Boqueirão da Onça: refúgio para 26 espécies de mamíferos

Pesquisadores publicaram artigo com uma lista de espécies de mamíferos de médio e grande porte que vivem na região, no sertão da Bahia

Meio Ambiente
Publicado em: 15/04/2019

Na última semana, o Mosaico do Boqueirão da Onça fez um ano de criação e ganhou um grande presente. Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto para Conservação dos Carnívoros Neotropicais (Pró-carnivoros) publicaram artigo com uma lista de espécies de mamíferos de médio e grande porte que vivem na região, no sertão da Bahia. Ao todo, eles identificaram 26 espécies diferentes, uma elevada riqueza para o bioma. Assim, o local se consolida ainda mais como um refúgio para sete espécies ameaçadas nacionalmente, como a onça-pintada, que tem a menor população brasileira na Caatinga com 250 indivíduos.

Os mamíferos de médio e grande porte são considerados indicadores de conservação do habitat, sendo que a presença de predadores um bom indício de que o ambiente está em equilíbrio. Entre as espécies identificadas estão: tamanduá-mirim, tatupeba; veado-catingueiro; gato-do-mato; jaguatirica; onça-parda e onça-pintada.

Foto: Adriano Gambarini
Foto: Adriano Gambarini

Os pesquisadores coletaram dados através de câmeras traps em duas etapas: a primeira em abril de 2016 e maio de 2017 e a segunda, entre janeiro e julho de 2017 que monitoraram os animais 24 horas por dia. Os estudos identificaram a presença de 32 espécies de mamíferos, sendo 26 selvagens e seis domésticas. Das que correm perigo, nove estão ameaçadas localmente; sete nacionalmente e cinco mundialmente. Os dados serão essenciais para guiar a elaboração do plano de manejo e zoneamento das unidades de conservação que compõem o Mosaico (Parque e Área de Proteção Ambiental (APA)) de 850 mil hectares com os últimos remanescentes de área contínua de Caatinga.

Os conflitos existentes na região e que estão na prioridade da gestão da unidade de conservação são a exploração ilegal de pedras semipreciosas, a ocupação irregular com abertura de áreas de plantio e pecuária com a utilização de fogo e a caça de animais silvestres. Além disso, a região possui o melhor potencial de utilização de energia eólica e solar do Brasil e bom potencial para exploração mineral. Os pesquisadores sugerem a elaboração do plano de manejo como forma de implementação das unidades.

A Caatinga é o bioma que representa 70% da região nordeste e 11% do território nacional. Sua biodiversidade tem sido afetada pela agricultura, pelo processo de expansão populacional e pelo processo de desertificação causada por fatores humanos.

Fonte: ICMBio


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