Sol

O astro que ilumina a Via Láctea é um dos grandes responsáveis pelo ciclo de vida em nosso planeta
Ecológico nas Escolas
Edição 118 - Publicado em: 31/07/2019

Nenhuma planta ou alimento existiria em nosso planeta se não fosse pela luz que ele emite. Nenhuma árvore cresceria, daria frutos e tampouco os animais teriam como se manterem aquecidos. Sem ele, também não haveria chuva para irrigar nossos rios e mares, pois a água não iria evaporar em ambiente frio.

Sabe de quem estamos falando? Do SOL!

De acordo com pesquisas da NASA, agência especial norte-americana, o Sol é uma entre as centenas de bilhões de estrelas da Via Láctea. Seu tamanho é 332.959 vezes maior que a Terra. Sua extensão é de 1,4 milhão de quilômetros quadrados e, por ter massa e volume tão gigantescos, exerce uma poderosa ação gravitacional sobre tudo que pertence à nossa galáxia, desde pequenos cometas e asteróides até grandes planetas, como Júpiter.

Segundo teorias cosmológicas atuais, o Sol surgiu oito bilhões de anos após o Big Bang, suposta explosão que deu início ao universo, ocorrida há 13,7 bilhões de anos. O intenso brilho solar é resultado de uma fusão que ocorre em seu interior, quando átomos de hidrogênio são transformados em gás hélio, liberando muito calor. Só para se ter uma ideia, só 0,00000002% da energia emitida pelo Sol chega à Terra. Parece pouco, mas não é: essa pequena porcentagem é equivalente à produção energética de 10 bilhões de Usinas Hidrelétricas de Itaipu! “Ele é o centro gravitacional do Sistema Solar e nossa maior fonte de energia”, afirma Domingos Sávio Soares, professor do Departamento de Física da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A estrutura do Sol é composta pelo núcleo (64% de gás hélio, 35% de hidrogênio e 1% de outros elementos), onde a energia é produzida mais intensamente. A zona radiativa, em que a energia flui por radiação. A zona convectiva, que representa 15% do raio solar. A fotosfera, que é a camada visível do Sol. A cromosfera, que tem cor avermelhada e é visível durante os eclipses solares. E, por fim, a coroa, parte externa da atmosfera solar, cuja densidade da matéria é 10 milhões de vezes menor que na fotosfera.

Mas até quando o Sol ainda terá força suficiente para brilhar e aquecer nosso sistema galáctico? Acertou quem pensou em bilhões de anos! Mais precisamente: cinco bilhões. Após atingir esse limite, ressalta Soares, o astro continuará a brilhar, mas ocorrerão mudanças radicais em sua estrutura: “Ele aumentará de tamanho, ‘engolindo’ os planetas mais próximos, inclusive a Terra!”, explica Soares.

Foto: Shutterstock
Foto: Shutterstock

Cultura e importância natural

Para povos antigos como os Incas, o Sol era o mais poderoso dos deuses. Os índios tupis-guaranis acreditavam que a grande estrela brilhante era a morada de Tupã, o deus ecológico e místico de sua cultura. E o faraó egípcio Akhenaton foi o primeiro da História a iniciar um culto monoteísta ao Sol. Tanto que, depois de apresentar sua ideia e ter sido hostilizado pelos sacerdotes da época, construiu a cidade de Akhetaton em reverência à nossa estrela mais brilhante. Tamanha reverência, é claro, tem sua dose de razão. O Sol tem papel crucial para o meio ambiente e para a sobrevivência de animais e plantas.

“As plantas utilizam a energia solar para seu crescimento e, principalmente, para capturar gás carbônico e transformá-lo em oxigênio, que forma o ar que respiramos”, ressalta Geraldo Wilson Fernandes, doutor em Ecologia Evolutiva pela Northern Arizona University (EUA). Ele completa: “Por isso não podemos destruir as florestas. Quanto mais áreas verdes tivermos, melhor. Isso evita um excesso de gás carbônico na atmosfera, que pode acelerar o aquecimento global e as mudanças climáticas, que influenciam os ciclos biológicos da Terra”. Da energia que chega ao nosso planeta (veja infografia), 60% são utilizados no aquecimento do ar, da água e da terra, alimentando o ciclo de chuvas. E apenas 10% da energia total são absorvidos pela vegetação.

Mocinho e vilão

Indispensáveis para os ciclos biológicos, físicos e químicos da Terra, os raios solares são importantes também para a absorção e a produção de vitamina D no nosso organismo, que contribui para a formação do cálcio e atua no combate a doenças como a osteoporose. Mas, em excesso, a radiação solar pode trazer sérios prejuízos para a saúde. Ao atingir as camadas mais profundas da pele, pode alterar seriamente suas células e acelerar, por exemplo, o envelhecimento precoce.

Quem alerta é a médica Ana Lúcia de Castro, formada em Cirurgia Geral, especialista em Medicina Estética e professora do Centro de Estudos, Pesquisas e Consultoria em Saúde (Cepecs) de Belo Horizonte: “O tempo e o horário de exposição influenciam diretamente no envelhecimento e no surgimento de lesões que podem evoluir para um câncer de pele. Por isso, o melhor horário para tomar Sol é antes das 10h da manhã e depois das 16h da tarde”. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o tumor de pele por exposição solar é a enfermidade mais frequente na população brasileira, alcançando 30% de incidência dos tipos malignos registrados. Se diagnosticado e tratado precocemente, o caminho para a cura é mais curto e menos sofrível. Há anos o Ministério da Saúde e o Inca realizam uma campanha alertando sobre os riscos do câncer de pele (veja em www1.inca.gov.br).

Entre os principais fatores de risco estão a exposição inadequada ao Sol durante o trabalho ou lazer; histórico familiar; pessoas de pele e olhos claros; e descuidos durante a infância e adolescência. Por isso, se você notar qualquer alteração na sua pele (como manchas que coçam, ardem, pintas que mudam de tamanho ou cor ou feridas que demoram cicatrizar, não aplique qualquer medicação no local sem orientação profissional e vá correndo procurar um médico. E lembre-se: passe sempre filtro solar ao sair de casa, reaplicando-o quando necessário. Ele ainda é a prevenção mais ecológica para preservar este “grande ecossistema” que é o corpo humano.

Foto: Shutterstock
Foto: Shutterstock

Postar comentário