CPI das Barragens irá ouvir funcionários terceirizados da Vale

A intenção é apurar se a mineradora sabia da instabilidade da estrutura que se rompeu em Brumadinho
Da Redação / redacao@revistaecologico.com.br
Mineração
Publicado em: 15/07/2019

Dando sequência à apuração do rompimento da Barragem B1 da Vale, na Mina Córrego do Feijão, integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Barragem de Brumadinho irão ouvir hoje (15/07), às 14h30, funcionários de empresas terceirizadas da Vale. O objetivo é saber dos trabalhadores que prestavam serviço no local sobre anormalidades anteriores que já poderiam indicar a instabilidade da estrutura.

As oitivas serão realizadas no Plenarinho IV da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Os depoentes integram a Reframax (que fazia manutenções e obras na mina), a Alphageos Tecnologia Aplicada S.A. (que instalou drenos horizontais para retirar água da B1) e a Fugro In Situ Geotecnica (responsável pela análise do solo na barragem), empresas que também perderam funcionários soterrados pela lama de rejeitos de minério. Há informações de que a Vale estaria priorizando apenas seus empregados diretos e não estaria ajudando as famílias dos funcionários mortos dessas empresas e nem os sobreviventes.

Foram convocados, na condição de testemunhas, Antonio França Filho e Romero Xavier, da Reframax; Laís Antonelli, geóloga da Fugro In Situ Geotecnia; e Ruy Thales Baillot e Marcelo dos Santos, respectivamente vice-presidente e diretor de operações da Alphageos.

Além de entender se esses funcionários têm informações sobre a situação de estabilidade da barragem antes do rompimento, que deixou quase 300 mortos e desaparecidos, os parlamentares devem buscar dados sobre o atendimento médico e assistencial que eles e os familiares dos colegas mortos e desaparecidos têm recebido depois da tragédia.

Saiba mais

Analisando os depoimentos já prestados por funcionários da Vale à CPI, os parlamentares já chegaram a uma conclusão: a maior parte dos colaboradores ouvidos utilizam estratégias de defesa parecidas. Eles blindam os níveis superiores da mineradora alegando desconhecimento de problemas ou minimizando eventos registrados que geraram intervenções na barragem.

Entretanto, há depoimentos que indicam que a Vale sabia da instabilidade da estrutura, como é o caso do de Fernando Barbosa. Funcionário da mineradora há 18 anos, ele contou à ALMG que o pai, Olavo Coelho, foi chamado às pressas de madrugada para corrigir problemas estruturais da barragem na Mina Córrego do Feijão. O fato ocorreu em 2018. Na ocasião, relatou Fernando, o pai comentou que havia começado a “brotar lama na grama da barragem, no talude” e que os reparos feitos “não seriam suficientes para evitar o colapso da estrutura”. Olavo trabalhava na Vale há 40 anos e foi uma das vítimas da tragédia.

(*) Com informações da ALMG.


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