Aliança em prol da extinção zero

Projeto do MMA coordenado pela Fundação Biodiversitas dá subsídios à portaria que institui a Aliança Brasileira para a Extinção Zero (BAZE) e prioriza a proteção dos seus sítios, últimos refúgios de espécies ameaçadas de extinção

Biodiversidade
Edição 111 - Publicado em: 08/08/2018

Boa notícia para o meio ambiente e a conservação de espécies ameaçadas: foi publicada a Portaria Nº 287, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), que institui a Aliança Brasileira para a Extinção Zero (BAZE, na sigla em inglês) nas políticas públicas nacionais de proteção da biodiversidade.

Inspirada na AZE (Alliance for Zero Extinction), as ações da Aliança Brasileira consistem em identificar e definir os locais – chamados de sítios AZE, em âmbito internacional, e sítios BAZE, em nível nacional – que se apresentam como últimos refúgios de espécies ameaçadas de extinção na natureza. Elaborada pelo MMA e pela Biodiversitas, a portaria dispõe sobre normas e diretrizes para a proteção dos sítios BAZE.

“O Brasil é pioneiro na criação de um marco legal para os sítios BAZE, o que condiz com sua posição de país megadiverso e onde se identifica também um alto número de espécies em risco de extinção”, afirma Gláucia Drummond, presidente da Fundação Biodiversitas, reforçando a importância da iniciativa. A Fundação faz parte do Steering Committee da AZE global e é líder brasileira da BAZE, que reúne a participação e o esforço de outras 16 instituições da sociedade civil organizada.

Quando setembro vier

O projeto “Aliança para Extinção Zero: Proteção de Sítios Naturais Insubstituíveis para a Conservação da Biodiversidade Ameaçada”, coordenado pela Biodiversitas com o suporte do GEF – Global Environmental Facility” –, prevê também o lançamento, em setembro próximo, do “Mapa Revisado dos Sítios BAZE”.

Trata-se de um documento que teve sua primeira edição lançada em 2010, voltado apenas para a fauna de vertebrados. A revisão do “Mapa dos Sítios BAZE” tomou como referência a última “Lista Vermelha” oficial da fauna, publicada em 2014, e resultou na identificação de 230 espécies sob ameaça de extinção que dependem de um último refúgio na natureza.

Os sítios identificados chegam a 146, sendo que alguns abrigam até 14 espécies. O novo Mapa ampliou o foco para os invertebrados e abrange locais protegidos em Unidades de Conservação (UC) federal, estadual, municipal ou RPPNs (Reserva Particular do Patrimônio Natural), parcialmente protegidos ou também sítios completamente desprotegidos, identificados em áreas sem nenhum caráter protetivo oficial.

Como completa Gláucia, o “Mapa dos Sítios BAZE” serve como um norteador de políticas públicas e privadas para conservação da biodiversidade na medida em que identifica, especialmente, as espécies com lacuna de proteção, acendendo a luz vermelha para áreas críticas. “A publicação da portaria reforça não somente o alinhamento do Brasil às metas globais de redução de perda da diversidade biológica, como amplia as chances de investimento na recuperação dos estoques populacionais de espécies em risco de desaparecer da natureza”.

Saiba mais

Link para a íntegra da Portaria Nº 287: goo.gl/7AEcDu

Para mais informações, entre em contato com a Fundação Biodiversitas: comunicacao@biodiversitas.org.br

Fique por dentro

A Fundação Biodiversitas entende que a conservação por meio da proteção de hábitats é uma estratégia bastante eficiente. Ao longo de sua história, a instituição, sediada em Minas Gerais, adquiriu e vem administrando quatro reservas, dedicadas a espécies da fauna sob sério risco de extinção. Das reservas que ela mantém, três são últimos refúgios de espécies ameaçadas de extinção e consideradas Sítios BAZE:

Estação Biológica de Canudos (Canudos - BA)

Protege a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari)

Reserva Mata do Passarinho (Bandeira - MG, divisa entre Minas e Bahia)

Dedicada à proteção do entufado-baiano (Merulaxis stresemanni) - estima-se que restem apenas 10 indivíduos na reserva.

Reserva Ninho da Tartaruga (Tombos - MG)

Primeira Reserva Particular dedicada à conservação de uma espécie aquática de água doce no Brasil, o cágado-de-hogei (Mesoclemmys hogei), um dos 25 quelônios mais ameaçados no mundo. Esta área não constava no levantamento feito em 2010.