A missão possível do amor em 2019



Hiram Firmino - hiram@souecologico.com
Carta do Editor
Edição 114 - Publicado em: 19/12/2018

Como cantava John Lennon, “Então é Natal... mais um ano acabou e um novo apenas começou”.

O que nós fizemos em 2018, em nome de um mundo melhor?

De nossa parte, um tiquinho de quase nada, como se diz na Roça Grande que trazemos dentro da gente. Mas, feito em nome do amor, é sempre de grande valia.

É o que você, caro leitor e internauta, vai conferir amorosamente nesta Edição Especial da Revista Ecológico, dedicada aos vencedores do “IX Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza”.

Graças aos nossos anunciantes, parceiros e apoiadores – e sob o título: “A Sustentabilidade na Floresta, no Campo e na Cidade” –, conseguimos promover um encontro improvável, mas que se tornou realidade.

O encontro de Chico Mendes, o líder seringueiro assassinado há 30 anos, com Chico Bento, o personagem ecológico de Mauricio de Sousa que, 16 anos antes da ECO/92, já se preocupava com a ecologia rural. E sonhava estudar agronomia para, quando crescesse, poder ajudar seus pais na roça, ensinando-os a plantar sem empobrecer o solo e contaminar a água. Sem destruir a natureza que nos protege.

Usando a tecnologia de um telão e outros recursos audiovisuais, tal como em um cinema, fizemos os dois Chicos emblemáticos na luta e na conscientização ambiental se encontrarem também com a professora Eliene Almeida, que ficou conhecida como a “heroína de Mariana”, por ter salvado os seus 53 alunos, de 8 a 13 anos, da Escola Municipal de Bento Rodrigues, da onda de rejeitos com 20 metros de altura que vazou da Barragem de Fundão e varreu para sempre a história do bucólico distrito.

Somente os representantes da Samarco presentes à premiação pareceram não entender o recado de amor – e não de desamor, crítica e condenação pública, que a mídia convencional já se encarrega normalmente de fazer, cumprindo o seu papel.

O encontro da professora, das crianças, de Chico Bento e de Chico Mendes no palco, aplaudido de pé por uma plateia qualificada e representativa de quase 300 empresários, autoridades, ambientalistas, sociedade civil organizada, leitores, assinantes e demais formadores de opinião, foi uma comoção. Foi puro amor à sustentabilidade e também à natureza que nos resta, na forma de palmas e lágrimas roladas no “escurinho do cinema”.

Fez parte, enfim, da missão editorial da Ecológico, que é a mesma descrita pelo escritor holandês Robert Happé, que você também vai conferir em “Memória Iluminada”, na página 94, que fecha nossa última edição do ano.

Trata-se de um humanista que saiu pelo mundo em busca de explicações sobre o real sentido da vida: por que as pessoas se matam, deixam morrer? Qual a causa, enfim, de tanto sofrimento no mundo, seja em Mariana, seja nas montanhas do Nepal?

O que Happé descobriu, mesmo diante do estado de mundo nada amoroso no qual vivemos?

Que não existe um só povo que não seja capaz de amar. E que a nossa missão aqui na Terra é nos tornamos livres, não só de qualquer tipo de lama, mas de tudo que nos vitima.

E como?

Não há outro jeito, a receita também vem do campo, do povo simples da roça, como nosso colunista Marcos Guião, que nos brinda em cada edição, na sua coluna “Natureza Medicinal”, a mais lida da Ecológico, e que agora também pode ser acessada na forma de um e-book.

É expressando amor, luz e amizade nas nossas relações. Sejam pessoais, sentimentais, técnicas, políticas ou profissionais. Nas palavras de Happé, todos “somos seres criadores”. E chegamos até aqui, mesmo Homo sapiens ainda terríveis e degradadores que somos, para “criarmos um mundo novo”.

É esta, unicamente esta, a missão maior do amor e da experiência humana neste planeta, sob o céu que nos encanta.

Boa leitura!

Até 21 de janeiro, primeira lua cheia de 2019.


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