“Como se destrói um rio”

Pereira Bode Velho
Espaço Aberto
Publicado em: 18/07/2019

A história que passarei a relatar é verídica, atual e revela o lado obscuro do poder exercido pelo agronegócio em regiões de terra farta, mão de obra barata e ausência ou anuência de autoridades e fiscalização:

O rio São Francisco possui 158 afluentes, dos quais 68 são perenes e 90 temporários.

Na divisa da Bahia com Minas Gerais está localizado o que foi outrora um importante rio afluente do Velho Chico: o rio Verde Grande.

Até o ano de 2003 este rio era considerado perene, ou seja, corria água em seu leito o ano inteiro. A partir daquele ano suas águas começaram a “desaparecer” no período de estiagem. O rio se transformou em rio temporário.

Com a expansão descontrolada do uso de suas águas na irrigação de plantações de frutas, principalmente a banana, que apresenta o maior consumo de água por tonelada, bem como a criação de gado confinado, adveio o desequilíbrio hídrico em toda a bacia do rio Verde Grande.

Para atender a grande demanda de água para o agronegócio, milhares de poços artesianos foram perfurados em toda a bacia do Verde Grande, muitos sem licenças ambientais. Cerca de quarenta Barramentos (represamentos do rio) foram construídos ao longo dos anos, alguns com licenças ambientais.

De maio a outubro de cada ano, as águas deixam de correr no leito do rio Verde Grande, porém não falta água para o agronegócio, que sacia sua ganância nos lagos formados pelos barramentos e pelas águas subterrâneas.

Por incrível que pareça, mesmo com o fato de ter secado o rio, várias solicitações de licenças ambientais estão sendo verificadas por órgãos ambientais de Minas Gerais, responsáveis pela aprovação das licenças.

O poder de influência do agronegócio é de tal ordem que nada é feito para conter a escalada.

Assim acontece em toda a bacia do rio São Francisco.

Como diz um ditado popular:

“A boca do ambicioso só se fecha com terra da sepultura “

As fotos abaixo mostram a realidade cruel que este rio vem sendo submetido nos últimos 15 anos.

Rio Verde Grande com água mas sem Corredeira, sinal que estão sendo representadas.

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Fonte: Suassuna


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