Ranking: deputados e deputadas que se engajaram contra a a agenda de mudança climática e foram reeleitos

Apenas 18 dos 50 piores parlamentares estão na legislatura 2019-2022
Da Redação / Ecológico - redacao@souecologico.com
Política Ambiental
Publicado em: 21/06/2019

Para conhecer melhor o Congresso eleito em 2018, o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB) identificou os deputados e deputadas da nova legislatura que têm históricos de engajamento na agenda de mudança climática.

Divulgação/Câmara dos Deputados
Divulgação/Câmara dos Deputados

Foram selecionados os 50 melhores e piores parlamentares no ranking OLB de "Mudanças Climáticas" da legislatura passada (2015-2018), e cruzamos com a nova composição da Câmara dos Deputados. Embora muitos não tenham sido reeleitos, vários daqueles que continuam na Câmara exercem cargos de liderança na nova legislatura, indicando que o tema mobiliza ao menos parte dos deputados e deputadas com maior influência na Casa.

A liderança é um ativo valioso para os parlamentares. Líderes podem falar pela bancada, orientar votações e indicar congressistas para integrar comissões. Tais funções lhes confere destaque no funcionamento da Câmara dos Deputados.

Dos 50 parlamentares que obtiveram as notas mais baixas do ranking, 40 concorreram a um novo mandato na Câmara e apenas 18 tiveram êxito. Já entre os 50 com as melhores notas, 44 tentaram concorrer novamente e 29 conseguiram se reeleger.

A diferença é significativa, mas não indica necessariamente que a pauta da mudança climática tenha sido decisiva no desempenho eleitoral. Por ora, é possível apenas afirmar que os partidos que compuseram a lista dos 50 piores colocados no ranking foram mais afetados pela renovação parlamentar de 2018 do que aqueles que compuseram os 50 melhores.

Tabela 1. Desempenho dos melhores e piores colocados no ranking de "Mudanças Climáticas" nas eleições de 2018 para a Câmara

Boa parte dos reeleitos exercem hoje cargos importantes na Câmara dos Deputados, ou são políticos mais conhecidos do público. Dentre os 18 que mais atuaram contra a agenda de mudança climática e conseguiram se reeleger, temos parlamentares conhecidos, como Celso Russomanno, apresentador de TV e candidato à prefeitura de São Paulo em 2012 e 2016. Também encontramos Aguinaldo Ribeiro, atual líder da Maioria na Câmara. E há ainda outros 6 parlamentares que estão ou estiveram em posições estratégicas nesse início de legislatura.

Tabela 2. Deputados(as) reeleitos dos 50 piores da legislatura 2015-18

Já entre os melhores posicionados no ranking "Mudanças Climáticas" e reeleitos, um número ainda mais expressivo ocupa ou ocupou cargos de liderança na nova Câmara: 14 de 29, praticamente a metade.

Tabela 3. Deputados(as) reeleitos dos 50 melhores da legislatura 2015-18 [1]

Duas ponderações são importantes. Primeiro, embora a taxa de reeleição tenha sido relativamente baixa em 2018, os parlamentares mais engajados na agenda de mudanças climáticas continuam a ter destaque na organização da Câmara dos Deputados e possivelmente continuarão a exercer influência na tramitação de proposições relevantes ao tema.

Segundo, esse resultado indica que a agenda de mudanças climáticas é um tema presente para boa parte das lideranças do Congresso. Já havíamos detectado no boletim anterior que parlamentares mais engajados no tema preferiram participar de comissões outras que não a do Meio Ambiente.

Essa análise indica haver, ao mesmo tempo, uma oportunidade e um desafio para aqueles que se preocupam com as proposições que afetam a agenda de mudança climática. Se por um lado os resultados mostram que proposições relacionadas à mudança climática são consideradas relevantes por políticos de maior influência no Congresso, por outro revelam também que essa agenda terá de disputar com outros temas a atenção e o investimento de deputadas e deputados para que possa avançar.

Fonte: Observatório do Legislativo Brasileiro – OLB


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