Minas das tragédias anunciadas

Parte 4
Tragédia da Vale
Edição 115 - Publicado em: 20/02/2019

21 de junho de 2001

Eram 17h quando a barragem de rejeitos da mineradora Rio Verde, em Macacos, distrito de Nova Lima, se rompeu. Mais de 600 mil metros cúbicos de rejeitos de minério desceram morro abaixo. Cinco funcionários da empresa morreram. O Córrego Taquaras teve 12 quilômetros de seu curso soterrado. Quarenta e três hectares de Mata Atlântica foram devastados pela lama. Depois de assinar vários Termos de Ajustamento de Conduta (TAC), a mineradora indenizou as vítimas e mais tarde foi vendida para a MBR (hoje Vale). Os rejeitos continuam no mesmo lugar.

10 de março de 2007

Na Zona da Mata mineira, moradores de Miraí viveram momentos de pânico na madrugada deste dia. A barragem São Francisco, da Mineração Rio Pomba Cataguases, não suportou as fortes chuvas que caíram na região por volta das 3h e cedeu, inundando parte de Miraí, na divisa de Minas com Rio de Janeiro. Mais de dois milhões de metros cúbicos de rejeitos provenientes da lavagem de bauxita invadiram a cidade, destruindo casas e alterando a paisagem natural do Rio Fubá, que corta a cidade. Não houve mortes, mas quase 4 mil pessoas ficaram desabrigadas.

05 de novembro de 2015

Considerada a maior tragédia socioambiental do país, o rompimento da Barragem de Fundão, da Samarco (controlada pela Vale e BHP Billiton), liberou 39 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério, matando 19 pessoas, deixando milhares de desabrigados e degradando toda a bacia hidrográfica do Rio Doce até sua foz, em Regência (ES). O povoado de Bento Rodrigues, que ficava a apenas 2,5 quilômetros da barragem, foi varrido do mapa em questão de minutos. A lama soterrou 120 nascentes e mangues, dizimou 1.469 hectares de florestas e matou 11 toneladas de peixes.

Multas não pagas até hoje

A assessoria de imprensa do Ibama informou à Ecológico que o órgão já instaurou 25 processos para apurar infrações ambientais associadas ao rompimento da Barragem de Fundão, da Samarco. “Os autos de infração contra a mineradora totalizam R$ 350,7 milhões. Além desses autos, o Ibama expediu 73 notificações, com o objetivo de exigir a adoção de medidas de regularização e correção de conduta, entre outras ações. A Samarco apresentou recursos contra todos os autos de infração lavrados pelo Ibama. Apesar de os autos terem sido confirmados, a Samarco (leia-se BHP e Vale) insiste em recorrer das decisões administrativas, buscando afastar sua responsabilidade pelo desastre.” Nenhuma das multas ambientais foi paga pela Samarco até o momento.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Barragens vulneráveis

O “Relatório de Segurança das Barragens”, elaborado pela Agência Nacional de Águas (ANA), apontou, em novembro de 2018, que ao menos 45 barragens brasileiras são consideradas vulneráveis e preocupam os órgãos fiscalizadores. Entre os problemas mencionados estão baixo nível de conservação, insuficiência do vertedor e falta de documentos.

Entre as mais de 24 mil barragens do país, 3.545 estão classificadas segundo a Categoria de Risco e 5.459 de acordo com o Dano Potencial Associado. Ao menos 3% - 723 barragens – são consideradas com nível elevado de risco nas duas classificações.

A tragédia da Vale - Parte 1

Na rota da lama - Parte 2

"Barragens são seguras. Até que caem”- Parte 3

Brasileiros querem punição da Vale - Parte 5

Abrindo as portas do sofrimento - Parte 6

Olhando o vermelho dos olhos - Parte 7

De volta ao pensamento Krenak - Parte 8

"As sirenes não tocaram..." - Parte 9

Mudanças em nome do amor - Parte 10

A abominação da desolação - Parte 11

Lamentos gerais - Parte 12


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