Morrendo com as abelhas

Hiram Firmino – hiram@souecologico.com
Carta do Editor
Edição 118 - Publicado em: 31/07/2019

É triste, mas é verdade. “Dói pra chuchu” o desmonte e o suicídio ambiental que o governo brasileiro continua fazendo. E que atinge, mortalmente, através da teia da vida, todas as espécies de vegetais e animais que restam na Terra, considerada por todas as religiões “o rosto natural de Deus”. Nessa lista de condenação oficial, estão incluídas as abelhas - insetos que Deus também criou e fazem mais do que nos dar mel, doçura e saúde. Elas têm a responsabilidade planetária de polinizar as flores e, assim, possibilitar a renovação da vida e reprodução de 90% dos alimentos que chegam à mesa da humanidade.

Ignorando essa informação básica, é fato inegável que o Brasil condenou de vez essas minúsculas criaturas aladas: em apenas seis meses, nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, mais de 500 milhões de abelhas foram reportadas mortas. A maioria delas é vítima do desmatamento e do uso indiscriminado de agrotóxicos nas plantações. Os pesticidas (grande parte deles é proibida em outros países), e não defensivos agrícolas, como o atual governo vem pregando, aumentam o risco de câncer e doenças crônicas, além de contribuir para uma maior incidência de abortos e más-formações congênitas. Todos esses fatos são comprovados cientificamente, assunto desta Ecológico especial sobre abelhas.

Mas nem tudo, como sempre defendemos, está perdido. Ainda temos, nesta edição, o exemplo de empresas sustentáveis, tais como as que mostramos de maneira parceira na matéria sobre a 10ª edição do “Conexão Empresarial”, evento da Revista Viver Brasil. E o exemplo pontual da Usiminas que já vem disponibilizando o nosso conteúdo de educação ambiental – Projeto “Ecológico nas Escolas” – para todos os professores e professoras de ensino fundamental da Rede de Ensino Público de Ipatinga, no Vale do Aço. A cidade é considerada hoje um dos municípios com mais área verde e qualidade de vida do país, acompanhando a revolução técnologica e ecológica que a siderúrgica fez dentro e no entorno da sua imensa planta industrial.

Temos ainda, nesta edição, além do lançamento da 10ª edição do “Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza”, como esperança de ainda salvarmos as abelhas e nós juntos, a memória iluminada de Allan Kardec, o decodificador da Doutrina Espírita. É dele a lembrança, inspirado pelos espíritos, de que “a lei natural, eterna e imutável, é a lei de Deus”. E vaticina: “O homem só é infeliz porque e quando dela se afasta”. E não a nova lei, devastadora e pecaminosa, que vem de Brasília e também nos ameaça de morte e extinção.

Tal como Kardec previu o nosso futuro comum, 50 anos atrás, quando o homem pisou na lua e, pela primeira vez, vislumbrou a sua pequenez num ponto azul do sistema solar: “Todos os mundos também estão sujeitos à lei do progresso. Todos começaram, como o nosso, por um estado inferior, e a própria Terra sofrerá transformação semelhante. Tornar-se-á um paraíso terrestre quando os homens se tornarem bons.” Como dito na música “Juízo Final”, tocada por Nelson Cavaquinho e cantava por Clara Nunes: “A luz há de chegar aos corações e do mal será queimada a semente.”

Bom desígnio pra nós, abelhas.

Boa leitura, caro leitor e internauta!

Até a próxima Lua Cheia.


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