Análise profunda e necessária

Fiemg reforça importância da análise adequada das barragens em Minas. Objetivo é encontrar soluções de engenharia e de legislação que preservem vidas e evitem o empobrecimento das populações e municípios mineradores

Municípios mineradores
Edição 115 - Publicado em: 20/02/2019

Em sua primeira entrevista coletiva após o ocorrido em Brumadinho, o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, afirmou que pretende discutir com os setores de engenharia e mineral técnicas eficientes que possam impedir que tragédias como essa voltem a acontecer.

A entidade vai propor um estudo aprofundado, no qual possam ser analisados quais métodos construtivos de barragens de rejeitos são mais eficazes e seguros. E identificar também as barragens que têm maiores riscos de rompimento, para que sejam tomadas atitudes preventivas.

“Temos que trabalhar para que haja segurança nas barragens já existentes, mas também preservar a atividade econômica, que é vital para todos nós. Afinal, sem a mineração não existe economia como nós conhecemos. Daí estarmos em busca de parceiros, como empresas do setor de mineração, entidades de engenharia, o governo do Estado e representantes de órgãos ambientais para execução do estudo.”

Questão econômica

O impacto da paralisação das atividades das minas e das barragens comissionadas pela Vale, Roscoe demonstrou, é grande para o PIB de Minas Gerais: uma queda de 1,8%. Daí a preocupação com os impactos econômicos, que vão afetar diretamente a vida de milhões de mineiros: “É preciso que sejam apuradas as causas do rompimento para que possamos atuar estritamente nas suas correções e não ficar atirando em várias direções, criando mais obstáculos que o necessário. Identificadas as causas, aí sim, trabalharmos solidários para que elas sejam mitigadas e para que acidentes como esse nunca mais ocorram. Além de propiciar que o impacto no PIB não seja ainda maior do que esse de 1,8% negativo que vamos ter, em função do acidente. Minas Gerais iria crescer 3,3%. Agora, crescerá 1,5% em 2019, em função do acidente”.

Antes de fazer mudanças na legislação ou no licenciamento ambiental, segundo Roscoe, é necessário rever as técnicas de engenharia usadas na construção de barragens: “Temos de fazer isso. É ali que está o problema estrutural, é onde acontecem as falhas na segurança. É por causa disso que a Fiemg vai se cercar de engenheiros especialistas na busca de novos e mais seguros modelos de barragens”.

Fique por dentro

Ajuda humanitária

De acordo com Flávio Roscoe, num primeiro momento, a Fiemg apoiou os moradores atingidos de Brumadinho, de maneira incisiva, em conjunto com diversas empresas do Estado, disponibilizando desde helicópteros até caminhões frigoríficos, além de bens de primeira necessidade.

Todo o Sistema Fiemg atuou com uma grande equipe de assistentes sociais, médicos e outros profissionais habilitados no atendimento a várias famílias. Empresas e sindicatos também enviaram recursos humanos e materiais, fundamentais nos trabalhos de resgate. Essas empresas doadoras foram: Usiminas, MRV, CCPR/Itambé, Anglo American, CSN, CNH, Energisa, Gerdau, Nippon, Tenaris/Technit, Fiat, Sindusfarq, Petrobras, Tropeira, Associação Latino Americana do Aço (Alacero), Alcoa, FCA, AeC e Mercedes-Benz.

Estudos e projeções

O estudo da Fiemg mostrou que a indústria extrativa é responsável por 25% de toda a produção industrial e por 2,1% do PIB mineiro, exercendo grande influência na sua cadeia produtiva.

Para cada R$ 100 milhões a menos de receita do setor, há perdas adicionais de R$ 25 milhões em outros segmentos. A redução da produção de 10 milhões de toneladas/ano de minério de ferro no Estado é capaz de promover uma queda de receita na cadeia produtiva da mineração de R$ 3,4 bilhões. Ou o equivalente a 0,6% do PIB de Minas, em 2017.

Os municípios e populações que mais dependem da Vale, em termos de arrecadação de tributos (CFEM) são: Ouro Preto (72%) Nova Lima (45%) (foto acima), Brumadinho (15%) e Congonhas (10%). A atividade minerária está presente hoje em mais de 400 cidades. Os municípios mineradores de Minas – aponta o relatório da Fiemg – têm distribuição de renda mais igualitária do que a maioria dos demais municípios brasileiros.

Nove entre 10 municípios mineiros de maior relevância na atividade de mineração aparecem entre as 80 cidades com melhor qualidade de vida medida pelo Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal. Esse indicador apura as condições de vida da população em todos os municípios brasileiros, a partir da análise do comportamento do emprego, renda, educação e saúde locais. Há maior potencial de desenvolvimento econômico-social nos municípios onde predomina a atividade de mineração. O reflexo disso é mais qualidade de vida, com menos violência, mais educação e melhor infraestrutura nessas cidades, conclui a Fiemg.


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