Embarcações naufragadas serão protegidas por Unidade de Conservação

Na costa paraibana, área de preservação vai ajudar a preservar recifes, peixes, crustáceos e corais
Bruno Frade - bruno@souecologico.com
Meio Ambiente
Publicado em: 09/07/2019

Com o objetivo de ampliar o território marinho preservado na Paraíba e garantir a proteção de ecossistemas costeiros e oceânicos, a Área de Proteção Ambiental (APA) Naufrágio Queimado está sendo implementada no estado, ocupando o litoral dos municípios de João Pessoa e de Cabedelo.

A APA foi idealizada por professores e alunos da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que identificaram uma carência em propostas de preservação da biodiversidade no estado. Antes da criação, apenas 0,5% da costa na região era protegida, o que deixava o ecossistema vulnerável. Com a implantação de Naufrágio Queimado, a área preservada passa a ser de 10,7%.

Financiada pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, a iniciativa tem como principais objetivos proteger a diversidade biológica marinha; disciplinar o turismo ecológico, científico e cultural; fortalecer e estimular atividades econômicas sustentáveis no local; proteger o patrimônio arqueológico marinho; e assegurar o uso responsável dos recursos naturais. Além dos recifes, peixes, crustáceos e outros animais também serão protegidas. Conhecidos como Alice, Alvarenga e Queimado, os navios afundados no século XX são atualmente habitados por corais e outras espécies.

Foto: Bráulio Santos
Foto: Bráulio Santos

Responsável pelo projeto, o professor da UFPB, Bráulio Santos, destaca que a APA garantirá sustentabilidade ambiental e social às atividades econômicas desenvolvidas na costa paraibana. “Ao disciplinar as ações no local, solucionaremos os conflitos históricos entre a pesca e o turismo nos recifes costeiros, além de empoderarmos comunidades de pescadores artesanais e conservarmos um patrimônio biológico e arqueológico único. A APA poderá se tornar uma referência nacional na gestão dos ecossistemas marinhos costeiros, que têm sido muito degradados pela poluição das cidades, pela sobrepesca e pelo turismo desordenado.”

Para manter ambientes preservados, a Fundação Grupo Boticário tem apoiado diversos projetos e ações pelo Brasil. “Estimulamos projetos que tenham ações práticas de conservação e a iniciativa que resultou na criação da APA do Naufrágio Queimado é um grande exemplo. A equipe fez todo o levantamento de dados, pesquisa científica e colocou essa informação em uma linguagem mais acessível para conversar com o governo. São pesquisadores, governo e sociedade civil caminhando juntos para conquistar um bem importante, a conservação dos mares”, ressalta a bióloga e analista de projetos ambientais da Fundação, Janaina Bumbeer.

Foto: Bráulio Santos
Foto: Bráulio Santos

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