Plantando a esperança



Hiram Firmino - redacao@souecologico.com.br
Carta do Editor
Edição 113 - Publicado em: 23/11/2018

Sabe aqueles velhos e bons filmes de faroeste, em que o mocinho apanha o tempo todo do bandido? E no final, quase sem esperança, quando ambos se engalfinham e caem num despenhadeiro, o mocinho acha um galho de árvore e se salva? Pois é esse enredo do “nem tudo está perdido, muito antes pelo contrário” que a Revista Ecológico comemora com você, nesta Edição Especial, os seus 10 anos de circulação ininterrupta.

Não fossem vocês – caros leitores, anunciantes e parceiros de causa –, o nosso mundo vasto mundo drummondiano, estaria bem pior. Não teríamos um belo horizonte, nem minas sustentáveis, apesar de Mariana. Muito menos um país e um planeta ainda com 46% de sua natureza original preservada, tal como o ambientalista e fotógrafo Sebastião Salgado nos mostrou ano passado, durante o “VIII Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza”.

É o que vocês vão conferir nesta edição, que estreia uma nova colunista: Andressa Lanchotti, promotora de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

Na capa, um louva-a-Deus suplicando ao futuro presidente Jair Bolsonaro a manutenção dos ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura independentes e autonômos. Idem, em nome do Deus criador de todas as coisas, para que o novo governador Romeu Zema siga esse mesmo caminho aqui em Minas Gerais, com humildade e sabedoria para ouvir a voz da natureza e do desenvolvimento unicamente sustentável.

“Nas Páginas Verdes”, rememoramos o recado de Mauricio de Sousa e Chico Bento ecológico: “Ouçam as crianças... antes que tenhamos um caminho sem volta”. E revisitamos ainda a mensagem de Chico Mendes, assassinado há 30 anos pela ignorância que ainda temos, principalmente os nossos políticos, da questão ambiental que o líder seringueiro compreendeu em toda a sua grandeza.

Foi como ele disse e nos ensinou, à véspera de seu martírio: “No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras. Depois, que estava lutando para salvar a Floresta Amazônica. Agora, percebi que estou lutando pela humanidade”.

É amparada nesse olhar maior que a Ecológico tece a sua existência. Tenta cumprir, mesmo na contramão, a sua missão editorial. E aposta confiante num futuro comum em que, seja pelo amor ou pela dor (parece ser o nosso carma neste planeta), tornaremos o mundo sustentável.

A esperança, repetimos, é e será sempre a nossa matéria-prima. Se até o atual ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, o “rei da soja”, já considerado pelo Greenpeace o inimigo público da nossa natureza pátria, também está aconselhando o presidente Jair Bolsonaro a não unir os ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura... E Jared Polis, recém-eleito governador democrata do Colorado (EUA), não à-toa inimigo político de Donald Trump, promete fazer toda a população daquele estado norte-americano consumir somente energia proveniente de fontes limpas, em respeito ao Acordo de Paris, por que seremos pessimistas?

Nem tudo está perdido mesmo. Essa nossa briga de mocinho e bandidos ambientais, que somos todos nós, já tem o seu “The End” ecologicamente escrito. A democratização da informação ambiental, o desenvolvimento sustentável e o amor à natureza que Hugo Werneck pregava poderão nos salvar sim, como no clássico bang-bang “Os Brutos também Amam”. Podem sim nos tornar pessoas melhores e cidadãos do mundo, atuando localmente.

A Ecológico compartilha esta esperança com vocês.

Obrigado por estarmos juntos no mesmo barco, como Bolsonaro já declarou e também esperamos de Romeu Zema.

Que venham outros 10 anos!

Até a próxima Lua Cheia.