Eficiência energética

Uso eficiente ajuda a poupar recursos naturais. Portanto, combate ao desperdício deve mobilizar todos nós
Luciana Morais - redacao@revistaecologico.com.br
Ecológico nas Escolas
Edição 117 - Publicado em: 05/06/2019

Assistir à TV, operar uma máquina industrial, tomar um gole de água geladinha ou um banho bem quentinho. Qualquer atividade exercida atualmente pela sociedade moderna só é possível por meio do uso de uma ou de mais formas de energia, provenientes das diversas fontes disponíveis para a produção desse bem imprescindível.

No caso da energia elétrica, além de estar associada às nossas tarefas cotidianas, ela também é essencial para o funcionamento das indústrias, dos serviços de saúde, do comércio e para a oferta de atividades de lazer. Diante da tendência de crescimento das cidades, do maior poder de compra da população e do acelerado desenvolvimento de novas tecnologias – que acarretam uma demanda cada vez maior por energia –, o desafio coletivo global é evitar o seu desperdício.

De maneira geral, a eficiência energética mede a qualidade no uso da energia para os fins a que ela serve à sociedade. Segundo estudos da Organização Latino-americana de Energia (Olade), com sede no Equador, quando os cidadãos são sensibilizados sobre a eficiência no uso de energia, eles podem economizar até 15% desse insumo, em relação àqueles que não são orientados.

Portanto, a economia de energia exige não apenas o desenvolvimento de técnicas, produtos e serviços mais eficientes. Requer, acima de tudo, mudança nos padrões de comportamento e consumo da sociedade.

Cabe então a todos nós – nos mais diferentes setores e atividades – associar a redução do consumo de energia à maior proteção da natureza e à conservação de recursos naturais escassos e vitais, como a água. E fazer isso, óbvio, sem perder a qualidade de vida e o conforto alcançados tanto aqui no Brasil quanto no mundo afora.

Bases sustentáveis

De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), nas próximas décadas, as fontes renováveis de energia terão participação cada vez maior na matriz energética global. A crescente preocupação com as questões ambientais e o consenso mundial sobre a necessidade de promover o desenvolvimento em bases sustentáveis estão estimulando novas pesquisas e o progresso científico.

O debate sobre o aumento da segurança no fornecimento de energia – impulsionado pelos efeitos da redução da dependência de combustíveis fósseis – também contribui para o interesse mundial por soluções mais sustentáveis, por meio da geração de energia proveniente de fontes limpas e renováveis.

Nesse quesito, o Brasil ocupa posição de destaque, em função da significativa participação das fontes renováveis em sua matriz energética. Nossa principal fonte de geração de energia elétrica é a hidráulica (água dos rios), que responde por 71% da capacidade instalada do país. Em seguida, estão as termelétricas (combustíveis fósseis, biomassa e nuclear) com 28%. O restante é proveniente de usinas eólicas (força do vento) e de outras fontes, como a energia solar, cujo uso tem crescido nos últimos anos.

Em Belo Horizonte, uma boa referência é a Usina Solar Fotovoltaica do Mineirão. Construída pela Cemig, em parceria com o consórcio Minas Arena e o banco alemão KfW, ela injeta, desde abril de 2014, mais de 1 MW de energia no sistema de distribuição da Cemig. Esse volume é suficiente para abastecer cerca de 1.200 casas de médio porte. Para o funcionamento da usina, foram instalados na área útil da cobertura do estádio 6.000 painéis solares.

Conheça, a seguir, algumas formas de energia e dicas de economia.

Fique ligado e faça a sua parte!

Entenda melhor

A energia renovável é obtida de fontes naturais capazes de se regenerar e, portanto, virtualmente inesgotáveis – como o sol e o vento – ao contrário de recursos não-renováveis, como o petróleo, o carvão e o gás natural, que são combustíveis fósseis. É considerada alternativa ao modelo energético tradicional, tanto pela sua disponibilidade garantida quanto pelo seu menor impacto ambiental.

Cinquenta e quatro por cento das emissões de gases de efeito estufa são resultado do desmatamento. A geração de eletricidade, com 1,4%, ocupa a sétima posição como fonte de emissão de gases de efeito estufa no Brasil.

O sol é uma fonte inesgotável de energia. E, portanto, uma excelente alternativa para países tropicais de grandes extensões territoriais, porque dispõem de alta incidência de radiação solar. Com a tecnologia, a energia do sol pode ser transformada em outras formas de energia: térmica e elétrica.

A energia elétrica também pode ser obtida por meio da queima de petróleo, óleo, álcool, bagaço de cana, lenha, carvão mineral, gás, lixo e outros, nas usinas termelétricas, que transformam a energia térmica em energia elétrica.

Economize!

DICAS SUSTENTÁVEIS

Substitua as lâmpadas incandescentes por fluorescentes, que são mais econômicas.

Apague as lâmpadas dos ambientes desocupados.

Evite o sol direto nos ambientes e nos aparelhos de ar-condicionado. Assim, você gasta menos.

Aproveite ao máximo a iluminação natural e evite acender lâmpadas durante o dia.

Instale os aparelhos de ar-condicionado na parte superior dos ambientes.

Limpe sempre o filtro do ar-condicionado para diminuir o consumo e melhorar a qualidade do ar que você respira.

Quando o ar-condicionado estiver ligado, deixe portas e janelas fechadas.

Pinte paredes e tetos com cores claras. Assim, será preciso menos luz para iluminar bem os ambientes.

Desligue os aparelhos assim que os ambientes forem desocupados.

Regule a temperatura da geladeira de acordo com a quantidade de alimentos armazenada.

Providencie regularmente a limpeza dela para evitar o acúmulo de gelo.

Organize os produtos dentro da geladeira de modo a não impedir a circulação do ar. Evite usar plástico para forrar as prateleiras.

Prefira geladeiras que consomem menos energia (Selo Procel) e verifique o estado das borrachas de vedação.

Instale a geladeira em local ventilado e protegido do sol.

Energia: é a capacidade de realizar trabalho. Ela é encontrada em formas como vento ou a água corrente e armazenada em matéria como os combustíveis fósseis - petróleo, carvão, gás natural, que podem ser queimados para “realizar uma ação”. É mais bem descrita em termos do que pode fazer: não podemos “ver” a energia, apenas seus efeitos; não podemos criá-la, apenas usá-la; e o ideal é não desperdiçá-la, ou seja, usá-la de forma ineficiente.

Painel fotovoltaico: usado para converter a energia solar em eletricidade, não depende de calor. A conversão da energia é feita pelas células solares, através do efeito fotovoltaico: os fótons (carga elétrica nula) incidentes e os átomos de certos materiais provocam um deslocamento dos elétrons, carregados negativamente, e geram uma corrente elétrica. O painel fotovoltaico depende diretamente da incidência dos raios solares.

Fontes de energia

Sol: energia solar

Vento: energia eólica

Rios e correntes de água doce: energia hidráulica

Mares: energia maremotriz

Matéria orgânica: energia da biomassa

Calor da Terra: energia geotérmica

Energia sustentável

Alexandre Uhlig - Mestre e doutor em Energia pela USP e diretor de Assuntos Socioambientais e Sustentabilidade do Instituto Acende Brasil

A matriz energética brasileira é altamente renovável (hidrelétricas), mas dependente do regime de chuvas. Com planejamento eficiente é possível evitar eventuais apagões e racionamento?

Toda matriz energética com forte dependência de recursos naturais – hidráulico, eólico, solar ou biomassa – por mais bem planejado que seja o sistema de produção e distribuição, envolve/admite sempre o risco de não suprir toda a demanda por energia elétrica. Um sistema totalmente livre de riscos custaria muito caro para a sociedade. Além disso, é preciso considerar que estamos vivendo uma situação atípica no Brasil. Segundo informações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), essa é a seca mais severa dos últimos 60 anos.

O brasileiro está maduro em relação ao consumo consciente de energia elétrica?

De modo geral, respondemos mais rápido ao estímulo econômico. Ou seja, quando “dói” no bolso, a gente reage. No Brasil, como temos recursos naturais abundantes, muitos ainda não se deram conta da importância de usá-los com responsabilidade. Basta acionar o interruptor, e a nossa sala se ilumina; temos energia para alimentar o computador, assistir à TV. A maioria das pessoas não pensa no trabalho que dá fazer a energia chegar às nossas casas, nos impactos causados pela construção de reservatórios, nas famílias que têm de deixar suas terras e nos animais que por ventura morrem.

Há algum material educativo do Acende Brasil que possa ser usado em escolas?

Sim. Produzimos a série “Na Trilha da Energia”. É um documentário dividido em cinco episódios e neles mostramos, em linguagem acessível, o passo a passo desde a geração até a distribuição da energia elétrica no Brasil. Os vídeos estão disponíveis em nosso site, no link “Vídeos e Animações”.


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