Integridade ecológica nas lagoas do Velho Chico

Projeto financiado pela Cemig e coordenado pelo Senai/Fiemg vai analisar qualidade das águas, da fauna e da flora em áreas do Rio São Francisco que servem de berço para peixes migradores

Cristiana Andrade - redacao@revistaecologico.com.br
Empresa & Ambiente
Edição 114 - Publicado em: 19/12/2018

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) investe em um novo projeto de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) socioambiental, desta vez na Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco. Em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da PUC Minas, Axxiom e Detalhes Educação, o projeto “Índice de Integridade Ecológica de lagoas marginais para conservação da biodiversidade do Rio São Francisco” se destina a avaliar as condições ecológicas desses ecossistemas em articulação com a gestão operacional do reservatório da Usina Hidrelétrica (UHE) de Três Marias e integração com as comunidades locais, com vistas à conservação da biodiversidade do rio.

De acordo com a coordenadora do projeto, Mariana D’Ávila Freitas, do Sistema Senai/Fiemg, a avaliação compreende o trecho entre a UHE Três Marias e o município de Manga, no Norte de Minas. “Serão estudadas de seis a 10 lagoas marginais do São Francisco e seus principais afluentes nesse trecho. Primeiramente, é necessário conhecer essa biodiversidade e seus principais grupos biológicos – fitoplâncton, zooplâncton, zoobenton, peixes e flora –, bem como os dados físico-químicos, além de uma avaliação ecohidromorfológica das lagoas marginais”, diz.

No segundo momento, explica Mariana D’Ávila, a qualidade ecológica será avaliada com o desenvolvimento de um índice de integridade, que permitirá quantificar se o hábitat está conservado ou não.

“Somente a partir desse resultado poderemos direcionar as ações de conservação. Além disso, haverá um trabalho de educação ambiental junto à população para preservar e monitorar as lagoas e o rio, contemplando a participação da comunidade no estudo”, acrescenta.

Na visão da coordenadora do Núcleo de Qualidade de Água da Cemig, Marcela David, o projeto do Rio São Francisco vem se somar a outros desenvolvidos na área ambiental, com financiamento e gerenciamento da Cemig. Entre tais iniciativas, ela cita o projeto “Utilização do Índice de Integridade Ecológica para Classificar a Qualidade de Ambientes Aquáticos de Minas Gerais”, que analisou, de forma piloto, três reservatórios da Cemig – Peti, Cajuru e Rio de Pedras – e suas respectivas bacias de contribuição. O Índice de Integridade Ecológica levou em consideração seis itens: qualidade do hábitat, estado trófico (mede o nível de nutrientes no manancial), qualidade da água, integração da biocenose (conjunto de populações que coexistem em determinada região), toxicidade da água e toxicidade de sedimentos.

“Esse projeto do São Francisco é de extrema importância para Minas Gerais, pois trará as informações hidrológicas necessárias para construção de um modelo operativo para a UHE Três Marias, de forma a encher essas lagoas marginais, possibilitando a reprodução dos peixes nela. Tudo isso monitorado pelo projeto de PD&I, que norteia grande parte dessas iniciativas que apoiamos”, comenta.

O novo projeto é resultado de um acordo de cooperação técnica entre a Cemig, a Agência Peixe Vivo e o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, que, além de gerenciarem a cobrança pelo uso da água no Velho Chico, definem todas as ações de recuperação ambiental ao longo da Bacia. “Esse é um trabalho conjunto com foco no manejo ambiental para preservação dos peixes”, acrescenta Marcela David.

Foto: Evandro Rodney / Imprensa.MG
Foto: Evandro Rodney / Imprensa.MG

De Três Marias a Manga

Na porção da Bacia do Rio São Francisco a jusante da barragem de Três Marias, há importantes áreas de desova e desenvolvimento inicial de espécies de peixes migradoras. Nesse trecho também é expressivo o número de lagoas marginais. Em períodos de cheias, acredita-se que essas lagoas funcionem como centros de recrutamento de espécies de peixes, incluindo aquelas consideradas grandes migradoras.

Entretanto, em períodos de cheias modestas, o papel dessas lagoas pode ser comprometido, refletindo-se em baixas densidades de ovos e larvas, uma vez que o regime do fluxo é um dos principais fatores que afeta diretamente a desova e o recrutamento.

Por essa razão, o mapeamento da ictiofauna, a medição da qualidade das águas e a análise socioambiental na região se fazem tão necessárias. A área de alcance do projeto se estende pelos municípios de Três Marias, São Francisco, Bonito de Minas, Buritizeiro, Campo Azul, Chapada Gaúcha, Ibiaí, Jaíba, Januária, Juvenília, Lassance, Matias Cardoso, Montalvânia, Pedras de Maria da Cruz, Ponto Chique, Santa Fé de Minas, São Gonçalo do Abaeté, São Romão, Ubaí, Urucuia e Várzea da Palma.

Ação em módulos

O projeto “Índice de Integridade Ecológica de lagoas marginais para conservação da biodiversidade do Rio São Francisco” está estruturado em três módulos: sistema de informação, avaliação da qualidade ecológica e construção da gestão cidadã desses ecossistemas.

Cada parceiro do projeto atuará numa frente, sendo que o Senai/Fiemg fará a coordenação geral, tendo participação em todos os módulos. À PUC Minas caberão os estudos ictiofaunísticos (peixes), avaliando a qualidade ecológica das lagoas marginais. A UFMG fará análises e estudos de contaminantes emergentes. Já a Axxiom cuidará do sistema de informação dos dados coletados, e a empresa Detalhes Educação responderá pela mobilização de educação ambiental e social com as comunidades. Está prevista ainda a participação do Grupo Morrinhos, que atua na região de Manga.

Com duração de quatro anos, o projeto, inicialmente, partirá de uma pesquisa bibliográfica e aquisição de base cartográfica da área de estudo. Serão produzidos mapas temáticos para a região.

“Com a criação da base cartográfica e imagens de satélite serão mapeados o uso e a ocupação do solo no trecho entre Três Marias e Manga. A partir daí, pesquisadores poderão fazer a tipificação dos ambientes aquáticos, estudo que consiste em agrupar os ambientes em tipos com características abióticas semelhantes, a fim de avaliar condições ecológicas”, explica Mariana D’Ávila.

Com base nesse mapeamento, nos dados bibliográficos e no reconhecimento de campo, serão, então, selecionadas as lagoas prioritárias para a avaliação da qualidade ecológica.

“Esse processo de analisar a qualidade ecológica das lagoas é bem completo. E a avaliação consiste na caracterização ecohidromorfológica e estudos limnológicos, com preenchimento de fichas de campo, medições in loco, coleta de água e de sedimentos, bem como posteriores análises laboratoriais das amostras.” As coletas de campo serão feitas em duas fases: tanto nas lagoas marginais quanto em pontos do São Francisco e de seus principais afluentes no trecho da área de estudo, que incluem os rios Urucuia, Abaeté, Paracatu, Pandeiros, das Velhas e Jequitaí”, acrescenta a coordenadora do projeto.

O Rio Jequitinhonha percorre uma das regiões que já foi considerada a mais pobre do Brasil: o Vale do Jequitinhonha. Ele nasce no município do Serro e, após 1.082 quilômetros, deságua no Oceano Atlântico, no município de Belmonte, Bahia. É na região do Alto Jequitinhonha que a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) tem um empreendimento hidrelétrico instalado na calha principal do rio: a Usina Hidrelétrica de Irapé (UHE).

E é exatamente lá que estão sendo desenvolvidos dois projetos ambientais de grande importância para a bacia hidrográfica: um de conservação e manejo da ictiofauna e outro de migração, sítios de desova e desenvolvimento inicial de duas espécies de peixes potencialmente migradoras do Jequitinhonha.

O projeto sobre a conservação do Jequitinhonha foi concebido com o intuito de conhecer a fauna de peixes da bacia, que até então recebia poucos investimentos e estudos. “Além disso, um dos principais ganhos com o projeto foi a avaliação na escala temporal sobre como a realidade do ambiente foi alterada em função da construção da barragem”, explica a bióloga Miriam Castro, analista ambiental da Cemig.

O projeto faz parte do monitoramento ambiental da usina, sendo o responsável pelas amostragens da fauna de peixes. De acordo com Miriam, o monitoramento ambiental não é especificamente uma ação mitigadora de impactos, ou seja, não é uma ação que diminua um impacto ou restabeleça uma condição ambiental. “Mas é essencial para conhecermos o ambiente e como ele se comporta. É como se fosse uma avaliação periódica da nossa saúde: precisamos fazer análises para verificar se a condição atual é saudável ou não”, acrescenta.

SURUBINS NA LUA NOVA

Até o início dos anos 2000, o conhecimento sobre os peixes do Jequitinhonha era incipiente. Atuando no monitoramento de peixes do rio desde 2004 como pesquisador do “Programa Peixe Vivo”, da Cemig, o biólogo Francisco de Andrade conta que o Jequi, antes da barragem, era, e ainda é, bastante encaixado e de difícil acesso em muitos trechos. Ao longo de seu curso, eram comuns as praias de areia clara e fina, que hoje não existem mais.

“A maior parte da informação sobre os peixes naquela época (década de 1990) foi obtida pelo saudoso biólogo e amigo Volney Vono. Ele nos contava histórias sobre o uso da gordura de peixes por ribeirinhos, pois não havia óleo de soja em algumas localidades. Também dizia da pesca do surubim-do-jequitinhonha (espécie ameaçada de extinção) durante a lua nova de outubro, quando os peixes aproveitam as primeiras chuvas e se reproduziam em áreas laterais encharcadas”, conta Andrade.

Os pescadores, sabendo desse comportamento e da facilidade, capturavam muitos surubins nesses eventos. “Em termos de pesca, as comunidades do Alto Jequitinhonha se baseavam principalmente na curimba e no roncador. Essa última é a espécie símbolo do Jequitinhonha. Os pescadores costumavam capturá-los com covos [armadilhas de pesca] também chamados jequis. Daí, o nome do rio.”

MITIGAÇÃO

A UHE Irapé, que entrou em operação em 2006, tem aquela que é considerada a mais alta barragem do Brasil e a segunda maior da América Latina, com 208 metros. Está localizada nos municípios de Grão Mogol e Berilo, no Norte de Minas.

Irapé está sob concessão da Cemig desde sua implantação e, com o objetivo de conhecer a fauna da região e mitigar possíveis impactos ocasionados pela atividade de geração de energia, a empresa fomenta projetos e atividades científicas na região de influência da UHE.

“Nosso princípio norteador foi o de buscar a construção de conhecimento para promover a conservação da fauna de peixes e subsidiando a tomada de decisões para os gestores da usina, Isso possibilitou uma melhor interação entre a atividade de geração hidrelétrica e a fauna de peixes”, comenta Miriam.

O projeto tem recursos diretos da companhia, no âmbito do “Projeto Peixe Vivo”. Desenvolvido em parceria com a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), Universidade Federal de Lavras (Ufla), Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e a Universidade Estadual de Londrina (UEL), ele foi iniciado em 2011 e, em sua primeira fase, se estendeu até 2015. A segunda fase, iniciada há três anos, seguirá até 2019. O investimento gira em torno de R$ 1,8 milhão.

Coleta e refinamento

Para fazer o monitoramento de peixes, segundo Francisco de Andrade, geralmente são usadas redes de pesca, tarrafas, arrastos, peneiras e pesca com vara – como se fosse uma pescaria mesmo. “Usamos redes com diferentes tamanhos de malha, que nos permitem capturar peixes de portes variados, dos pequenos aos maiores”, conta.

O trabalho de coleta é essencial, mas pode ser muito mais refinado, dependendo do interesse (espécies de importância comercial ou ameaçadas) e da disponibilidade de recursos (financeiros e humanos). Pode, ainda, ser estendido para analisar a dieta, a reprodução, a biologia molecular (estudos genéticos) e também análises ecológicas relacionados às mudanças nas comunidades de peixes decorrentes da construção da barragem ou invasões biológicas, por exemplo.

O biólogo ressalta que, nos últimos 14 anos, muitas mudanças foram detectadas na comunidade de peixes do Rio Jequitinhonha. E a principal delas foi o aparecimento da pirambeba, em 2009. “Esse peixe é nativo do Rio São Francisco e se deu muito bem no reservatório de Irapé. Não sabemos como ele foi parar no Jequitinhonha, mas sabemos que ele já estava lá antes que a UHE Irapé entrasse em operação.”

Como resultado do projeto de conservação, foi possível acompanhar o crescimento da população de espécies introduzidas. Pelo monitoramento, foram coletadas três espécies: piaba (Moenkhausia costae), piranha (Serrasalmus brandtii) e tamboatá (Hoplostetnum littorale). Além disso, uma das vertentes do projeto é tentar reproduzir o surubim-do-jequitinhonha, mas, de acordo com o biólogo, essa é uma espécie muito difícil de se capturar para a formação de um plantel reprodutivo em cativeiro.

“Observamos que duas espécies ameaçadas da bacia (surubim e a piabanha-do-jequitinhonha) usam o reservatório da UHE Irapé em alguns locais específicos durante o período reprodutivo. O interessante é que o pouco de informação disponível sobre essas espécies indica que elas precisam de trechos de corredeiras com fundo rochoso para se manter. Exatamente o oposto do que o reservatório oferece (águas calmas e fundo com lama)”, complementa Andrade.

Segundo ele, desde o início, o projeto buscou parcerias com universidades. “Como fruto desse trabalho, conseguimos contribuir com a descoberta e descrição de novas espécies de peixes. No momento, estamos trabalhando com o professor Daniel Carvalho, da PUC Minas, tentando levantar o histórico da introdução da pirambeba no Jequitinhonha. Por meio de ferramentas moleculares, verificamos que essa espécie só precisou de dois eventos introdutórios para se disseminar por quase toda a bacia. Isso comprova que pequenos atos podem gerar um impacto ambiental de grande escala.”

Transposição de peixes

É um termo usado quando a posição dos indivíduos é alterada. Segundo a analista ambiental da Cemig, Miriam de Castro, no caso da barragem de Irapé, o estudo tinha como objetivo verificar se haveria necessidade de construir um mecanismo que retirasse os peixes do rio, localizados abaixo da barragem, transferindo-os para o reservatório (acima da barragem), de forma a permitir a manutenção da migração reprodutiva rio acima.

“Muitos desses mecanismos construídos no Brasil não têm mostrado efeitos positivos para os peixes. Um dos principais motivos de insucesso é o fato de o reservatório ter características muito diferentes das do rio. Com isso, os peixes não conseguem completar o ciclo de vida”, explica.

Por mais que a instalação de um mecanismo como esse seja exigido por órgãos ambientais ou pela comunidade, é necessário se fazer uma pesquisa sobre a sua real necessidade e os tipos de resultados positivos que ele poderia trazer.

Migração e reprodução de espécies

O outro projeto, o de transposição de peixes na Bacia do Rio Jequitinhonha, foi executado com financiamento de recursos da ordem de R$ 2,3 milhões do programa de P&D da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Seu princípio norteador, conforme explica a bióloga e analista ambiental da Cemig, Miriam de Castro, foi avaliar a migração na área de influência de Irapé, buscando determinar se espécies da região estavam conseguindo se reproduzir nas áreas lindeiras ao reservatório. E também se existiria a necessidade de implantação de um mecanismo de transposição de peixes na barragem da usina.

Integrante do Núcleo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Cemig (PD&I), esse projeto foi realizado em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), Fundação Biodiversitas para a Conservação da Diversidade Biológica, Laboratório de Biologia e Cultivo de Peixes de Água Doce (Lapad), da Universidade Federal de Santa Catarina (Lapad/UFSC), Universidade Federal do Tocantins (UFT) e Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).

O projeto coletou ovos, larvas e alevinos para compreender quais eram os locais importantes para reprodução e crescimento das duas espécies alvo: piapara (Megaleporinus elongatus) e curimba (Prochilodus hartii), no trecho de rio influenciado pela UHE Irapé.

“O objetivo era produzir conhecimento acerca da ecologia dessas espécies e, assim, subsidiar ações de manejo e conservação para os peixes migradores da região, incluindo uma avaliação sobre a viabilidade de um sistema de transposição de peixes”, acrescenta a analista ambiental.

Em outubro de 2015, foram iniciadas as atividades de telemetria, que buscaram avaliar o comportamento migratório e as principais rotas usadas por essas espécies. “Embora não tenham sido feitos estudos sobre comportamento migratório anteriormente ao barramento do rio pela UHE Irapé, alguns impactos parecem claros. Foi verificado, por meio do estudo de telemetria, que piaparas e curimbas que estão no estágio reprodutivo evitam a região do barramento”, explica a bióloga e doutoranda em Ecologia, Conservação e Manejo da Vida Silvestre, Fernanda de Oliveira Silva, coordenadora do projeto pela Fundação Biodiversitas.

Para ela, a importância da pesquisa desenvolvida pela Cemig e seus parceiros foi justamente a de caracterizar o comportamento dos peixes no Jequitinhonha. “Embora outras espécies de curimbas e piaparas tenham comportamento migratório conhecido em outras bacias hidrográficas brasileiras, foi a primeira vez em que se caracterizou esse tipo de comportamento no rio. Também foi o primeiro estudo que buscou sítios de desova e crescimento dessas espécies”, esclarece.

Foto: Divulgação /  CEMIG
Foto: Divulgação / CEMIG

Medidas protetivas

Em termos de qualidade ambiental para o Jequi e a fauna local, Fernanda esclarece que espécies migradoras exigem grandes trechos de rio para completarem o ciclo de vida. Por isso, entender a importância e a localização dos ambientes essenciais a essas espécies é essencial para a adoção de medidas protetivas (conservação) e de recuperação (manejo).

“Todos os organismos exercem um papel importante para o funcionamento dos sistemas onde ocorrem. No caso da curimba, seu hábito alimentar é essencial para a ciclagem de nutrientes do rio. Preservar essa espécie significa também cuidar do equilíbrio ecológico do Jequitinhonha”, pondera Fernanda.

O Jequi sofre vários impactos ao longo do seu leito e o desenvolvimento de ações contribui não apenas para a regeneração ambiental, mas para a compreensão dos processos de degradação e recuperação da bacia.

“Os impactos sofridos pelo rio afetam consideravelmente as espécies de peixes. No entanto, muitas vezes não se conhece a dimensão desse impacto e a forma como ele ocorre. É o que os estudos fazem, ou seja, tentam compreender os processos envolvidos na degradação do ambiente e da fauna, de forma a propor soluções mais efetivas para sua recuperação ou conservação.”

Fique por dentro

De acordo com o biólogo Francisco Andrade, há pesca de porte muito pequeno na região do reservatório de Irapé, bem como a jusante da barragem. Alguns pescadores são inclusive profissionais.

Houve mudança nas quantidades e tipos de peixes ao longo do tempo. Hoje, os principais produtos da pesca são a curimba, a pirambeba, a traíra e o roncador. Segundo ele, os peixes do Jequitinhonha sempre foram aproveitados pelas comunidades que vivem do rio. “Há registros seculares feitos por naturalistas viajantes sobre a pesca de surubins, por exemplo. Atualmente, conheço pescadores que vão às feiras de municípios vizinhos para vender seus peixes. A aceitação é muito boa.”


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