Indignação Ecológica

Maria Dalce Ricas (*)
Estado de Alerta
Edição 117 - Publicado em: 05/06/2019

Também na área ambiental, o governo de Jair Bolsonaro tem sido alvo de um turbilhão de críticas e indignações no Brasil e fora dele. Até ex-ministros do meio ambiente, que deixaram rastros negativos durante suas respectivas gestões, expressaram recentemente preocupação quanto aos pronunciamentos e atos do ministro Ricardo Salles.

No início de abril, em pronunciamento na Câmara dos Deputados, o ministro, ao falar sobre a Amazônia, unidades de conservação e biodiversidade, disse que a agenda “disfarçada de ambiental” tolhe desenvolvimento, que todos os recursos naturais devem militar em favor do desenvolvimento do Brasil. Que o meio ambiente, em que pese sua relevância, não é um fim em si mesmo e que o governo atuará para acabar com os lixões no país. Chegou até a lançar um plano de combate ao lixo no mar.

A poluição por plásticos nos oceanos é alarmante e o Brasil está entre os cinco maiores contribuintes. O plano poderia ser considerado um oásis no turbilhão de besteiras que assola o país, mas prevê, como sempre, “educação, destinação correta, etc.”. Não ataca consumo e ausência total de políticas públicas que inibam fabricação de produtos plásticos e sua substituição por outros materiais, como papel – causas básicas do problema. Mesmo assim, se fosse cumprido, traria benefícios ambientais.

Mas o “oásis” parece não ser mais do que uma miragem no deserto de políticas ambientais atual. O Brasil, em mais uma atitude de vassalagem aos EUA, não aderiu à resolução da ONU para fomentar pesquisas no sentido de descobrir alternativas e fazer estudos científicos para a reciclagem de plásticos, apoiada por 187 países.

Foto: Cegli-Istock
Foto: Cegli-Istock

Segundo a ONU, “a poluição proveniente do lixo plástico atingiu proporções epidêmicas com uma estimativa de 100 milhões de toneladas de plástico encontradas atualmente nos oceanos”. Para completar, o Brasil posicionou-se oficialmente contrário ao “Planeta Limpo, Pessoas Saudáveis: Boa Gestão de Produtos Químicos e Resíduos”, título dado ao acordo assinado em Genebra.

Anna Carolina Lobo, coordenadora do Programa Marinho e Mata Atlântica da ONG WWF, afirmou que o plástico é o lixo número um encontrado no Oceano Atlântico aqui no Brasil. Baleias, golfinhos e tartarugas morrem aos montes, todos os anos. Eles nadam até a praia para morrer e, quando se abre o estômago deles, está coberto de plástico. Para ela, é difícil entender a posição do Brasil no Acordo conseguido em Genebra.

Assim, além da vergonha pelas posições do país, resta-nos continuar agindo e acreditando que a esperança é a última que morre. A utopia de um mundo melhor tem de ser nosso guia. E para alimentá-la, peço adesão de todos ao abaixo-assinado lançado pela WWF, dirigido aos líderes mundiais, para que estabeleçam metas rigorosas para acabar com o despejo de plástico nos oceanos até 2030. Para assinar a petição, é só acessar: promo.wwf.org.br/plástico

(*) Superintendente-executiva da Associação Mineira de Defesa do Ambiente.


Postar comentário