Rosas

Marcos Guião* – redacao@revistaecologico.com.br
Natureza Medicinal
Edição 121 - Publicado em: 20/12/2019

O início desta história se deu a partir de um sonho revelado de forma pouco romântica ou poética, como normalmente tudo o que envolve prosa derivada de rosas e flores. Tava euzinho na entrada de Diamantina, bem no clarear de um dia do primeiro mês do ano, quando o celular toca e atendo.

Reconheci de pronto a voz anasalada de dona Munquinha me saudando, numa conversa de apalpação pra ver se podia ir adiante. Depois de assentir, esperei por peditório de remédio qualquer, mas pra minha surpresa o que saiu foi uma missão a ser acolhida ou enjeitada.

“Tô te ligando, porque tive um sonho concê essa noite. Cê tava no meio duns canteiros dessas plantas de remédio, arrodeado por uma tanteira de gente. Parecia que tava explicando a serventia de cada uma, mas eu tava apartada, olhando mais de longe em riba dum barranco.”

Em logo se encostou uma dona clarinha bem arrumada, dessas de cabelo liso e meio lorado. Ela foi logo dando assunto, mas num se alembro de tudo da prosa. Mas teve uma hora que ela segurou meu braço e apontando-me disse: “Fala com ele pra plantar rosas e flores nesse lugar, pois isso vai ajudar muita gente”.

Assenti e disse que assim que me encontrasse com você daria o recado. Mas, aí ela foi firme e me disse: “NÃO, você vai telefonar prele e falar, tendeu?” Concordei olhando bem nos olhos dela e de repentemente me acordei. Isso foi ainda agorinha e por isso tô te ligando, em antes de me esquecer do recado. Agora é concê...

No chofre da coisa só consegui dizer um “Ham ham” e segui viagem. Mas aquilo bateu fundo e ficou me remoendo as entranhas, deixando-me deverasmente mexido com o tal recado. Assim que voltei pra casa, dediquei-me com zelo a fazer mudas de rosas de todas as cores. Aquilo virou quase uma obsessão. Por onde passava e via um pé de rosa, invariavelmente saia dali com uns galhos, na intenção de fazer as mudinhas.

A coisa foi num crescendo e, em pouco tempo, conseguimos colocar no chão mais de 200 mudas de roseiras. Pra nossa alegria e de muitas gentes, hoje temos colheita dia sim outro tamém.

As serventias são diversas, com indicação no tratamento de inflamações leves na mucosa da boca, da garganta e até da vagina. Banhar os olhos com o chá preparado com pétalas de rosas pra distinguir uma crise de conjuntivite alérgica ou até infecciosa é resultado certeiro. Vixe!

Se o caso é doença do intestino, como prisão de ventre ou inflamação tipo aquele treco da síndrome do intestino irritável, no constante do uso do chá das pétalas dá colheita de resultados num resumido de tempo. Mas o mais animador é ver alguém se recuperar de quadros de depressão, ansiedade ou ainda daquela irritação mensal das mulheres. O uso e abuso do banho de pétalas pra limpeza e proteção da alma dá paz no espírito e num tem malefício nenhum. Mas o mais abençoado é dar reparo no semblante do vivente, colhendo um balaio de rosas multicolores. Dá pra ver a transformação nos sentimentos da pessoinha. Vem cá fazê uma colheita com nóis, vem!

Inté a próxima lua cheia!

(*) Jornalista e consultor em plantas medicinais.Saiba mais em www.ervanariamarcosguiao.com


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