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Às vésperas da nona edição do “Prêmio Hugo Werneck”, a Ecológico revisita um pouco da história da maior premiação ambiental do Brasil

Prêmio Hugo Werneck
Edição 112 - Publicado em: 09/10/2018

Quando novembro chegar, o Brasil conhecerá os vencedores da nona edição do “Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza”. Desde que foi lançada pela Revista Ecológico em 2010, a premiação já recebeu quase mil inscrições e indicações de iniciativas socioambientais das cinco regiões brasileiras. Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Paraná, Santa Catarina e Ceará estão entre os estados que tiveram mais projetos reconhecidos nesses oito anos de história.

A ideia de criar um evento que homenageasse o ambientalista mineiro Hugo Werneck (1919-2008) e se tornasse uma referência na promoção de exemplos sustentáveis surgiu em 2009, durante um encontro entre o jornalista Hiram Firmino e o então presidente do Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (Sindiextra), José Fernando Coura. A história provaria que nada acontece por acaso. Além da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), a ideia foi abraçada por parceiros, empresas, instituições e cidadãos e possibilitou que 132 projetos fossem agraciados. E, principalmente, tivessem seu exemplo mostrado e replicado para o mundo.

Convidamos você, caro leitor, para fazer uma viagem à memória da maior premiação ambiental do Brasil. Confira:

Dr. Hugo Werneck

Um dos precursores da consciência ecológica na América Latina – foi o fundador do Centro para a Conservação da Natureza e defensor da criação de importantes áreas verdes de Minas Gerais, como os parques Nacional da Serra do Cipó e Estadual do Rio Doce –, Dr. Hugo acreditava que só o amor, a democratização da informação e a educação ambiental podem mudar a atitude do ser humano em relação ao meio ambiente e à natureza que nos resta.

O troféu

Criada pela artista plástica baiana Suzana Gouveia, a estatueta do “Prêmio Hugo Werneck” é produzida com alumínio fundido e traz no topo de sua estrutura uma borboleta, símbolo da transformação e uma das paixões do dr. Hugo Werneck.

O Prêmio em números

1.000.000 é o número de cidadãos beneficiados pelas iniciativas premiadas

4.380 público presente nas oito

cerimônias realizadas

954 inscrições e indicações das cinco

regiões brasileiras

267 empresas patrocinadoras, apoiadoras e parceiras

132 troféus concedidos

50 projetos socioambientais reconhecidos

22 ONGs e associações ambientais premiadas

52 personalidades já homenageadas. Entre elas:

Os símbolos temáticos

2010: As vertentes ecológicas

Na primeira edição, em 2010, foram apresentadas as vertentes de ensinamento do grande ambientalista brasileiro que fundamentaram a premiação. Elas sintetizam, com clareza, o que Hugo Werneck pregou em vida: um desenvolvimento verdadeiramente sustentável e amoroso.

2011: As borboletas

Uma das grandes paixões de Dr. Hugo, as borboletas foram o tema da edição 2011 do maior prêmio da ecologia brasileira. Depois de perpetuar a máxima de que as borboletas são “cores que voam”, ele nos mostrou que a nossa transformação interior é o caminho primeiro para protegermos a natureza.

2012: O canário-da-terra

Por sua beleza e capacidade de sobreviver em ambientes extremos, o Sicalis flaveola brasiliensis simboliza a luta pela economia verde e a erradicação da pobreza abraçada pelos governos, empresas e ONGs socioambientais na RIO+20. Tema do “III Prêmio Hugo Werneck”, o nome desse pássaro também representa a sobrevivência de todas as espécies aladas do planeta.

2013: A gravata

O tema-símbolo da premiação foi a gravata-borboleta. O objetivo era passar a ideia de que a sustentabilidade, a questão ambiental e o amor à natureza defendidos por Hugo Werneck devem ser tratados com respeito, elegância e prioridade nas agendas governamental e empresarial.

2014: O buriti

A preservação do Cerrado brasileiro foi o tema desse ano. Para representar o bioma, presente em 14 estados brasileiros, o buriti foi escolhido como símbolo maior da premiação, que também homenageou desde o pioneirismo de Paulo Nogueira Neto, primeiro ministro de Meio Ambiente, até as veredas de Guimarães Rosa.

2015: As águas

Na versão contrária da crise hídrica, a temática da sexta edição foi “Pelas Águas do Planeta – da Caixa D’Água do Brasil à Terra das Cataratas”. O prêmio teve dois grandes homenageados: Carlos Drummond de Andrade, por meio de sua obra poética, e o Papa Francisco, que lançou sua encíclica ecológica naquele ano. Itaipu Binacional também foi reconhecida por meio do projeto “Cultivando Água Boa”, na categoria “Homenagem Especial”. A iniciativa também foi agraciada com o “Prêmio Global ONU”, como “Melhor Exemplo em Água”.

2016: As mudanças climáticas

A sétima edição homenageou projetos, organizações e indivíduos que contribuíram para reduzir os efeitos do aquecimento global, bem como o enfrentamento das mudanças climáticas. O homenageado do ano foi o médium e filantropo brasileiro Chico Xavier.

2017: A paz

Sob o tema “A Terra pede paz”, a oitava edição do prêmio reconheceu indivíduos,

projetos e instituições que desenvolvem iniciativas sustentáveis que estimulem

a harmonia entre os seres humanos e o planeta, de forma a mantê-lo preservado, sustentável e mais justo.

Edição 2018

“A Sustentabilidade na Floresta, no Campo e na Cidade: de Chico Mendes a Chico Bento”

A ideia de reunir em um mesmo tema a floresta, o campo e a cidade é uma oportunidade de identificar, incentivar e reconhecer ações e iniciativas ecologicamente responsáveis que preservem a natureza e possam ser replicadas nos três ambientes.

Por que Chico Mendes?

Em 2018 completam-se 30 anos da morte, por assassinato, do ambientalista e líder amazônico. Natural de Xapuri, no Acre, Francisco Alves Mendes Filho passou a infância e a juventude ao lado do pai, lutando a favor dos seringueiros da Amazônia, cuja subsistência dependia da preservação da floresta. Como a atividade extrativa na Amazônia era pautada por relações de exploração insustentável, causando grande miséria na região, o sonho de Chico Mendes consistia em mudar essa realidade. Buscar mais direitos para os trabalhadores e preservar, de maneira sustentável, a Floresta Amazônica. Seu trabalho ambiental e político em prol da natureza foi reconhecido pela ONU, em 1988, quando recebeu o “Prêmio Global 500”.

Por que Chico Bento?

Mais ecológico personagem de Mauricio de Sousa, que nasceu em Santa Isabel e cresceu na região rural de Mogi das Cruzes (SP), Chico Bento é fruto das observações de seu criador sobre o homem do campo. Seu nome foi emprestado de um tio-avô do desenhista, que ele não chegou a conhecer. Chico Bento foi criado para incentivar os leitores a preservarem os nossos recursos naturais, com um olhar mais voltado à terra, num reflexo da sensibilidade para a causa ambiental que Mauricio de Sousa demonstra desde criança. Em sua atual versão, o personagem cresceu e estuda Agronomia para voltar ao campo e ajudar seus pais a resolverem os problemas socioambientais da zona rural – uma tendencia que hoje, felizmente, já começa a se tornar realidade em todo o país.

O homenageado

O desenhista, cartunista e criador da Turma da Mônica, Mauricio de Sousa, nasceu em 27 de outubro de 1935. Foi durante a infância em Mogi das Cruzes que Mauricio teve seu primeiro contato com a natureza. Adorava tomar banho de rio, desenhar e rabiscar cadernos escolares. Mais tarde, seus traços passaram a ilustrar cartazes e pôsteres para comerciantes da região. Aos 19 anos, mudou-se para a capital paulista e iniciou sua carreira como cartunista consagrado.

Abordar a sustentabilidade nas revistas, vídeos e livros que edita para crianças e jovens foi um caminho natural para ele, desde 16 anos antes da realização da ECO-92 no Brasil, com a Turma da Mônica já abordando a questão ambiental. A vocação para ensinar, orientar e informar, sempre de forma leve, ecológica e bem-humorada, colocou-o entre os mais admirados escritores e desenhistas do país e do mundo.

Discursos marcantes

“Acredito que nós podemos tentar ser parte da solução. Convido a todos que participam do Prêmio Hugo Werneck para que olhemos e cuidemos uns dos outros e do nosso mundo, que afinal é o único que temos.”

Cleo Pires, atriz

“Quando um Prêmio Hugo Werneck acontece, a repercussão é incomensurável. Faz reiterar algo muito importante para nós: que ser sustentável é podermos tornar possível a continuidade do nosso viver e sobreviver nesse planeta.”

Tony Ramos, ator

“O prêmio nasceu e se consolida como um exemplo de Minas para o Brasil e o mundo. Ele consegue representar e abordar todas as agendas da sustentabilidade. Acolhe e dignifica pessoas, projetos e empresas da Amazônia aos Pampas. E se posiciona e luta com amorosidade pela preservação dos nossos rios e florestas.”

Izabella Teixeira, ex-ministra de Meio Ambiente

“Sermos reconhecidos em uma premiação de tamanha importância em Minas e no Brasil muito nos orgulha. Ainda mais como o aval da sociedade e das comunidades onde atuamos. Isso reforça nosso esmero em fazer o melhor pela sustentabilidade do planeta.”

Manoel Vitor de Mendonça Filho, vice-presidente executivo da Gerdau

“Em um país como o Brasil, empresa alguma hoje pode se dar ao luxo de querer apenas ganhar dinheiro. Temos a obrigação de avançar não apenas no economicamente viável.

Mas também no ecologicamente correto e socialmente mais justo.”

Rubens Menin, empresário e presidente da MRV

“Muito mais do que falar sobre as catástrofes, que a gente foque e preste mais atenção no amor à natureza. É o amor que conhece o que é a verdade. É através do amor que conseguiremos cuidar bem da nossa

Casa Comum.”

Maria Júlia Coutinho (Maju), jornalista

“A nossa história, a história da humanidade, tudo que o temos, foi construído através de sonhos. A gente sonhou e reconstituímos um ecossistema na Fazenda Bulcão, em Aimorés (MG), que ficou parecido com o de quando eu era criança. E, aqui no Prêmio, é uma honra estar na companhia de tantos

companheiros sonhadores.”

Sebastião Salgado, fotógrafo de natureza

“Se a Terra é um planeta vivo, esse ser está completamente alucinado. Estão colocando em risco a sobrevivência da espécie. O único jeito de combater isso é com informação rigorosa e precisa, que é o que a Revista Ecológico faz. Vida longa a ela e ao Prêmio Hugo Werneck.”

Fernando Meirelles, cineasta