Sob o céu que nos encanta

Conheça os 13 vencedores da nona edição do “Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza” e confira os momentos emocionantes que marcaram a entrega dos troféus da maior premiação ambiental do país

Bruno Frade, Hiram Firmino e Luciano Lopes - redacao@revistaeologico.com.br
Prêmio Hugo Werneck
Edição 114 - Publicado em: 19/12/2018

Os vencedores de 2018

1. Melhor Exemplo em Resíduos Sólidos

“PROGRAMAS NACIONAIS DE RECICLAGEM” – Terracycle do Brasil

São Paulo (SP)

2. Melhor Exemplo em Fauna

“PROJETO MANEJO ÉTICO DE CAPIVARAS URBANAS PARA CONTROLE DA FEBRE MACULOSA” – Secretaria Municipal de Meio Ambiente de BH

“PROJETO FAUNA SEM LAR” – Centro de Biodiversidade da Usipa Ipatinga (MG)

3. Melhor Exemplo em Educação Ambiental

“O INCRÍVEL INVISÍVEL: MICRO-ORGANISMOS EM AÇÃO” – Escola Municipal Professora Maria Modesta Cravo/Cidade Nova (BH)

4. Melhor Exemplo em Flora

HELTON JOSUÉ MUNIZ, o maior plantador de árvores frutíferas do Brasil Campina do Monte Alegre (SP)

5. Destaque Municipal

“SALVADOR, CAPITAL DA MATA ATLÂNTICA” – Secretaria Municipal de Cidade Sustentável e Inovação de Salvador (BA)

6. Destaque Estadual

ONG BRIGADA 1 Belo Horizonte (MG)

7. Destaque Nacional

“PROJETO ASSENTAMENTOS SUSTENTÁVEIS DA AMAZÔNIA” - Instituto de Pesquisa Ambiental

da Amazônia (Ipam)

Belém (PA)

8. Melhor Empresa

UNILEVER – FÁBRICA POUSO ALEGRE

(MG)

9. Melhor Projeto de Parceiro Sustentável

“PROJETO TODOS PELA ÁGUA” – Usiminas

Vale do Aço (MG)

10. Melhor Parceiro Sustentável

ARCELORMITTAL – 27º Prêmio ArcelorMittal de Meio Ambiente

Itatiaiuçu (MG)

11. Homenagem Especial

JOSÉ CLÁUDIO JUNQUEIRA, ambientalista e ex-presidente da Feam

12. Personalidade do Ano

GERMANO VIEIRA, secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de MG

13. Homenagem do Ano

MAURICIO DE SOUSA, desenhista, cartunista e criador da Turma da Mônica

“Olho para o céu, tantas estrelas dizendo da imensidão do universo em nós. A força desse amor nos invadiu.”

Os primeiros versos e acordes da canção “Céu de Santo Amaro”, versão de Flávio Venturini e Caetano Veloso, anunciaram que a cerimônia da nona edição do “Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza” seria assim mesmo: estrelada e com muitas emoções.

No palco do novo Espaço de Eventos Unimed-BH, na capital mineira, os bailarinos Rodrigo de Castro e Andrea Pinheiro, da Mimulus Cia. de Dança, dançaram suavemente, se mesclando aos tons azuis da imagem de um céu estrelado projetado no telão, ao fundo do cenário.

Em silêncio, naquela “noite do sertão” que deveria não ter fim, a plateia de quase 300 convidados apreciou a elegância de cada passo: os bailarinos dançaram com “alegria de pássaro em busca de outro verão”. E, assim, simbolizaram a união em debate no país entre a Agricultura e o Meio Ambiente - “Nós somos rainha e rei”.

Foi justamente este o tema do prêmio este ano: “A Sustentabilidade na Floresta, no Campo e na Cidade”, que teve vencedores em 13 categorias.

Depois da apresentação artística, a cerimônia seguiu seu curso. Informalmente presidida pelo vice-governador eleito de Minas, Paulo Brant, ela foi aberta pela superintendente de Relações Institucionais da Unimed-BH, Rosana Chaves.

Em seu discurso, ela traduziu a essência do cooperativismo e a busca contínua pelo bem coletivo, tal como a luta ambiental: “Estamos sediando a nona edição do Prêmio Hugo Werneck por acreditar no poder transformador das pessoas, na capacidade que temos de melhorar o lugar em que vivemos”.

O CÉU DE BENTO RODRIGUES

Esse poder humano deu o tom da cerimônia. Foi a ponte para outro momento especial da noite. Logo após a homenagem ao desenhista e cartunista Mauricio de Sousa (que estava no Japão e foi representado por sua filha Magali), o personagem mais ecológico da Turma da Mônica - Chico Bento - continuou no palco. Ele foi igualmente homenageado por suas mensagens de preservação da natureza, apresentadas em vídeos animados exibidos durante a solenidade.

EMOÇÕES E VITÓRIAS

A entrega do troféu Hugo Werneck ao Chico foi feita por convidados especiais. O primeiro deles? A professora Eliene Almeida, diretora da Escola Municipal de Bento Rodrigues, distrito que hoje não existe mais.

Avisada pelos gritos de seu marido, e não por uma sirene, Eliene se tornou a “heroína de Mariana” por ter salvado a vida de todos os seus 58 alunos, de sete a 11 anos de idade.

As crianças estavam na sala de aula minutos antes de uma onda de 20 metros de altura de lama e rejeitos de minério da Barragem de Fundão varrer para sempre a história de suas vidas.

Aplaudidos de pé pelos convidados enquanto subiam ao palco, que tinha no telão uma imagem do que sobrou do ex-distrito de Mariana, Eliene e 13 dos alunos sobreviventes estavam acompanhados de outra professora, Edilaine Santos, inspetora da escola. Ela também ajudou Eliene a salvar as crianças no dia da maior tragédia socioambiental e minerária da história do país, que provocou 19 mortes em 05 de novembro de 2015.

Logo após entregarem o troféu para Chico Bento, que ganhou um abraço coletivo das crianças e das professoras, todos se sentaram no palco para assistir ao último recado da noite: o vídeo “How Many People” (com a mensagem “Quantas pessoas mais terão de morrer para salvar a Floresta Amazônica?”), do ex-beatle Paul McCartney em homenagem ao ambientalista Chico Mendes (leia mais a seguir).

Ali, naquela noite de emoções e vitórias celebradas com palmas, assovios e muitos “bravos”, foram comemorados também o exemplo e a luta de todos os Chicos Mendes e Bentos da vida. Tudo em prol, um dia, do casamento possível e sustentado entre nossas florestas, campos e cidades onde vivemos.

Tal como o espírito de Dr. Hugo, sempre presente, nos fez e faz acreditar: “O planeta ainda tem jeito. Não podemos perder a esperança”!

Acompanhe a reportagem e saiba mais sobre os vencedores dessa noite estrelada!

“Nós somos Rei (Meio Ambiente) e Rainha (Agricultura)”

Hiram Firmino

“Permitam-me fazer dois spoilers. Um é negativo. E o outro, positivo.

O negativo é que, pelo terceiro ano consecutivo, o Prêmio Hugo Werneck não teve uma só indicação para concorrer na Categoria ‘Melhor Político’. E, pela primeira vez, desde que essa nossa premiação existe, também não tivemos indicações à categoria ‘Melhor Empresário’.

Fim do mundo isso? É e não é.

Desde que acreditemos que nada acontece em vão e que não cai uma só folha seca no chão do planeta que não esteja no plano de Deus, esse pode ser o começo de um tempo bom. Uma oportunidade histórica, vide a renovação de políticos, administradores públicos e privados trazida pelas últimas eleições em todo o país.

Segundo a filosofia japonesa Seicho-no-Iê, a hora mais escura da noite é a véspera do amanhecer. E isso pode estar sendo configurado agora, como um exemplo e voto de confiança de Minas para o Brasil. É a primeira vez que, visto de outro prisma, temos dois empresários eleitos para nos governarem quando 2019 bater nas nossas portas. Pode ser coincidência, de novo, do nosso destino comum.

Em 2012, na terceira edição do Prêmio Hugo Werneck, qual empresário foi vencedor da categoria “Destaque Nacional” por sua performance ambiental à frente de uma das maiores multinacionais na área de florestas plantadas, papel e celulose? O ex-presidente da Cenibra, nosso futuro vice-governador, Paulo Brant, aqui presente.

Vamos ao segundo “nada acontece em vão” nos campos do Senhor. Sabem que grupo empresarial se inscreveu e foi vencedor, ao lado de Paulo Brant, seis anos atrás, na categoria “Melhor Exemplo de Comércio, Bens e Serviços?” O Grupo Zema, então dirigido por um empresário do ramo. Hoje, não à-toa, o novo governador de Minas, Romeu Zema.

Portanto, caros Zema e Paulo, sejam bem-vindos a esse nosso ninho chamado esperança!

É essa crença no futuro que guia a nossa premiação, uma espécie de “Lista Limpa” criada há nove anos, em parceria com a Fiemg, logo após a morte de Dr. Hugo Werneck. Foi a forma pragmática, real e necessária que encontramos de homenageá-lo para além de palavras bonitas. Um prêmio capaz de incentivar e divulgar, positivamente, não mais as empresas e instituições que poluíam, mas aquelas que deixaram de ser assim. E passaram a ser não apenas economicamente viáveis, mas ambientalmente corretas e socialmente mais justas.

Essa é a importância maior do Prêmio Hugo: tornar conhecidas e replicáveis as realizações positivas do setor socioambiental. Dar voz e espaço, enfim, além das montanhas, ao Brasil que dá certo na área do desenvolvimento sustentável e da preservação da natureza. Desde sua criação, em 2010, nossa premiação já recebeu mais de 1.000 inscrições e indicações de todas as regiões no país, totalizando 145 premiados e homenageados.

ÚLTIMO SPOILER

Permitam-me, agora, o segundo spoiler da noite. É sobre a música-tema desta edição do prêmio. Trata-se de uma peça musical antológica, na forma original de cantata, de Sebastian Bach. Ela foi regravada e letrada por Flávio Venturini e Caetano Veloso, sob o nome de “Céu de Santo Amaro”, terra natal do cantor e compositor baiano. Ela me tocou de maneira arrebatadora.

Foi durante as comemorações dos 10 anos de existência da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), em Manaus (AM), criada e dirigida pelo ambientalista Virgílio Viana, também já homenageado em 2015 como “Melhor Exemplo do Terceiro Setor”.

Eu estava a bordo de uma embarcação, em pleno Rio Negro, varando a negritude da madrugada, a tal hora mais escura e próxima de ver o sol nascer. Estava na companhia de outro lutador de primeira grandeza, o diretor de Políticas Públicas e Mobilização Social da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, também membro do conselho editorial da Revista Ecológico. O papo continuava, em discussões sem fim, sobre o futuro do Ministério do Meio Ambiente e seus debilitados órgãos estratégicos - o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), incapazes de proteger e preservar o que nos resta de natureza, por falta de visão de longo alcance e apoio político.

Deveríamos nós, os ambientalistas, continuar lutando contra os ruralistas e vice-versa? Tentar mostrar a eles que o meio ambiente é maior que a agricultura, por ser anterior a ela na criação e sobrevivência do planeta? Tal como nós, seres humanos, precisamos da natureza, e a natureza, ela sim, não precisa de nós?

Reinado à vista

Voltemos ao Rio Negro. Estávamos antevendo, enfim, a discussão sobre a união das pastas de Meio Ambiente e Agricultura pelos governos Bolsonaro e Zema. Foi quando o dono da embarcação, que conhecia de “olhos fechados” por onde o grande rio passava, apagou todas as luzes da embarcação. E, no silêncio de uma noite com o céu coalhado de estrelas, aí sim, visto na sua totalidade, ainda fez mais.

Convocou um outro empresário, que sabia tocar violão, e ele tocou e cantou “Céu de Santo Amaro”. Uma canção, imaginem, ouvida em meio àquele absurdo amazônico de água e floresta, floresta e água, que continuamos a degradar. E presidente algum, até hoje, teve coragem de defender!

Após essa “viagem” ecológica, passei a não pensar mais na Agricultura e no Meio ambiente separados. Mas interagindo e se completando mutuamente, como dois amantes apaixonados pela última, nobre e universal causa que nos resta: a preservação da natureza e o desenvolvimento unicamente sustentável.

Pensei na Rainha que a Agricultura é (e pode ser chamada assim). E no Rei, que o Meio Ambiente é. E ambos podem se dar bem, pelo planeta e a nossa humanidade.

Diante da face natural de Deus, que é este planeta maravilhoso que deveríamos preservar não pela dor, mas pelo amor diante de tamanha beleza e autossustentabilidade, nós todos estamos no mesmo barco da sobrevivência comum, também já disse Bolsonaro. E também esperamos de Zema, Paulo e demais novos governantes do país.

Governos e sociedade, somos todos rainhas e reis de uma Terra ameaçada. E o futuro que queremos continua em nossas mãos. Nossa gratidão aos premiados deste ano, pelos exemplos demonstrados dessa possibilidade. Parabéns!

Como Hugo Werneck nos fazia acreditar, a esperança ainda existe. O amor, no final, vencerá.

A escolha é nossa!”

(*) Diretor e editor da Ecológico

1. Melhor Exemplo em Resíduos Sólidos

“PROGRAMAS NACIONAIS DE RECICLAGEM” Terracycle do Brasil

O projeto vencedor desta categoria impressiona pela sua metodologia participativa e pelos bons resultados. Seu objetivo é desviar resíduos de difícil reciclabilidade dos aterros sanitários que têm capacidade limitada. Trata-se de uma plataforma de reciclagem inovadora, que ajuda pessoas e instituições a encontrar uma solução sustentável para seu lixo.

Funciona assim: o cidadão doa os resíduos gerados e ganha pontos, que são convertidos em dinheiro. O valor é doado a escolas e entidades sem fins lucrativos à escolha de quem faz a doação. A iniciativa, que é mundial, já possibilitou a doação de R$ 560 mil apenas em nosso país, resultado da participação direta de 1,6 milhão de pessoas e 33 milhões de unidades de resíduos coletadas.

A insiste consiste, principalmente, na implementação de “Programas Nacionais de Reciclagem” de resíduos difíceis de serem reciclados. A participação das empresas e dos consumidores é imprescindível para o sucesso desses programas. Além de envolver as pessoas em uma causa socioambiental, ainda é possível difundir as práticas de sustentabilidade e educação ambiental na sociedade como um todo, sobretudo entre as crianças que participam dos programas.

2. Melhor Exemplo em Fauna

“PROJETO MANEJO ÉTICO DE CAPIVARAS URBANAS ” – Secretaria Municipal de Meio Ambiente de BH

Ficam ou não ficam as capivaras na Lagoa da Pampulha? Devemos acolher esses controversos e apaixonantes roedores, cada dia mais urbanos por não terem mais o seu ambiente natural que degradamos? Ou, mais fácil e intolerante, como quase aconteceu em BH, matar todas elas? E assim, como um passe de mágica, ficarmos livres da febre maculosa transmitida pelo carrapato-estrela?

Esse debate delicado começou em 2011, com a chegada das primeiras famílias de capivaras refugiadas na Pampulha. E terminou recentemente, fruto de uma decisão científica e política da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio de sua Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Em vez de optar pela retirada abrupta delas da Pampulha, como aconteceu em outras cidades brasileiras, causando uma dispersão sem controle e perigosa dos carrapatos, a prefeitura mostrou resultados.

Esterilizou todas as 57 capivaras sobreviventes e anunciou, por mais dois anos e com verbas já asseguradas, a continuidade tanto do seu manejo ecológico e da aplicação de carrapaticidas de longo prazo na região mais afetada, para a eliminação e controle progressivo da bactéria transmissora da febre maculosa.

Isso não significa que os frequentadores da Pampulha devam deixar de ficar preocupadas. Pelo contrário, o carrapato-estrela segue presente e a atenção de todos deve ser redobrada. O projeto vencedor mostra ainda que BH tem hoje uma política ética para a nossa convivência com as capivaras. A prefeitura inova ao vê-las ecologicamente não como invasoras ilegais ou criminosas. Mas como refugiadas ambientais, merecedoras de conviverem conosco.

Ao receber o troféu, o secretário municipal de Meio Ambiente de BH, Mário Werneck, destacou a convergência de trabalho das secretarias de Meio Ambiente e Saúde, bem como da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica: “Como ninguém trabalha sozinho, preciso vangloriar todos os servidores que estiveram envolvidos no processo de manejo das capivaras, sobretudo Guilherme Lana e Leonardo Maciel, que foram meus pés e braços na secretaria. E o jeito Kalil de ser, que foi o de resolver o problema. Dedico esse prêmio à população de BH. Estou extremamente emocionado”.

Depoimento

“O anúncio das medidas adotadas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente revela que a Prefeitura de BH resolveu o problema das capivaras na Pampulha. Ou, no mínimo, encaminhou. Assim, fica claro mais uma vez que, quando quer, o poder público resolve as questões que permeiam a vida da população. Não houve crueldade, extermínios e, agora, sabemos que, gradativamente, a população de capivaras vai ser monitorada e controlada, afastando os riscos de doenças. A inteligência do homem e o avanço das técnicas nos permitem dizer que sempre haverá possibilidades de convivência pacífica entre humanos e o meio ambiente, desde que os engravatados queiram de verdade.”

Eduardo Costa, jornalista e apresentador da Rádio Itatiaia

“PROJETO FAUNA SEM LAR” – Centro de Biodiversidade da Usipa

Por meio de uma espécie de jardim zoológico misturado com hospital veterinário, há anos uma conhecida associação esportiva e recreativa abriga uma missão literalmente animal: acolher, recuperar e devolver à natureza animais silvestres em situação de risco ou ameaçadas de extinção, como gavião-pato, tamanduá-mirim e cachorro-do-mato.

No início, esse projeto recebia uma média de 100 animais/ano, recolhidos pela Polícia Militar de Meio Ambiente, pelo Corpo de Bombeiros e funcionários do Instituto Estadual de Florestas (IEF). Devido às precárias condições de saúde, muitos desses animais morriam, mesmo após os esforços da equipe da instituição em recuperá-los.

A partir de 2017, após assinatura de um termo de cooperação entre os órgãos envolvidos, isso mudou. Em parceria com a Associação Regional de Proteção Ambiental do Vale do Aço (Arpava), esse trabalho de amor à fauna em risco apresentou números positivos. De 263 animais socorridos até hoje, 12,5% deles ainda permanecem em tratamento ou em reabilitação para a soltura. Outros 38% não resistiram. Mas 39,5% conseguiram se recuperar e foram reintroduzidos ao meio ambiente. Os 10% restantes foram incorporados ao zoológico. Eles se somam a um plantel atual de 447 animais visitados por moradores, escolas e alunos de 16 municípios à sua volta, até onde o projeto faz chegar suas mãos salvadoras e sem fronteiras.

3. Melhor Exemplo em Educação Ambiental

O projeto vencedor da categoria que mais recebeu inscrições nesta edição do Prêmio Hugo Werneck contribui positivamente para que 150 alunos do segundo e do terceiro anos do Ensino Fundamental de Belo Horizonte ampliem seus conhecimentos sobre o tema microbiologia. Além de ensinar sobre a diversidade dos seres vivos, o projeto estimula os estudantes a refletir sobre o papel dos deles na sociedade e no equilíbrio ambiental.

Geralmente associados ao perigo e à contaminação, esses pequenos seres passam falsamente a ideia de que são do mal e não devem ser preservados. O projeto possibilita que as crianças, que têm na infância um período de descobertas relacionadas aos sentidos e às percepções, vivenciem experiências também ao que não é visível e palpável, como os micro-organismos.

A iniciativa conta com a parceria do Museu de História Natural e Jardim Botânico da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e fomenta o conhecimento dos alunos por meio de pesquisa bibliográfica, atividades investigativas e visitas ao jardim botânico. Ao final do projeto, os alunos ainda criam um álbum de figurinhas sobre o tema estudado.

4. Melhor Exemplo em Flora

HELTON JOSUÉ MUNIZ, o maior plantador de árvores frutíferas do Brasil

Quando subiu ao palco para receber o troféu junto com a esposa Emilene, Helton Josué Muniz foi aplaudido de pé pela plateia. Maior plantador de árvores frutíferas do país, ele nasceu em Piracicaba (SP) e foi criado em Angatuba, também no interior do estado, onde cursou o primeiro grau da escola pública.

Foi na fazenda dos avôs que, segundo ele, sua vida ganhou “real significado”. Religioso, foi lendo a Bíblia que aprendeu que todos devem cuidar das maravilhas que Deus criou, incluindo, claro, a natureza. Motivado por isso, começou a se dedicar ao plantio de uma horta caseira para ajudar no orçamento doméstico.

Helton não cursou a universidade. Tomou gosto pelas plantas. E, mesmo não sabendo nada sobre elas, começou a ler, estudar e pesquisar sobre o assunto.

As limitações físicas – ele sofre de coordenação fina e diabetes Tipo 1 – não impediram Helton de fazer a sua parte para preservar o que ele chama de “nossa apólice de seguros”: as várias formas de vida que existem no Planeta Terra. Foi assim que ele se tornou o maior plantador de árvores frutíferas, ou, como prefere dizer, o maior colecionador de frutas em pomar do Brasil.

Como bom aprendiz da natureza e um entusiasta em compartilhar seus conhecimentos biológicos e botânicos, já são mais de 10 anos de dedicação ao estudo da flora. O exemplo de Helton se tornou conhecido do grande público depois de uma reportagem veiculada no programa Globo Repórter, da TV Globo, há alguns meses. E seu pomar, que fica em um sítio próprio na região da pequena Campina do Monte Alegre (SP) já possui mais de 200 espécies de árvores frutíferas.

Acompanhado da esposa, Emilene, um emocionado Helton subiu ao palco do “Prêmio Hugo Werneck” e saudou a plateia com um “abraço frutal” para todos. “Agradeço muito por observarem esse meu trabalho, que está trazendo sustentabilidade para o Brasil”, disse ele. E completou, com seu jeito simples e humilde: “Nosso país é rico em frutas e precisamos valorizar isso. Obrigado pela homenagem. Agradeço também a Deus por ter me dado a sabedoria de entender que tudo que Ele criou tem valor. Só que às vezes a gente não sabe. Mas se tivermos curiosidade, a gente descobre e pode usar tudo de forma mais sustentável e de maneira ecológica”.

Toda essa sabedoria ecológica de Helton será ainda mais compartilhada e ampliada a partir de 2019. Ele será o novo colunista da Revista Ecológico, a partir da edição de janeiro, e apresentará todo mês um texto com informações de uma das espécies frutíferas de seu extenso pomar. Aguardem!

5. Destaque Municipal

“SALVADOR, CAPITAL DA MATA ATLÂNTICA” Secretaria Municipal de Cidade Sustentável e Inovação de Salvador (BA)

A instituição vencedora desta categoria inscreveu vários projetos, que tiveram a participação de 1,2 milhão de pessoas. Todos eles integram este programa mais abrangente, que busca articular iniciativas para transformar espaços públicos e institucionais para o desenvolvimento integrado da Mata Atlântica. O bioma é uma das florestas mais ricas em biodiversidade do país, mas hoje só tem 12,4% de sua cobertura vegetal original. Desses remanescentes, 80% estão em áreas privadas.

O projeto “Salvador, Capital da Mata Atlântica” possibilitou a criação de 34 unidades de conservação na capital baiana, totalizando 19 milhões de metros quadrados de espaços verdes protegidos. Contribuiu para Salvador também ganhar um parque marinho e ter seu Conselho Municipal de Meio Ambiente reativado. O conhecido Lixão de Canabrava, que em 30 anos recebeu 22 milhões de toneladas de resíduos, também está sendo ecologicamente revitalizado: irá se tornar um parque socioambiental. Recentemente, mais de 10 mil novas árvores foram plantadas lá.

Outra ação de destaque é um programa participativo para engajar os cidadãos no plantio de árvores e criar uma cultura sustentável na população. Mais de 52 mil árvores já foram plantadas na capital baiana, arborizando 77 km de vias. Hortas urbanas, escolares e pomares públicos também foram criados.

6. Destaque Estadual

ONG BRIGADA 1

Organização não governamental fundada há 15 anos na capital mineira, a Brigada 1 atua voluntariamente para prevenir e combater incêndios florestais em todo o território nacional, principalmente em Minas Gerais. Seu trabalho, inclusive, tem sido essencial para impedir o avanço do fogo em muitas de nossas unidades de conservação, como o Parque Estadual Serra do Rola-Moça, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A parceria com a Semad e a formalização, em 2014, de um Termo de Cooperação Técnica para fortalecimento do Programa Estadual de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (PREVINCÊNDIO), sobre responsabilidade da Diretoria de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais e Eventos Críticos (DPIFE), corroboraram para que a entidade ampliasse sua atuação efetiva em nosso estado. A atuação de seus brigadistas voluntários não se limita à RMBH e se estende a vários municípios de Minas, com núcleos em cidades como Ouro Preto, Mateus Leme, São João del-Rei e Montes Claros.

Conta com 140 brigadistas voluntários e também realiza palestras, campanhas e atividades de educação ambiental, além de capacitação permanente dos combatentes de incêndio. A entidade também desenvolve pesquisas científicas transdisciplinares, conjugadas às práticas adquiridas a cada atuação e à troca de experiências entre as instituições parceiras.

7. Destaque Nacional

“ASSENTAMENTOS SUSTENTÁVEIS DA AMAZÔNIA” - Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam)

Ao receber o troféu, a diretora-adjunta do Ipam, Maria Lucimar de Souza, deu seu “boa noite amazônico” a todos e foi às lágrimas. Mesmo sendo a única representante da instituição na cerimônia, ela não estava sozinha. Recebeu muitos aplausos de todos, inclusive dos voluntários da ONG Brigada 1. Lembrou que o Brasil tem quase oito mil assentamentos rurais – mais de 3 mil deles na Amazônia, região onde ocupam 40 milhões de hectares, área quase equivalente ao tamanho de Minas.

O projeto traduz a essência do tema desta edição do Prêmio Hugo Werneck: “A sustentabilidade no campo, na floresta e na cidade”. Criado em parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e a Fundação Viver, Produzir e Preservar (FVPP), visa apoiar a produção sustentável em áreas de assentamentos de reforma agrária que sirvam de referência para subsidiar políticas públicas de desenvolvimento responsável da Amazônia.

Proporcionou 79% de redução das taxas de desmatamento das áreas assentadas e aumentou a renda das famílias em 68%. Investiu na construção de 21 agroindústrias para beneficiamento de leite, frutas e mandioca. Ofereceu insumos, apoio e capacitação técnica, estimulando a produção familiar por meio da economia de baixo carbono.

8. Melhor Empresa

UNILEVER – FÁBRICA POUSO ALEGRE (MG)

O propósito da empresa homenageada nesta categoria é “tornar a vida sustentável algo comum”. E ela vem conseguindo isso por meio de seu Plano de Sustentabilidade, buscando novas ideias que possa trazer ganhos ambientais, reduzir custos de produção e beneficiar a comunidade local. E esse compromisso estabeleceu uma meta desafiadora: se tornar uma fábrica carbono zero.

Com isso, a empresa conseguiu reduzir 90% das emissões de gás carbônico, cerca de 10,3 mil toneladas, na sua unidade em Pouso Alegre, no sudoeste de Minas. Toda energia elétrica usada lá agora é obtida de fontes renováveis. Substituição de combustível fóssil usado na caldeira de apoio por biodiesel e instalação de painéis solares, que proporcionaram uma economia de 82 megawatts por ano.

“É um prazer recebermos esse reconhecimento. A Unilever tem um objetivo desafiador: minimizar sua pegada ambiental nos processos produtivos. E temos muito orgulho de ter reduzido a geração de gás carbônico em todos esses processos da fábrica de Pouso Alegre. Que esse projeto sirva de inspiração para outras empresas”, afirmou Guilhermy Marques, gerente de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da unidade, ao receber a estatueta.

9. Melhor Projeto de Parceiro Sustentável

“PROJETO TODOS PELA ÁGUA” Usiminas

Esta categoria, assim como a de “Melhor Parceiro Sustentável”, é disputada somente entre as empresas patrocinadoras que já têm o DNA da sustentabilidade. Ou seja, seria injusto elas concorrerem de igual para igual com outras instituições menores, ONGs e iniciativas individuais. Daí a exigência de dois critérios extras que elas têm de cumprir: o primeiro deles é a criatividade. Comprovar alguma inovação, seja tecnológica, de produto ou gestão socioambiental. O segundo critério é o amor à natureza que Hugo Werneck tanto incentivava: atestar alguma ação sustentável que faz espontaneamente, além do cumprimento do que já manda a legislação ambiental brasileira.

Parceira do Prêmio Hugo Werneck desde seu lançamento, a Usiminas é tricampeã na história da premiação: a primeira, em 2010, na categoria “Melhor Exemplo em Educação Ambiental”, pelo Projeto Xerimbabo. A segunda vez foi na edição de 2017, quando o projeto “Caminhos do Vale" venceu na mesma categoria que concorreu este ano: “Melhor Projeto de Parceiro Sustentável”.

Tudo começou em 2015. Foi quando a empresa conseguiu dar um destino sustentável para seu passivo ambiental de 2,5 milhões de toneladas de escória de aciaria, que foram transformadas em agregado siderúrgico. Esse material foi oferecido a 57 prefeituras municipais mapeadas à sua volta, para ser usado na pavimentação de estradas rurais, pontes e encostas. Em contrapartida, para receberem o agregado, as prefeituras tinham de comprovar primeiro se estavam cercando e recuperando suas nascentes d’água.

HONRA À CAUSA

A parceria deu certo e avançou. De cinco municípios inicialmente contemplados, o projeto teve adesão de outros 31. Foram mapeadas e recuperadas 1.445 nascentes. Mais de 570 mil árvores foram plantadas. Quase 142 mil mourões e 425 mil metros de arame foram doados e usados para cercar as nascentes. Um milhão de habitantes beneficiados e 1,5 milhão de toneladas de agregado siderúrgico foram aplicados na melhoria de acessos rurais e às minas.

Isso comprova que, atuando de mãos dadas, as iniciativas privada e pública podem sim, de maneira ecológica, garantir um futuro sustentável para todos.

“É uma honra receber esse prêmio. A Usiminas tem buscado estabelecer parcerias colaborativas de forma permanente, incentivando e buscando a mobilização social e a coparticipação de representantes de diferentes segmentos em seus projetos”, ressaltou o gerente-geral de Engenharia e Processos Industriais da Usiminas, Gileno Oliveira, representando o presidente Sérgio Leite.

Ele reafirmou o compromisso da empresa com a sustentabilidade e o respeito ao meio ambiente. “O prêmio nos motiva a construir um mundo cada vez melhor. Agradecemos ao jornalista Hiram Firmino e à Revista Ecológico pela iniciativa.”

10. Melhor Parceiro Sustentável

ARCELORMITTAL – 27o Prêmio ArcelorMittal de Meio Ambiente

A empresa vencedora desta categoria, também restrita aos patrocinadores da premiação, é do segmento de siderurgia. E, coisa rara na história verde do país, mantém um prêmio interno na área de educação ambiental há exatos 27 anos.

Trata-se do “Prêmio ArcelorMittal de Meio Ambiente, gerido pela sua fundação homônima, cuja missão faz par com a missão da Revista Ecológico, que é democratizar a informação ambiental para a ampliação da consciência ecológica e mudança de comportamento das pessoas e organizações, em prol de um mundo melhor.

A iniciativa está presente em cinco estados brasileiros, beneficiando 34 municípios, onde atua sob a égide da sustentabilidade e da responsabilidade social. Tem a adesão de 382 escolas públicas e particulares. Envolve 1.892 professores e atinge positivamente mais de 86 mil alunos (incluindo os filhos de seus funcionários), que recebem material educativo para trabalharem em sala de aula.

Criado com o objetivo de estimular a preservação do meio ambiente, o prêmio passou por uma mudança em 2016: passou a apostar no conhecimento científico como instrumento de promoção da educação ambiental. Ao longo do ano letivo, os alunos participam de atividades a partir de um tema definido para a edição anual e incorporam à reflexão aspectos relacionados à cidadania e à ética. Os participantes são divididos nas categorias “Cientista Mirim”, que envolve turmas do 1º ao 5º ano, e “Cientista Jovem”, do 6º ao 9º ano.

A novidade de 2018 é que, em parceria com as secretarias municipais de Educação e de Meio Ambiente locais, a ArcelorMittal escolheu como tema de seu prêmio “Meio Ambiente e Ciência: Reduzir, Reutilizar e Reciclar – os 3 Rs do meu dia a dia”. E, assim, capacitou professores e alunos a se preocupar resolutivamente com a destinação do lixo e a importância da bem-vinda economia circular.

A empresa vencedora desta categoria, também restrita aos patrocinadores da premiação, é do segmento de siderurgia. E, coisa rara na história verde do país, mantém um prêmio interno na área de educação ambiental há exatos 27 anos.

Trata-se do “Prêmio ArcelorMittal de Meio Ambiente, gerido pela sua fundação homônima, cuja missão faz par com a missão da Revista Ecológico, que é democratizar a informação ambiental para a ampliação da consciência ecológica e mudança de comportamento das pessoas e organizações, em prol de um mundo melhor.

A iniciativa está presente em cinco estados brasileiros, beneficiando 34 municípios, onde atua sob a égide da sustentabilidade e da responsabilidade social. Tem a adesão de 382 escolas públicas e particulares. Envolve 1.892 professores e atinge positivamente mais de 86 mil alunos (incluindo os filhos de seus funcionários), que recebem material educativo para trabalharem em sala de aula.

Criado com o objetivo de estimular a preservação do meio ambiente, o prêmio passou por uma mudança em 2016: passou a apostar no conhecimento científico como instrumento de promoção da educação ambiental. Ao longo do ano letivo, os alunos participam de atividades a partir de um tema definido para a edição anual e incorporam à reflexão aspectos relacionados à cidadania e à ética. Os participantes são divididos nas categorias “Cientista Mirim”, que envolve turmas do 1º ao 5º ano, e “Cientista Jovem”, do 6º ao 9º ano.

A novidade de 2018 é que, em parceria com as secretarias municipais de Educação e de Meio Ambiente locais, a ArcelorMittal escolheu como tema de seu prêmio “Meio Ambiente e Ciência: Reduzir, Reutilizar e Reciclar – os 3 Rs do meu dia a dia”. E, assim, capacitou professores e alunos a se preocupar resolutivamente com a destinação do lixo e a importância da bem-vinda economia circular.

11. Homenagem Especial

JOSÉ CLÁUDIO JUNQUEIRA, ambientalista e professor

Natural de BH, títulos não faltam a José Cláudio Junqueira. Engenheiro civil e especialista em Engenharia Sanitária pela UFMG, ele é mestre em Engenharia Sanitária e Urbanismo pela Escola Nacional de Saúde Pública da França e doutor em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos também pela UFMG.

Foi superintendente de Ecologia e Engenharia Ambiental do saudoso Cetec, onde a luta ambiental primeiro se entrincheirou e buscou munição técnica para combater os poluidores de plantão. Foi mais. Superintendente do Copam, diretor e presidente da Feam, secretário municipal de Meio Ambiente de BH. E representante de Minas Gerais no Conselho Nacional de Meio Ambiente, o Conama, que se inspirou 100% no nosso Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam).

Atualmente, ele é professor das disciplinas de Avaliação de Impacto e Licenciamento Ambiental e de Gestão e Gerenciamento de Resíduos Sólidos no mestrado de Direito e Desenvolvimento Sustentável da Escola Superior Dom Helder Câmara.

Sua característica, porém, vai além dos livros. Vem da sua voz grave. Grave de coragem e franqueza absolutas. A ponto de já ser chamado carinhosamente pelos seus pares de “Zé Trovão”. Uma voz que, há 40 anos, nas reuniões clássicas do Copam, numa época em que defender o meio ambiente era coisa de subversivo, já fazia calar os inimigos ocultos da natureza e do desenvolvimento sustentável.

Ao receber o troféu, nosso homenageado dedicou o prêmio à primeira neta, Maria, que está prestes a nascer. “Espero que ela possa ter um ambiente sustentável na atual e nas futuras gerações.”

12. Personalidade do Ano

GERMANO VIEIRA, secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável

Advogado, mestre em Direito Público, especialista em Educação Ambiental e autor de diversos artigos e livros sobre a temática da sustentabilidade, o atual secretário da pasta ambiental de Minas não chegou e se instalou como um estranho no ninho.

Muito menos, como também acontece com a maioria dos administradores públicos, chegou pensando que a história começa e termina com ele. Pelo contrário. Ele já ocupava o posto de secretário-adjunto de Meio Ambiente desde maio de 2016.

Natural de Lavras, ele chegou no estilo daquela canção do Chico Buarque. Chegou tão diferente do jeito de quase todos que chegam ao poder. Chegou como o segundo servidor de carreira do Sisema a assumir a Semad.

Com seu jeito simples, transparente e cativante, Germano é quase uma unanimidade. É aceito e admirado tanto pelo setor produtivo quanto pelos ambientalistas, incluindo, principalmente, os próprios servidores do Sisema, a quem dedicou o troféu do “Prêmio Hugo Werneck”:

“Queria apenas ser um bom servidor. Hoje eu represento mais de dois mil servidores do Sisema, e que estão, como dizem os jovens, numa vibe tão positiva, querendo fazer diferente, acreditando realmente na meritocracia, na eficiência do serviço público, no modo de trazer sustentabilidade aos setores da indústria, da agricultura, infraestrutura, energético, da mineração.

O Sisema passou por momentos muito difíceis, mas hoje conseguimos colocar essa locomotiva de volta aos trilhos. E isso é motivo de muito orgulho para qualquer um dos seus servidores. Se vocês perguntarem se gostam do trabalho que fazem, eles vão responder que gostam muito, porque se sentem hoje valorizados tanto pelo setor produtivo quanto pelos órgãos de controle de forma parceira.

A minha fala sempre foi mais mansa, mas muito convergente. Nós tínhamos um setor ambiental – quando comecei como subsecretário e depois como secretário-ajunto da Semad – em que todos desconfiavam de todos. A indústria desconfiava do ambiental, que desconfiava do setor público, que desconfiava do Ministério Público, que desconfiava da indústria. Enfim, ninguém era convergente.

Muitas dessas inovações foram feitas por meio de parcerias com o setor produtivo e os órgãos de controle. E detalhe: fomentar o desenvolvimento não é fomentar a poluição. É transformar a indústria, a agricultura e a produção em setores sustentáveis para a geração de empregos, de renda e de qualidade de vida para população. Tudo isso em compromisso de partilha e de mãos dadas com a conservação do meio ambiente.

É isso que fazemos aqui, uma lição para o país: mesmo com tantos licenciamentos, que trazem não autorizações de poluição, mas garantias de controle, de monitoramento e acompanhamento técnico dos processos, conseguimos ser o estado com o maior índice de redução na taxa de desmatamento da Mata Atlântica, em 32 anos. Já alcançamos 56% de redução do desmatamento desse bioma vital para nossa sobrevivência e qualidade de vida.

Se Deus quiser, os servidores do Sisema continuarão imbuídos dessa vibe positiva para conduzir todos os nossos setores, convergentemente, para o que é melhor para o estado e a sua população. De coração.”

13. Homenagem do Ano

MAURICIO DE SOUSA, desenhista, cartunista e criador da Turma da Mônica

O grande homenageado desta edição do Prêmio Hugo Werneck é querido por todos, crianças, jovens e adultos. Ele nasceu em 1935, na cidade de Santa Isabel, em São Paulo. Mas foi depois que passou a morar em Mogi das Cruzes que ele teve seu primeiro contato com a natureza, ainda na infância. Adorava tomar banho de rio, desenhar e rabiscar cadernos escolares. Mais tarde, seus traços passaram a ilustrar cartazes e pôsteres para comerciantes da região. Sua carreira como cartunista foi iniciada quando tinha 19 anos, logo após ter se mudado para a capital paulista.

Abordar a sustentabilidade nas revistas, vídeos e livros que edita para crianças e jovens foi um caminho natural para ele, desde 16 anos antes da realização da Eco-92 no brasil, com a Turma da Mônica já abordando a questão ambiental.

Os personagens dessa turminha, em especial o Chico Bento, símbolo desta edição do prêmio, logo ganharam os corações dos brasileiros e também de outros países: até hoje, mais de um bilhão de exemplares foram vendidos. Chico é fruto das observações de seu criador sobre o homem do campo. Seu nome foi emprestado de um tio-avô do desenhista, que ele não chegou a conhecer. Foi criado para incentivar os leitores a preservar nossos recursos naturais, com um olhar mais voltado à terra, num reflexo da sensibilidade para a causa ambiental que nosso homenageado do ano demonstra desde criança. Em sua atual versão, o personagem cresceu e estuda agronomia para voltar ao campo e ajudar seus pais a resolver os problemas socioambientais da zona rural.

Representando o nosso homenageado, sua filha Magali de Sousa recebeu o troféu. Simpática e comunicativa, ela ressaltou que há mais de 60 anos o pai passa essa mensagem de preocupação com o meio ambiente. “Tudo o que cria nas histórias não é questão de moda: está dentro dele. Meu pai é um cara que veio pronto, com toda essa bagagem e sabedoria. Vocês não têm ideia do amor que os fãs sentem por ele, isso fica claro quando converso com as pessoas. Esse prêmio é um reconhecimento ao trabalho dele e é isso que o move. Acho que ele é a pessoa mais feliz do mundo, de tanto amor e carinho que recebe. Ele é muito feliz no que faz. Obrigada!”

“Eu sigo os pensamentos do Dr. Hugo Werneck”

Mauricio não pôde participar da cerimônia da maior premiação ambiental do Brasil. Estava do outro lado do mundo, lançando a Turma da Mônica no Japão. Mas mandou seu recado em vídeo:

“Eu e meu amiguinho Chico Bento estamos muito honrados com essa homenagem no Prêmio Hugo Werneck. O Chico não cabe em si de contente. Desde que ele foi criado, lá pelos anos 1960, só nos tem trazido mensagens de carinho e respeito à natureza. Por isso, ele foi nomeado Embaixador das Nascentes do Pantanal em parceria com o WWF Brasil.

Eu sigo os pensamentos do Dr. Hugo Werneck, que dá o nome a esse prêmio. Também acredito que, como ele, só o amor, a informação e a educação ambiental podem mudar a atitude de um ser humano em relação ao meio ambiente e à natureza.”

Magali de Sousa recebeu o troféu. Simpática e comunicativa, ela ressaltou que há mais de 60 anos o pai passa essa mensagem de preocupação com o meio ambiente. “Tudo o que cria nas histórias não é questão de moda: está dentro dele. Meu pai é um cara que veio pronto, com toda essa bagagem e sabedoria. Vocês não têm ideia do amor que os fãs sentem por ele, isso fica claro quando converso com as pessoas. Esse prêmio é um reconhecimento ao trabalho dele e é isso que o move. Acho que ele é a pessoa mais feliz do mundo, de tanto amor e carinho que recebe. Ele é muito feliz no que faz. Obrigada!”

Quantas pessoas precisam morrer? O dia em que Chico Bento e Bento Rodrigues ouviram o clamor de Chico Mendes

Logo após ser premiado, o personagem rural de Mauricio de Sousa foi convidado para, junto dos alunos e das duas professoras da Escola Municipal de Bento Rodrigues, se sentar no palco e assistir um dos clipes de Paul McCartney, gravado há 30 anos, quando o líder seringueiro foi assassinado por proteger a floresta.

Quem primeiro aparece na tela é o ex-beatle, explicando para a plateia porque compôs “How Many People” (“Quantas pessoas mais?”) em homenagem ao ambientalista brasileiro:

- Fiquei impressionado com a luta de Chico Mendes pela Floresta Amazônica. Ele foi assassinado pela máfia local. Isso não pode acontecer mais. Se ao menos fôssemos muitos, não teria acontecido. Mas, infelizmente, só algumas poucas pessoas estão dispostas a salvar o planeta. A maioria não quer tocar no assunto, acham chato. Mas, como não falarmos sobre a perda de alguém como ele?

E concluiu:

- Chico Mendes trabalhava sozinho, era casado. Seria tão mais fácil pra ele tocar a vida e dizer: ‘Ah! Vendam isso, vendam a floresta’. Voltar para a casa, ficar bêbado. Mas, em vez disso, ele ficou e lutou. Essa foi a maior razão de lhe dedicarmos esta canção.

E ela aconteceu, com imagens fortíssimas da devastação que continua, com os índios se degradando tal como as árvores tombadas, chorando copiosamente a morte de seu companheiro de luta.

Acompanhe a letra:

QUANTAS PESSOAS MAIS?

“Quantas pessoas nunca tiveram

a chance de brilhar?

Se você pode me dizer

Ficarei contente em ouvir.

Quantas pessoas já morreram?

Um é muito agora para mim

Quero ser feliz, quero ser livre,

Quero ver as pessoas comuns

vivendo pacificamente.

Quantas pessoas

Podem ir dar um passeio?

Quantas pessoas não

conseguem ir para o outro lado?

Se você pode me dizer

Ficarei contente em escutar,

Quantas pessoas te fizeram chorar?

Quantas pessoas

por amor de Deus?

Quantas pessoas?

Quantas mais?”