Lamentos gerais

Parte 12
Tragédia da Vale
Edição 115 - Publicado em: 20/02/2019

Resposta judicial efetiva

“O Poder Judiciário revela a sua solidariedade às famílias das vítimas e aos moradores da região. Roga às autoridades que empenhem toda sua estrutura eficiente para encontrar os desaparecidos. E, espera a apuração das responsabilidades em tempo célere, para que o Judiciário possa dar a essa população desvalida uma resposta judicial efetiva de tutela da vida humana e do meio ambiente, valores consagrados na Constituição Federal brasileira.”

Luiz Fux, ministro e vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF)

Tristeza real

“O Príncipe Philip e eu ficamos profundamente tristes de saber da devastação e perda de vidas causadas pela barragem que se rompeu em Brumadinho. Nossos pensamentos e orações estão com todos aqueles que perderam entes queridos e aqueles cujos lares e meios de subsistência foram afetados.”

Rainha Elizabeth II

Rigor na punição

“Garantimos que os envolvidos nessa tragédia serão punidos exemplarmente. Todas as medidas judiciais estão sendo tomadas pelos órgãos estaduais para garantir que isso aconteça. Vamos seguir todos os rigores da lei. Não podemos querer pena de morte no Brasil se a lei não prevê isso. Mas todo o rigor de punição que a legislação permitir nós vamos tentar impor aos responsáveis.”

Romeu Zema (Partido Novo), governador de Minas Gerais

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Foco na fiscalização

“Nós temos uma atuação rigorosa do Ibama. O que precisamos fazer é melhorar o foco da fiscalização, para que haja rigor maior com as atividades que gerem maior risco.”

Ricardo Salles, ministro de Meio Ambiente

Lição a Bolsonaro

“A tragédia de Brumadinho não é culpa do novo governo, mas deve servir como lição a Bolsonaro. O presidente tem alegrado as mineradoras ao repetir que há uma “indústria da multa” e atacar os órgãos de fiscalização ambiental. Este discursos vale como incentivo a quem já lucra com a exploração predatória da natureza.”

Dorrit Harazim, escritora croata

Sem controle

“Lamento muito a ganância das mineradoras que esburacam nossas montanhas, destroem o meio ambiente e não são corretas com os dejetos que elas causam. E pergunto por que não há controle e nem lei para fiscalizar esses abusos. Sinto muito por todos os afetados!”

Flávio Venturini, cantor e compositor, que mora em um sítio a 7 km de Brumadinho

inaceitável e incalculável

“Para um setor que dobrou de tamanho em pouco mais de uma década e só no ano passado gerou US$ 20 bilhões em exportação, é inaceitável o jogo de empurra diante dos crimes ambientais em Mariana e Brumadinho. Em 2015, Vale e BHP tentaram se eximir de responsabilidade pela operação da Samarco, apesar de a empresa ser uma joint-venture entre as duas gigantes da mineração, com 50% de participação de cada.

Há um ano, o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, disse para investidores em São Paulo, que o trabalho de recuperação do Rio Doce era ‘uma história extraordinária’ e que a ‘resposta das duas companhias estava à altura do desastre’. O que as reportagens mostravam era uma realidade diferente: muita reclamação, atrasos e um dano ambiental incalculável.”

Míriam Leitão, jornalista, em sua coluna de “O Globo”

Dinheiro versus dignidade

“A mineração tem de ser feita com responsabilidade. Até quando o dinheiro vai valer mais do que a dignidade humana? O lucro não pode estar acima de tudo. Não poderia, como presidente da Comissão de Minas e Energia, dormir de maneira tranquila, sabendo o que hoje acontece em Minas. Não tenho dúvidas de que teremos novas rupturas, porque o modelo que utilizamos é obsoleto, é ultrapassado. As pessoas vão continuar morrendo. Não dá para combinar com um setor assassino, que mata as pessoas.”

João Vitor Xavier, em 5 de julho de 2018, em discurso na ALMG, e mais recentemente, após a tragédia de Brumadinho

Um genocídio

“Se o presidente da Vale tivesse sido preso há três anos, após o desastre de Mariana, certamente a tragédia de Brumadinho não teria acontecido. Pelo número de vítimas, isso é um genocídio. É um crime que, pelo menos preventivamente, essa diretoria da Vale tinha que estar na cadeia.”

Alexandre Kalil, prefeito de BH

Lucro, lucro

“O que faltou nesses desastres, e a gente lamenta, foi as empresas do setor, principalmente a Vale, tomarem medidas de prevenção socioambientais. Quando era estatal, tinha mais engenheiros que cuidavam disso. Quando a empresa se tornou privada, passou a ter economistas que só pensam em lucro.”

Fábio Ramalho, deputado federal

Dor papal

“Quero exprimir a minha dor pela tragédia que atingiu o estado de Minas Gerais, no Brasil. Recomendo a misericórdia de Deus a todas as vítimas e ao mesmo tempo rezo pelos feridos e exprimo meu afeto e proximidade espiritual às suas famílias.”

Papa Francisco

Sem resposta

“A Vale acabou com Mariana e agora acabou com Brumadinho. Qual é a próxima cidade que vai acabar? O que vou fazer da minha vida? O meu marido está lá, soterrado, e eu não tenho resposta. Como é que vai fazer?”

Sueli Oliveira, em busca de notícias do marido, Paulo, que morava próximo à mineradora

Só lucro?

“Este novo rastro de destruição e tristeza em Brumadinho aconteceu apenas três anos do maior desastre socioambiental do Brasil, em Mariana. É preciso dar um basta nisto! Governos e empresas precisam parar de colocar o lucro acima das pessoas e da natureza.”

Leonardo DiCaprio, ator norte-americano e ambientalista

Sentimento geral

“A nova tragédia mostra a importância de refutar propostas que enfraqueçam o rigor das normas sobre licenciamento ambiental.”

Suely Araújo, ex-presidente do Ibama

Sentimento pátrio

“Difícil não se emocionar.”

JAIR BOLSONARO, presidente da República, ao sobrevoar o local do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho (MG)

Condoídas desculpas

“É tempo de exigir que autoridades tratem esta tragédia a partir do marco dos direitos humanos. De dizer à Vale e demais mineradoras que sua prioridade agora é uma séria avaliação dos riscos de seus empreendimentos: lucros já foram extraídos excessivamente e têm gerado crimes. De exigir uma moratória no licenciamento de barragens, até que seus critérios sejam revistos. Aos governos Bolsonaro e Zema cabem condoídas desculpas, por terem cogitado relaxar a política ambiental, visando ‘agilizar o progresso’... para poucos.”

Léo Heller, relator especial da ONU para os direitos humanos à água e ao esgotamento sanitário, professor voluntário da UFMG e pesquisador da Fiocruz-Minas

Autores humanos

“Essas tragédias não foram incidentais. Elas tiveram causas e autores humanos. O autor principal chama-se Vale. Uma empresa que se apresenta como verde, mas esse verde é camuflagem de predador.”

Sérgio Abranches, sociólogo e escritor, em artigo no Estado de Minas

A tragédia da Vale - Parte 1

Na rota da lama - Parte 2

"Barragens são seguras. Até que caem”- Parte 3

Minas das tragédias anunciadas - Parte 4

Brasileiros querem punição da Vale - Parte 5

Abrindo as portas do sofrimento - Parte 6

Olhando o vermelho dos olhos - Parte 7

De volta ao pensamento Krenak - Parte 8

"As sirenes não tocaram..." - Parte 9

Mudanças em nome do amor - Parte 10

A abominação da desolação - Parte 11


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