Carta do Editor

O futuro e o Brasil que dão certo, queremos e acreditamos serem possíveis estão reportados a partir de um olhar histórico sobre as já nove edições do Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza

Carta do Editor
Edição 112 - Publicado em: 09/10/2018

No meio de uma conturbada eleição na qual, ao contrário da natureza solidária, somos todos contra todos, uma velha pergunta está no ar: que município, estado, país e planeta herdarão os nossos futuros governantes?

Na área de educação, o entrevistado desta edição, o ex-deputado federal Fábio Feldmann, responsável pela redação da maior parte do capítulo ambiental da Constituição de 1988, não tem dúvida: ainda existe um grande déficit de conteúdo informativo e democrático no sistema educacional brasileiro sobre o conhecimento da natureza e o desenvolvimento sustentável que pode nos salvar junto dela.

Se ainda falta educação ambiental básica na maioria dos estabelecimentos de ensino brasileiros, sobra veneno para os professores e alunos das escolas próximas aos campos de cultivo do agronegócio. É o que a ONG Human Rights Watch denuncia, na forma de relatos de dor, nesta edição. Uma dor tão latente, invisível e não ouvida pelos nossos políticos antigos que se intensifica a cada avião das multinacionais que cruza o céu despejando agrotóxicos na forma de nuvens.

Você vai conferir também, como matéria principal e assunto recorrente, a ameaça e avanço permanentes da mineração predatória no que ainda nos resta de serras e águas no entorno mineral da Grande Belo Horizonte. Como os eleitos vão administrar um país férreo assim, sem educação ecológica, sem agricultura orgânica e intoxicado?

O futuro e o Brasil que dão certo, queremos e acreditamos serem possíveis estão reportados a partir de um olhar histórico sobre as já nove edições do Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza. De 2012 a 2017, a maior premiação ambiental do país já beneficiou cerca de um milhão de cidadãos, por meio do reconhecimento replicável de 50 projetos socioambientais país afora. Concedeu, ainda, 132 troféus, homenageou 22 ONGs e 52 personalidades do mundo empresarial, político e institucional, num conjunto de 954 inscrições e indicações vindas das cinco regiões brasileiras.

A esperança, que é o outro nome do Prêmio Hugo, não acaba aí, embora países como a Dinamarca ainda matem, covardemente, milhares de baleias nas Ilhas Faroé, assombrando o mundo, tamanho o mar de sangue. E exatamente na capital dos mineiros, já chamada de a “Paris brasileira” e “Cidade Jardim”, nunca se viu cortar tantas árvores, expondo sua população aos raios ultravioleta que causam câncer de pele e envelhecimento precoce. Enquanto tudo isso acontece, mesmo frágil e sem votos, a resistência por um estado, país e planeta mais humanos, éticos e resilientes, também se faz presente, independentemente do resultado das urnas.

Trata-se, caro leitor (e você vai se inteirar e sentir orgulho, ao constatar que nem tudo está perdido de vez) da comemoração dos 40 anos de existência e luta da Associação Mineira de Defesa do Ambiente, a Amda.

Uma ONG cuja superintendente férrea, notória e corajosa em denunciar quem ainda suja a nossa esperança, sejam políticos ou empresas, também é capaz de chorar.

Talvez seja isso que falte aos nossos futuros governantes. A capacidade de se emocionar e defender a natureza. Amar, defender e lutar pela vida do planeta que, sem água e sem verde preservados, continuará somente promessa eleitoreira. Promessa de morte continuada também da natureza humana.

Boa leitura! Até a lua cheia de novembro.