Deus também pede para Bolsonaro não fundir os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente



Hiram Firmino - redacao@revistaecologico.com.br
Meio Ambiente
Publicado em: 08/11/2018

Desamar o Ministério do Meio Ambiente (MMA), subjugando-o ao da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (sem nenhum demérito ao homem do campo e suas instituições vitais) é não enxergar a grandeza de Deus. É não agradecer nem valorizar os mecanismos da Mãe Natureza que nos mantêm vivos e nos protegem neste vale de lágrimas.

Na Bíblia ecológica, quando Deus criou o céu e a terra, e depois o homem, nessa ordem, meio ambiente antes e agricultura depois, Ele deixou bem clara a Sua mensagem, tal como nos lembra uma das campanhas de conscientização ecológica da ONG Conservação Internacional: “A natureza não precisa de nós. Nós é que precisamos dela”.

Esse é o passaporte divino, político e democrático, caso queiramos continuar nossa evolução sobre os campos do Senhor: o meio ambiente, perfeito que é, à semelhança de Deus, não precisa da agricultura. É a Agricultura, a Pecuária e o Abastecimento que, desde a aurora da espécie humana na Terra, e hoje, mais do que nunca, precisam do meio ambiente preservado para sobreviver.

É tão somente por isso, lembrando o grão de mostarda que Jesus nos ensinou e advertiu, caro presidente Bolsonaro, que os ambientalistas e o mundo inteiro – incluindo ruralistas de peso, como Blairo Maggi – defendem e lutam em Brasília (DF) pela manutenção do MMA.

E esperam ser ouvidos por um presidente nunca antes possível na história ambiental brasileira, com a sua fé, coragem (agir pelo coração cristão) e determinação política. Para existir pátria, governo e humanidade tem de haver planeta preservado primeiro.

O ex-presidente Lula, mesmo amigo de Chico Mendes, com quem criou o PT combatente, e teve Marina Silva como ministra do Meio Ambiente, quase percebeu isso. Teve todas as condições de implantar o “Desmatamento Zero” na Amazônia. Mas faltou a Lula a humildade, o coração universal. Faltou-lhe, ainda, a visão de que, ao preservar a Amazônia, o grande e último refrigerador natural do planeta,ele estaria salvando não apenas os povos indígenas, os ventos e as chuvas amazonenses que umidificam o Sudeste e abastecem seus reservatórios. Mas a maior biodiversidade de espécies animais e vegetais ainda sobreviventes na face ferida da Terra.

Lula não orou nem praticou a oração do amigo líder seringueiro assassinado há 30 anos pelas forças do mal que o senhor, caro Bolsonaro, prometeu combater desde o início da sua campanha. “No começo” - disse Chico Mendes à véspera de sua morte anunciada - “pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras. Depois, que estava lutando para salvar a Floresta Amazônica. Agora, percebi que estou lutando pela humanidade”.

Assim sendo, caro capitão, favor convocar as nossas Forças Armadas para ajudá-lo nessa honrosa missão especial: lutar, com sentimento pátrio, contra o desmatamento criminoso, o garimpo predatório e a degradação por esgoto e mercúrio, do Rio Amazonas, o mais extenso e esperançoso curso d’água do mundo.

Aceite, revolucionariamente, essa oportunidade divina que Deus lhe confiou. “Ecologize” o Ministério da Agricultura! E valorize e capacite, mais ainda, o hoje abandonado e semimorto Ministério do Meio Ambiente. Em vez de fracioná-lo e diminuir a sua importância estratégica perante a torcida e a opinião pública internacional, nos surpreenda positivamente, presidente!

Vista com orgulho o colete do Ibama. Coloque o boné do ICMBio. Aceite, enfim, essa graça histórica que a Natureza lhe concede. E ao contrário de Donald Trump, torne-se o estadista ambiental e religioso (do latim “religare”, que significa “uma nova religação entre o homem e Deus”) que o Brasil e o mundo precisam e nunca tiveram.

Salve não só a Amazônia, já assediada e devastada em um quinto da sua dimensão. Mas também a Mata Atlântica (-91,5% da cobertura verde original já destruídos), o Cerrado (-52%), o Pantanal (-13,4% da cobertura nativa da planície inundável e -56,5% na Bacia do Alto Paraguai)...

Salve tudo que ainda pulsa e vive sobre o nosso (des)amado Brasil, a nossa desamada Terra que Deus nos confiou.

E Ele verá que seu capitão foi bom.

Foto: Wilson Dias - Agência Brasil