Belo Horizonte receberá mosquito “blindado” contra dengue

Método será testado para controle de doenças transmitidas por Aedes aegypti
Da Redação / Ecológico - redacao@revistaecologico.com.br
Saúde
Publicado em: 18/04/2019

Impedir a reprodução do Aedes aegypti continua sendo a arma mais poderosa na guerra contra a dengue, chikungunya e zika. Mas novas estratégias estão sendo testadas para impedir que o mosquito faça novas vítimas. A novidade anunciada pelo Ministério da Saúde é o método Wolbachia.

A metodologia, complementar às demais ações de prevenção ao mosquito, é classificada como inovadora e autossustentável. Ela consiste na liberação do Aedes com o microrganismo Wolbachia na natureza, reduzindo sua capacidade de transmissão de doenças.

O ministro da Saúde, Henrique Mandetta, anunciou esta semana que três cidades vão servir para testar o método: Belo Horizonte, Campo Grande e Petrolina.

“Essa é uma estratégia complementar. Governo e população precisam continuar fazendo sua parte. Tínhamos duas linhas de trabalho, sendo uma voltada ao controle do mosquito com o uso de inseticidas, e outra direcionada ao controle biológico, que é o caso do uso da Wolbachia. Essa última pesquisa foi muito bem em todas as etapas, desde a parte teórica até o ensaio clínico em laboratório, e no teste em cidades de pequeno porte. E agora, vamos testar em cidades acima de 1,5 milhão de habitantes”, disse o ministro.

Aedes "blindado" tem capacidade reduzida de transmitir doenças - Foto: Nuriyah Nuyu/Pixabay
Aedes "blindado" tem capacidade reduzida de transmitir doenças - Foto: Nuriyah Nuyu/Pixabay

Conforme o Ministério da Saúde, a última fase do teste com o mosquito Aedes aegypti infectado com Wolbachia terá início, em Belo Horizonte, Campo Grande e Petrolina, no segundo semestre de 2019. Serão cerca de três anos de teste.

O método é considerado seguro para as pessoas e para o ambiente, pois a Wolbachia vive apenas dentro das células dos insetos. No caso do município de Belo Horizonte, o Ministério da Saúde apoiará a realização de Ensaio Clínico Randomizado Controlado (em inglês Randomized Controlled Trial, RCT) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais e apoio do National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID).

Controle biológico

A Wolbachia é um microrganismo presente em cerca de 60% dos insetos na natureza, mas ausente no Aedes aegypti. Uma vez inserida artificialmente em ovos de Aedes aegypti, a capacidade do Aedes transmitir o vírus da zika, Chikungunya e Febre Amarela fica reduzida.

Com a liberação de mosquitos com a Wolbachia, a tendência é que esses mosquitos se tornem predominante e diminua o número de casos associado a essas doenças nos três municípios.

Ministério vai destinar R$ 22 milhões em nova etapa para testar método Wolbachia - Foto: Michal Jarmoluk/Pixabay
Ministério vai destinar R$ 22 milhões em nova etapa para testar método Wolbachia - Foto: Michal Jarmoluk/Pixabay

Saiba mais:

Desde 2011, o Ministério da Saúde em parceria com a Fundação Bill & Melinda Gates e National Institutes of Health já investiram no método Wolbachia R$ 31,5 milhões. As primeiras liberações dos mosquitos contendo Aedes aegypti com Wolbachia no Brasil ocorreram em 2015 nos bairros de Jurujuba em Niterói e Tubiacanga na Ilha do Governador ambos no estado do Rio de Janeiro.

Em 2016 a ação foi ampliada em larga escala em Niterói e em 2017 no município do Rio de Janeiro. Atualmente o WMP Brasil atende 29 bairros na cidade do Rio de Janeiro e 28 bairros de Niterói. No total, já são 1,3 milhão de pessoas beneficiadas no estado com o método Wolbachia. Além do Brasil, também desenvolvem ações do programa países como: Austrália, Colômbia, Índia, Indonésia, Sri Lanka, Vietnã, e as ilhas do oceano pacífico Fiji, Kiribati e Vanuatu.

(Fonte: Ministério da Saúde)


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