O cipó, palavra e luz

Apreciar o belo natural é, sem dúvida, o dom maior da felicidade humana de contemplar
Alfeu Trancoso – redacao@revistaecologico.com.br
Ensaio Fotográfico
Edição 120 - Publicado em: 19/11/2019

A Serra do Cipó é um apêndice montanhoso de um espinhaço de mais ou menos 150 km de comprimento por 25 km de largura. Fica a uns 100 km de Belo Horizonte em estrada asfaltada. Foi nessas montanhas que eu encontrei uma forma muito especial de continuar meu nascimento. E como criar é brincar, acho que estou no caminho certo.

Por meio destas fotos, caros leitores e internautas, vocês verão que a minha criança interior adora ‘atoíces’, tardes encantadoras e longos horizontes. É um grande deleite clicar um acontecimento feliz desenhado na tela dessas tardes. Com tantas belezas cênicas, o Cipó é um lugar onde a gente, felizmente, só chega.

É através da beleza das formas naturais que busco incentivar nas pessoas o amor à natureza, como uma das condições primeiras para a sabedoria do feliz. Apreciar o belo natural é, sem dúvida, o dom maior da felicidade humana de contemplar.

Kant [Immanuel Kant, filósofo alemão (1704-1804)], já dizia que o belo é bom, porque é uma ética do coração. Ele afirmava ainda que, diante do belo, nós não julgamos nem avaliamos, somente contemplamos. “Foto”+“grafar”= “Fotografia”. É igual a escrever com a luz e a desenhar com os olhos.

Como toda arte, a fotografia é modo muito interessante de aprimorar nosso espanto diante da natureza. A gente também descobre, através dos lindos Campos Rupestres do Cipó, que a beleza e a alegria é que formam a argamassa estruturante do amor.

Bachelard [Gaston Bachelard, filósofo e poeta francês (1884-1962)] vai mais longe ainda. Afirma que é na beleza e na alegria que o homem forma o seu espírito. De qualquer modo, para mim, fotografar é filosofar, saber de sombras pra dizer das luzes. Criar, enfim, é convidar a nossa criança interna para brincar.

E é por isso que toda criação supõe o dom da intimidade. Para alegria da minha criança, intimidade é a confiança da permissão. Este ensaio fotográfico completa um texto que escrevi com os olhos e foi alimentado pelo coração.

É aos olhos e corações de todos vocês que dedico essas imagens. Portanto, apreciem amorosamente e sem moderação essas peraltices do meu olhar.


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