Sou Ecológico



Sou Ecológico
Edição 111 - Publicado em: 12/08/2018

Que Bento Rodrigues queremos no futuro?

“É de coração que assino esse documento e essa esperança.” Foi o que declarou, emocionado, Germano Vieira, titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), quando da recente licença ambiental dada pelo Governo de Minas à Fundação Renova, para a construção do aguardado novo distrito de Bento Rodrigues, em Mariana. É de coração, também, a expectativa da Revista Ecológico que, desde a tragédia ocorrida, não apenas reportou as suas graves consequências. Mas, tão importante, a quantidade de soluções sugeridas por uma multidisciplinaridade de atores sociais e institucionais, desde ambientalistas a técnicos e autoridades do setor, para a sua reconstrução diferenciada como um exemplo de construção sustentável.

Reconstruir localidades, tais como tradicionalmente elas eram em seus espaços físicos e afetivos, Minas sabe fazer. E bem feito, vide os exemplos de sucesso que a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) implantou em Nova Ponte e Irapé, onde suas populações tiveram de se mudar (e para melhor), por causa do alteamento das barragens de captação d'água.

A pergunta que não quer calar é: os moradores de Bento Rodrigues ganharão tão somente um novo povoado? Ou, mais além, o mesmo e saudoso distrito, porém edificado sob a ótica da sustentabilidade, com energia solar, lâmpadas de LED, pisos e paredes de bloquetes feitos com a própria lama de rejeitos, fiação subterrânea, mais arborização do que havia antes, lixeiras em todos os quarteirões, praças e jardins, bancos com encostos para a terceira idade, sistemas de reúso de água e sanitários econômicos?

Como bem apontou o ex-ministro do Meio Ambiente e conselheiro da Revista Ecológico, José Carlos Carvalho, em artigo publicado no jornal O Tempo, intitulado “A solução do Rio Doce”, a Fundação Renova tem todo o respaldo e governança para isso. Inclusive, a participação doravante mais inclusiva dos atingidos no processo decisório.

O novo Bento Rodrigues, enfim, será o velho Bento ou o Bento de um futuro exemplar, economicamente viável, ambientalmente correto e socialmente mais justo, que é o outro nome da sustentabilidade que todos sonhamos?

Com a palavra, a Fundação Renova, a Prefeitura de Mariana e os moradores ainda em transe do antigo distrito.

O "Céu de Santo Amaro" em BH

Será no novo Espaço de Eventos da Unimed, na capital mineira, com capacidade para até 350 pessoas, a solenidade da nona edição do Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza, já com data, tema e trilha sonora previstos: dia 20 de novembro, logo após as eleições, sob o tema "A Sustentabilidade na Floresta, no Campo e na Cidade - De Chico Mendes a Chico Bento”.

A música escolhida é “O Céu de Santo Amaro”, de Flávio Venturini, gravada em dueto com Caetano Veloso. A proposta da premiação ambiental, este ano, é retratar os avanços da ecologia rural. Desde o assassinato de Chico Mendes, há 30 anos atrás, por defender a Floresta Amazônica. Até a criação do personagem de quadrinhos Chico Bento que, junto da Turma da Mônica, desde a ECO/92 no Brasil, já cresceu, se formou em Agronomia para ajudar a melhorar a qualidade de vida de seus pais na roça, tornando o campo e a cidade onde vivem mais sustentáveis.

Não à-toa e com justiça, o homenageado este ano, a exemplo do fotógrafo-ambientalista Sebastião Salgado em 2017, será o famoso cartunista Maurício de Sousa, que em uma de suas aparições em terras mineiras, mais precisamente em 19 de dezembro de 2002, lançou a Campanha “Óia o Chico”, do Ibama e IEF, de recuperação do Rio São Francisco.

As indicações e inscrições podem ser feitas gratuitamente pelo site premiohugowerneck.com.br.

A lembrança de Vital

O colega J.D. Vital (foto) não deve estar nada alegre com as últimas notícias sobre “Os cedros de Deus”, símbolos naturais do Líbano. Em excelente artigo publicado na edição 100 da Ecológico (leia mais em www.souecologico.com), ele mostrou como beleza, história, religião e resiliência podem florescer juntos mesmo onde chove pouco e a natureza é hostil. Agora, o último painel da ONU sobre Mudanças Climáticas revelou que essas árvores milenares também estão sendo afetadas drasticamente pelo aquecimento climático. Só não estão morrendo precocemente por falta de água e frio, aquelas ainda sobreviventes nas altitudes maiores, acima das nuvens e mais perto do céu. Ou do próprio Deus, como os libaneses sempre as veneraram.

Pensar verde

A eventual ocupante do cargo de Secretária de Assuntos Institucionais e Comunicação Social da PBH continua discriminando a imprensa verde da capital.