2020, o ano que já começou

Hiram Firmino
Carta do Editor
Edição 122 - Publicado em: 14/02/2020

E começou mesmo, com dois recados de Ano Novo que a Ecológico recebeu e selecionou para esta sua edição inaugural. O primeiro é da Unimed Belo Horizonte e propõe estarmos juntos ‘pro que der e vier’. Solidariedade é sempre bom em um planeta cujo abismo social entre os mais pobres e os ricos demais só cresce, devorando a natureza que nos resta e sustenta.

O primeiro recado diz: “Receba esse ano de peito aberto. Sem medo de sonhar, com coragem para realizar. Se parecer difícil, respire fundo (ainda tens um pouco de ar limpo – diria Drummond). E lembre-se: você não está sozinho!”

E não estamos mesmo.

É também o que propõe o segundo recado. Trata-se da fotografia já clássica da beleza de um pato-mergulhão salvo da extinção no Parque Nacional da Serra da Canastra, no sudoeste mineiro, onde nasce o Rio São Francisco. O mergulhão continua preservado graças a um projeto do Instituto Terra Brasilis, que não deixou a espécie ali sozinha, sob a ameaça de humanos predatórios.

Eleito na categoria “Melhor Exemplo em Fauna”, do 4º Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza´ em 2013, o projeto “Pato Aqui, Água Acolá” tirou da solidão uma espécie de pato-mergulhão que só ocorre em rios de águas transparentes e limpas, sendo um indicador biológico da boa qualidade do ecossistema.

Salvos o pato, o cachorro e a menina das fotos dos cartões, só falta vermos salvo o ministro da Economia, Paulo Guedes. Salvá-lo, primeiro, de si mesmo. E do governo do qual ele faz parte, vide o recado errático, sem ciência nem ecologia, que o Brasil protagonizou mês passado. Foi em Davos, na Suíça, durante a 50ª edição do Fórum Econômico Mundial que, pela primeira na sua história, reuniu a elite econômica, política e ativista do planeta sob o tema do Meio Ambiente.

Ao contrário de Donald Trump, seu guru número 2, o presidente Jair Bolsonaro não foi a Davos. Ausente como o seu ministro de Meio Ambiente, Ricardo Salles, que não gosta de Meio Ambiente nem da Natureza criada por Deus, o capitão não teve a coragem de se encontrar com seus pares mundiais. Ele fugiu com medo de uma “pirralha”, de apenas 16 anos, chamada Greta Thunberg.

Em seu lugar, Bolsonaro enviou Guedes que, em vez de surpreender os ouvidos da humanidade rumo ao inferno climático estupidamente negado por Trump, deu um recado mais antiecológico impossível. Afirmou que são os brasileiros pobres e famintos – e não grileiros, empresários bilionários e até políticos condenados pela justiça brasileira – que destroem o meio ambiente, no exemplo da Amazônia, o assunto principal desta Edição Especial sobre “O Recado de Davos”.

Último recado, caros leitores e internautas: nós não estamos sozinhos nas mãos de Trump, Bolsonaro e, quem diria, também de Paulo Guedes. Em “Páginas Verdes”, temos a companhia da presidente da ADCE-MG, Maria Flávia Máximo, defensora do conceito de “empresa criativa”, segundo a Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco. E a lembrança mais atual e salvadora de Padre Cícero, o “Profeta do Sertão” que, se depender de nossos líderes políticos e economistas ultrapassados, jamais vai virar mar. Mas, sim, mais um deserto na nossa desesperança. Daí, a importância das mensagens de Ano Novo. São recados singelos, mas profundos como esses, que nos trazem a coragem necessária de volta.

Como poetizou Mário Quintana: “Eles passarão.../ Eu passarinho.”

Boa leitura!

Até a próxima lua cheia.


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