Blog do Hiram

Hiram Firmino - hiram@souecologico.com
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Edição 120 - Publicado em: 19/11/2019

As escumilhas de Sergio Tomich

Roxas, lilases, vermelhas ou rosas-choque, os belo-horizontinos agradecem a quantidade de escumilhas africanas (Lagerstroemia speciosa) em flor pelas ruas da capital mineira. Também conhecidas por resedás, extremosas ou árvores-de-júpiter, elas são originárias da Índia e China.

O que pouca gente sabe é que, em BH, essas formosuras da natureza foram plantadas de maneira “subversiva”. Foi durante a administração do prefeito Sérgio Ferrara, logo após a criação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Fugindo à regra de só se plantar árvores conhecidas, como as sibipirunas e flamboyants também em flor nessa época do ano, o biólogo Sergio Tomich (foto), então diretor de Parques e Jardins da PBH, as introduziu à maneira mineira. Sem alarde. E hoje, mais que beleza, as suas escumilhas acabaram virando uma solução junto à fiação elétrica pública. Como são de pequeno porte, elas aguentam poda e respondem com mais flores ainda. Vitória ecológica!

Gerdau sustentável

A Ecológico recebeu a visita do diretor de Mineração e Matérias-Primas da Gerdau, Wendel Gomes, acompanhado do jornalista mineiro Pedro Torres, novo titular de Comunicação Corporativa do Grupo. Na pauta interna, o principal desafio é contribuírem na realização de um trabalho capaz de mostrar ao Brasil e ao mundo – incluindo os seus hoje mais de 33 mil colaboradores diretos e indiretos presentes em 10 países – qual o tamanho e onde se situa a diversidade operacional do grupo, acoplado aos seus compromissos de transparência e conformidade.

E na pauta externa, outro desafio para a maior empresa brasileira produtora de aço e maior recicladora da América Latina, na altura do seus 118 anos de história: cumprir o seu compromisso com o Sistema B, por meio do Plano de Certificação B, o mais exigente e disputado selo de inovação e sustentabilidade hoje no planeta. Uma mais sustentável Gerdau, cujas raízes continuam no Sul do país, a sede em São Paulo e o coração em Minas.

Pauta verde: Wendel Gomes, Pedro Torres  e Hiram Firmino na Revista Ecológico

O memorial que o Vale do Sol não mereceu

Fui outro dia, sem qualquer informação prévia, a despedida de um parente no Memorial Zelo, logo após a Churrascaria Adega do Sul, na capital mineira. Não sabia que se tratava de uma moderníssima casa de velório pré-crematório, com tecnologia de última geração, e me impressionei. Até o padre escolhido pela família para dar a bênção “aparece” em forma holográfica. As palavras de conforto escolhidas da Bíblia, idem, são projetadas em 360 graus, alternando-se com cenários naturais deslumbrantes e cósmicos, até “surgir” um coral sinfônico fantástico interpretando “Segura na mão de Deus”. Impossível não cantar junto, se emocionar. Até brinquei: “Quando morrer, também quero ser velado assim”.

Saldo final: a cerimônia ali enternece as pessoas; a maioria sai leve e mais afetiva. E, visivelmente, aceitando melhor a morte, sem o drama de ver e ouvir o terrível barulho das pás de terra sobre os caixões nos enterros e cemitérios tradicionais, sem sustentabilidade pela poluição ambiental que causam.

Eu me lembrei na hora que a Ecológico abordou esse tema em sua edição 99, que circulou em 9 de julho de 2017. Os moradores do Vale do Sol, em Nova Lima, impediram a Prefeitura de implantar ali o que seria considerado o maior memorial da América do Sul, pretendido pelo empresário Felipe Dias.

Curioso, o próprio nome que o empreendimento teria já revelava, em vão, a modernidade, civilidade e utilidade que ele traria para toda a Região Sul de BH, tal como o Grupo Zelo fez e ninguém que passa por sua porta imagina existir ali. O nome escolhido seria Memorial-Casa de Despedida “Vincent van Gogh”, tendo o processo de cremação também em outro lugar, longe dali. Uma pena. Os moradores e o município não o mereceram. As obras iniciadas, e ainda embargadas, são hoje ruínas. Sem zelo algum.

Derrota ecológica.


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