acordo de Paris

Meio Ambiente
Publicado em: 30/11/2018

Um novo relatório divulgado esta semana pela ONU Meio Ambiente mostra que as emissões globais de dióxido de carbono (CO2) aumentaram novamente em 2017, depois de um hiato de três anos, e destaca a urgência de cumprimento do histórico Acordo de Paris, destinado a manter o aquecimento global abaixo de 2 °C em relação aos níveis pré-industriais.

O relatório foi divulgado a poucos dias da importante conferência sobre mudança climática da ONU, conhecida como COP 24, que ocorrerá em Katowice, na Polônia, de 3 a 14 de dezembro. O pedido é para que as nações tripliquem seus esforços para reduzir as emissões nocivas.

O documento da ONU foi publicado pouco depois do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) sobre o aquecimento global, divulgado em outubro. Na ocasião, houve o alerta de que as emissões precisam ser contidas agora, a fim de manter aumentos de temperatura abaixo de 1,5 °C e reduzir os riscos para o bem-estar do planeta e da humanidade.

“Se o relatório do IPCC representou um alarme global, este relatório é uma pesquisa incendiária”, afirma a diretora-executiva adjunta da ONU Meio Ambiente, Joyce Msuya. “A ciência é clara; por toda a ambiciosa ação climática que temos visto, os governos precisam agir com mais rapidez e urgência. Estamos alimentando esse fogo, enquanto os meios para extingui-lo estão ao alcance”.

O CO2, que retém o calor na atmosfera, é amplamente responsável pelo aumento das temperaturas globais, de acordo com um volume avassalador de evidências científicas. O Relatório Global de Emissões 2018 da ONU Meio Ambiente mostra que as emissões globais atingiram níveis históricos.

Números recordes

As emissões anuais totais de gases de efeito estufa, incluindo a mudança no uso da terra, alcançaram um recorde de 53,5 gigatons em 2017, um aumento de 0,7 em comparação com 2016.

“Em contraste, as emissões globais de gases do efeito estufa em 2030 precisam ser de 25% a 55% menores do que em 2017 para colocar o mundo em um caminho de menor custo para limitar o aquecimento global a 2 °C e 1,5 °C, respectivamente”, destaca o relatório.

O que é pior, segundo o documento, é que não há sinais de reversão dessa tendência. E mais: apenas 57 países (representando 60% das emissões globais) estão no caminho de preencher sua “lacuna de emissões” — ou seja, a diferença entre onde provavelmente estaremos e onde deveríamos estar.

Ações concretas

O relatório apresenta ainda maneiras concretas de os governos reduzirem suas lacunas de emissões, inclusive por meio de política fiscal, tecnologia inovadora, ação não estatal e subnacional e muito mais.

“Quando os governos adotam medidas de política fiscal para subsidiar alternativas de baixa emissão e tributar combustíveis fósseis, eles podem estimular os investimentos certos no setor de energia e reduzir significativamente as emissões de carbono”, disse Jian Liu, cientista-chefe da ONU Meio Ambiente.

Fonte: ONU