Abril Marrom alerta para os cuidados com a saúde ocular para prevenir a cegueira

Saúde
Publicado em: 17/04/2019

Nos últimos anos, a saúde ganhou campanhas nacionais e mundiais com foco na prevenção, diagnóstico e tratamento de diferentes doenças. Para marcar um mês inteiro de conscientização, essas campanhas são acompanhadas por cores. Contudo, a intenção não é apenas o calendário colorido de saúde, mas principalmente o alerta sobre os riscos das doenças quando não tratadas. Neste sentido, em abril comemora-se o Abril Marrom, que surgiu em 2016 reforçando medidas para conter a evolução dos casos de cegueira que crescem a cada ano.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cegueira é problema que atinge atualmente mais de 1,2 milhão de pessoas no Brasil. Considerando que 80% dos casos de cegueira são evitáveis e/ou tratáveis, significa que quase 700 mil brasileiros cegos poderiam estar enxergando caso tivessem sido tratados a tempo.

Segundo o médico oftalmologista e secretário-geral do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, Cristiano Caixeta Umbelino, “são muitos os fatores para o desenvolvimento da cegueira e pacientes que são acometidos por doenças sérias, sem o conhecimento necessário, acabam por negligenciar hábitos, sintomas e tratamentos, que incorrem nas consequências da perda da visão, que infelizmente é bastante comum”.

Dentre algumas das doenças que causam a cegueira estão a catarata, o glaucoma e a retinopatia diabética, que precisam de acompanhamento médico regular e terapias especificas para controlar a sua evolução, baseadas em colírios, laser, cirurgias e tratamento farmacológico intravítreo.

Foto: Domínio Público
Foto: Domínio Público

Catarata - Doença caracterizada pela opacificação do cristalino que atrapalha a entrada de luz nos olhos, acarretando em diminuição da visão. A catarata pode ser classificada como secundária ou senil. A primeira pode estar relacionada a fatores tanto oculares quanto outros problemas de saúde; a segunda ocorre devido ao envelhecimento natural do cristalino, pela idade.

Por se tratar de uma doença progressiva, somente a facectomia, cirurgia de substituição do cristalino, gera resultados efetivos e definitivos para a recuperação da visão.

Ao notar qualquer sinal de embaçamento na visão, dificuldade para dirigir à noite por conta do brilho dos faróis, visão com feixes de luz, é necessário buscar ajuda do médico oftalmologista.

Glaucoma – É caracterizada por danos no nervo óptico causada, especialmente, pelo aumento da pressão intraocular e que pode levar à cegueira. Como o nervo óptico é o responsável por levar as informações ao cérebro, qualquer dano nessa região pode interferir na qualidade da visão.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que 1 a 2% da população acima de 40 anos é portadora de algum tipo de glaucoma, que leva à cegueira irreversível.

A doença não apresenta sintomas iniciais e por isso a visita regular ao médico oftalmologista é importante.

Retinopatia Diabética - Doença complexa e progressiva que afeta os vasos sanguíneos do olho, podendo levar a perda parcial ou total da visão.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, o diabetes atinge mais de 13 milhões de brasileiros, com evoluções para outras comorbidades, incluindo a retinopatia diabética.

A doença se dá pela disfunção nos vasos que levam sangue e oxigênio para as células da retina. Esses frequentemente se rompem ou extravasam sangue causando hemorragia e infiltração de gordura na retina. Pode também ocorrer um acúmulo de líquido e de proteínas na região da mácula, levando a formação do edema macular diabético. Todas estas alterações podem levar a perda parcial ou total da visão.

A retinopatia diabética também não apresenta sintomas no início. Porém, em estágio avançado, podem surgir alterações visuais súbitas e indolores. Para não alcançar este estágio, é importante que os portadores de diabetes visitem um médico oftalmologista para realizar o mapeamento da retina, além de consultar o endocrinologista para controle do diabetes.

Os tratamentos são indicados de acordo com cada estágio. Para controle da doença sistêmica de base, o diabetes, é importante adotar hábitos alimentares saudáveis, atividades físicas e medicações especificas para controle da glicemia, enquanto para tratar a retinopatia diabética as terapias podem variar desde medicamentos administrados diretamente dentro do olho (injeções intravitreas de dexametasona – já presente no ROL da ANS para cobertura dos planos de saúde – ou anti-VEGF), fotocoagulação a laser e cirurgia ocular.

Atualmente, a medicina tem evoluído também no desenvolvimento de medicações inovadoras que combinam mais de um príncipio ativo em um único colírio, facilitando a aderência do paciente ao tratamento.

De acordo com o oftalmologista, datas temáticas como o Abril Marrom são importantes para conscientizar a população sobre os cuidados necessários com os olhos e os perigos das doenças a que eles estão suscetíveis, e com isso gerar mudanças de hábitos. “Ninguém deseja ter problemas de visão, porque isso compromete muito a qualidade de vida do paciente, mas infelizmente é comum acharmos que não acontecerá conosco. O fato é que muitas destas doenças têm tratamento, portanto exames oftalmológicos e aderência do paciente são fundamentais.”


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