Diálogo positivo e propositivo

10a edição do Conexão Empresarial, promovido pela Revista Viver, Jornal Tudo BH e Blog do PCO, celebra a reflexão de Minas diante do país em crise
J. Sabia - redacao@revistaecologico.com.br
Mundo Empresarial
Edição 118 - Publicado em: 31/07/2019

Com chave de ouro. Foi assim, na sede náutica do Minas Tênis Clube, em Nova Lima, na Grande BH, a realização do maior evento do setor empresarial de Minas Gerais. Um encontro que, anualmente, reúne as melhores cabeças pensantes do mundo econômico, político e cultural brasileiro, em busca de saídas urgentes para a sociedade. Ao todo, 20 palestrantes deram seus recados de esperança possível para um país em crise. Somente no ramo empresarial, o Conexão celebrou a soma de mais de 270 empresas envolvidas, desde o lançamento do projeto, há 10 anos.

Um dos recados mais contundentes partiu do secretário-geral de Desestatização do Ministério da Economia, Salim Mattar, cujo desafio assumido com o atual governo é pensar “mais Brasil e menos Brasília”. Como ele demonstrou: “É insustentável a nossa capital federal, mesmo não produzindo quase nada, continuar tendo a maior renda per capita do país. Foi esse o país que nós recebemos e queremos transformar, tal como Paulo Guedes aponta, em uma sociedade aberta no caminho da prosperidade”.

Citada pelo empresário, nem a quantidade de burocracia e estatais que serão colocadas à venda por estarem no vermelho e operarem como cabides de emprego, acumulando novos funcionários a cada troca de governo, o desanima: “Tenham confiança! O nosso esforço e crença no atual governo é entregarmos aos brasileiros um país muito melhor do que já tivemos”.

Já a secretária-executiva e ministra interina de Economia, Marizete Pereira, não deixou por menos. Segundo ela, apesar da crise, nunca o Brasil esteve tão bem na fita, em termos de internet, meio ambiente e prospecção empresarial: “Somos a quarta maior população conectada do mundo. O nosso setor energético representa um terço do PIB nacional e tem tudo para tirar o país da paralisação econômica atual. Temos as matrizes mais limpas de energia do planeta. E, consequentemente, as melhores condições, dentro do Acordo de Paris, de reduzirmos as nossas fontes de emissões de gases de efeito estufa em 27% até 2025”.

BELLA FALCONI, digital influencer com 3,8 milhões de seguidores no Instagram, e seu recado conectado: “Em tempos de internet, precisamos ser autênticos e evitarmos uma linguagem excessivamente empresarial. As pessoas querem acompanhar um estilo de vida. As marcas precisam entender isso para conseguir bons resultados nas redes sociais". Foto: Juliana Flister / Agência I7
BELLA FALCONI, digital influencer com 3,8 milhões de seguidores no Instagram, e seu recado conectado: “Em tempos de internet, precisamos ser autênticos e evitarmos uma linguagem excessivamente empresarial. As pessoas querem acompanhar um estilo de vida. As marcas precisam entender isso para conseguir bons resultados nas redes sociais". Foto: Juliana Flister / Agência I7

Humildade e pecado

Primeiro diretor-especial de Reparação e Desenvolvimento da Vale, cargo criado para atuar junto à população de Brumadinho na mitigação dos danos causados pelo rompimento da Barragem 1 da Mina do Córrego do Feijão, o engenheiro Marcelo Klein surpreendeu a plateia por um outro viés. Em vez da arrogância ou empáfia que caracteriza o setor, seu tom de voz foi ameno e amoroso. E sua abordagem sobre a tragédia, a maior na história ambiental do Brasil, também foi humilde, o que lhe valeu elogios de vários jornalistas no evento. “Esse foi o momento mais dolorido também para a empresa que, ao longo de 77 anos, nunca viu isso acontecer nas 115 barragens que administra. Continuamos trabalhando” – disse ele – “para reparar os danos aos atingidos de forma digna e respeitosa, reparar ambientalmente os territórios atingidos e fomentar a sustentabilidade economicamente desses locais”.

Já o presidente da Anglo American, Wilfred Bruijn (Bill), demonstrou o que todas as mineradoras deviam fazer contra a demonização que atinge o setor e sua péssima imagem perante a população hoje. Algumas até o fazem, mas não divulgam, via educação ambiental, outro pecado contínuo da atividade da mineração. O executivo relembrou os dois rompimentos de tubulação do mineroduto da empresa, que correram no município de Santo Antônio do Grama, na Zona da Mata mineira, atingindo o córrego de mesmo nome e as suas margens: um no dia 12 de março de 2018, com o lançamento de 300 toneladas de pluma de rejeitos de minério, equivalente, em volume, a dois vagões de trem. E o outro, 17 dias depois, de 100 toneladas, menos que um vagão.

O que a empresa fez rapidamente, utilizando a força conjunta de 400 funcionários seus transferidos temporariamente para a região? Em vez de recuperar somente os três quilômetros córrego abaixo atingidos, ela ampliou sua ação ao longo de oito quilômetros. Reconstituiu o seu leito já degradado ao longo dos anos e arborizou suas margens, já invadidas pelo capim braquiária, com uma quantidade impressionante de mudas já de porte grande.

E integrou os proprietários de terra vizinhos, com a instalação de cochos de água e alimentação para os seus animais, evitando, com cercas de arame, que eles cheguem até o córrego, destruindo suas margens e vegetação ciliar. E ainda deixou construída uma segunda estação de tratamento d’água para a cidade, hoje agradecida pela sua paisagem natural reconstituída para melhor.

Sonhos gerais

Sempre otimista, Sérgio Leite, presidente da Usiminas, convocou a plateia, os políticos e seus colegas empresariais, principalmente, a construírem um novo sonho brasileiro: “Nossas indústrias estão preparadas e atualizadas. Na nossa empresa, atravessamos momentos delicados e quase falimos. Mas nossa equipe se mobilizou, teve visão de futuro e conseguimos superar e crescer novamente. Se isso foi possível em Minas, também pode virar realidade em termos de país”. Pontuou o executivo.

Quem deu uma boa e esperada notícia pelos mineiros há cerca de duas décadas foi o jornalista e senador Carlos Viana. Ele adiantou o que está para acontecer nesse segundo semestre ainda, conforme projeto do governo via parceria com a iniciativa privada. Trata-se da duplicação, “agora para valer”, das BRs 381 e 262 (BH-Vitória), mais conhecida como a Rodovia da Morte, em 11 pontos em Minas e no Espírito Santo.

Como explicou Viana, o Ministério da Infraestrutura é que fará as audiências públicas nas cidades afetadas pelos futuros pedágios. Além da discussão sobre as taxas de pedágio, caberá à população desses municípios opinarem se preferem a inclusão do projeto até Governador Valadares (MG), na região do Vale do Rio Doce. Ou se as intervenções pró-duplicação serão estendidas pela BR-262, até o Espírito Santo.

GUSTAVO E PAULO CESAR DE OLIVEIRA, de filho pra pai, o caminho de um sucesso pavimentado: “Nada disso existiria se não fossem a determinação, empenho, capacidade e mobilização, que o PCO acumulou ao longo dos mais de 50 anos dedicados a Minas e ao Brasil". Foto: Tião Mourão
GUSTAVO E PAULO CESAR DE OLIVEIRA, de filho pra pai, o caminho de um sucesso pavimentado: “Nada disso existiria se não fossem a determinação, empenho, capacidade e mobilização, que o PCO acumulou ao longo dos mais de 50 anos dedicados a Minas e ao Brasil". Foto: Tião Mourão

Mudanças já

O presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, lembrou os 86 anos de atuação do setor minerário, ainda hoje, o que mais paga encargos no país. Falou das mudanças no Sistema S, que serão promovidas pelo governo federal. E ressaltou o “Pacto por Minas”, plano de investimento lançado para contrapor o impacto negativo ocasionado pela paralisação parcial da mineração em Minas Gerais: “É um projeto que mobiliza as lideranças empresariais e políticas do Estado, com a proposta de criar ações no campo da economia e do desenvolvimento social com o intuito de devolver ao nosso estado a sua capacidade de crescimento sustentável e duradora”.

Por último, quem fechou o evento foi o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. Ele observou que todos os três poderes são responsáveis por garantir a segurança jurídica e a própria segurança da sociedade, para termos mais educação, menos miséria e acabar com as desigualdades do país: “Apenas em 2018, foram 14 mil decisões julgadas pela Corte. Quando tudo vai parar no Judiciário é o fracasso da sociedade e dos meios de resolução de conflitos. Temos de mudar isso”, concluiu.

Segundo o jornalista Paulo César de Oliveira, diretor-geral do Grupo VB, esta aposta futura no país passa pela arte política, entendida como a arte da negociação: “E ela surgiu para garantir a política socioeconômica. Fazer política assim, é este o nosso propósito maior”. Como seu diretor, Gustavo Cesar de Oliveira, assinou embaixo logo na abertura do evento: “Mesmo cientes do breu que o mundo vive, estamos aqui reunidos pela construção de um outro mundo, melhor e possível”.

Saiba mais: www.revistaviverbrasil.com.br


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