Bill Gates apresenta o "banheiro do futuro"

Objetivo é diminuir impactos provocados por falta de saneamento básico

Da Redação / Ecológico - redacao@revistaecologico.com.br
Sustentabilidade
Publicado em: 07/11/2018

A falta de saneamento básico é uma realidade que, apesar de presente em todo o mundo, especialmente nas regiões mais pobres, permanece invisível aos olhos de milhões de pessoas. Entre cúmplices e vítimas desse problema que atravessa séculos, o bilionário Bill Gates tem incentivado a busca de soluções.

Na última quarta-feira, a imagem do fundador da Microsoft ao lado de um pote de fezes humanas rodou o mundo. Isso porque, em um evento em Pequim, na China, ele queria chamar a atenção para o que pode vir a ser o “banheiro do futuro”.

O vaso sanitário inovador é uma unidade independente. Ele dispensa a infraestrutura tradicional, funciona sem ligações com redes de esgoto e não demanda energia externa. A tecnologia é capaz de separar resíduos líquidos e sólidos, matar agentes patogênicos perigosos e converter o material resultante em fertilizantes - soluções para reduzir o impacto ao meio ambiente e à saúde de milhões de pessoas ao redor do mundo.

A invenção é fruto de um desafio lançado pela Fundação Gates em 2011, que doou 200 milhões de dólares para o desenvolvimento da novidade. De acordo com a organização, oito finalistas participaram do “Reinvent the Toilet Fair” para mostrar os protótipos de seus trabalhos.

Ao longo dos testes, foram apresentados: um banheiro movido a energia solar que gera gás de cozinha, um que transforma lixo humano em carvão biológico e outro que transforma lixo em eletricidade.

Cinco centavos de dólar por usuário ao dia

O protótipo vencedor, nos Estados Unidos, foi desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia. Um ponto relevante da proposta era o custo de implantação do projeto. Pouco adiantaria algo de ponta que não tivesse condições de ser replicado em localidades carentes.

O professor de Ciências Ambientais da instituição, Michaell Hoffmann, ressaltou, à época, esse ponto: “desenvolver uma tecnologia avançada ao custo de centavos por dia é um desafio difícil, mas pode ser feito”.

A produção dos banheiros inovadores está em sua fase inicial, e a previsão é de que leve cerca de uma década para eles se popularizarem. A Fundação Gates acredita que os novos dispositivos sejam instalados primeiro em escolas e condomínios, até que os custos se tornem acessíveis para residências individuais.

Saneamento é um problema global e local:

  • 2,3 bilhões de pessoas ao redor do mundo ainda não têm acesso a instalações sanitárias básicas;
  • Mais de 100 milhões de brasileiros não têm acesso a coleta de esgoto;
  • Mais de 3,5 milhões de brasileiros, nas 100 maiores cidades do país, despejam esgoto irregularmente, mesmo tendo redes coletoras disponíveis;
  • Sem saneamento básico universal, o Brasil deixa de gerar R$ 56,3 bilhões por ano.

    Fonte: OMS; Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS 2016); Estudo Trata Brasil.

Foto: Reprodução / Fundação Gates