Somos todos dinossauros?

No belíssimo livro “O Brasil dos Dinossauros”, que inspira esta edição da Ecológico, seus autores – o paleontólogo Luiz Eduardo Anelli e o paleoartista Rodolfo Nogueira – nos recontam o que aconteceu com a vida na Terra, há 66 milhões de anos, após a colisão de um cometa que pôs fim à maioria dos dinossauros e crocodilos.
Hiram Firmino - redacao@revistaecologico.com.br
Carta do Editor
Edição 110 - Publicado em: 05/07/2018

No belíssimo livro “O Brasil dos Dinossauros”, que inspira esta edição da Ecológico, seus autores – o paleontólogo Luiz Eduardo Anelli e o paleoartista Rodolfo Nogueira – nos recontam o que aconteceu com a vida na Terra, há 66 milhões de anos, após a colisão de um cometa que pôs fim à maioria dos dinossauros e crocodilos.

Por outro lado, os estudiosos alegam que foi justamente a extinção desses grandes predadores que permitiu aos mamíferos, em particular, sair da escuridão de seus esconderijos para se multiplicarem tal como os ecossistemas também regenerados que conhecemos hoje – e continuamos predando, agora, sem dó nem piedade, tal como dinossauros humanos. Inteligentes, mas tão violentos quanto insustentáveis.

O texto que descreve o impacto sideral revela como o nosso mundo ficou em chamas. E como o Brasil e Minas, em particular, também tiveram os seus dinossauros, antes de arderem no fogo global: “Nuvens de rocha incandescente e gás carbônico, terremotos, tsunamis, chuvas de meteoritos e incêndios florestais representaram apenas o começo do inferno que levou à morte imediata bilhões de plantas e animais no final do período Cretáceo”.

“A superfície terrestre ardeu em chamas durante semanas seguintes ao impacto do cometa. Mas a vaporização das rochas no local provocou um novo pulso de aerossóis de enxofre, dando origem a chuvas ácidas que destruíram as plantas, o solo e as águas oceânicas. A fuligem dos incêndios e do vulcanismo somou-se aos milhões de toneladas de poeira levantadas pelo impacto. Elas logo se espalharam pela atmosfera em intermináveis e violentas tempestades, bloqueando a luz solar durante os meses seguintes.”

“Sem energia, a fotossíntese cessou nas plantas sobreviventes sobre os continentes e nos oceanos, desmoronando a já comprometida cadeira alimentar. A vida morria de fome pela falta da luz e do calor do sol, a atmosfera e as águas oceânicas esfriaram, desorganizando as correntes marinhas, os ventos e os ciclos da vida.”

Os autores concluem: “E a poeira se precipitou, deixando a luz solar gradualmente aquecer mais uma vez a superfície do planeta, finalizando um inverno que perdurava há cerca de 30 anos. No entanto, a elevada quantidade de gás carbônico (CO2) trouxe novamente as altas temperaturas para a atmosfera, e estas perduraram por milhares de anos. Era a sétima extinção em massa enfrentada pela vida multicelular. Diversas linhagens de dinossauros desapareceram abruptamente das rochas. E com eles, 75% das espécies em todo o mundo”.

Caro leitor: você vê nisso alguma semelhança ou mera coincidência com o quê, não de maneira sideral, mas global, predatória e suicida, estamos fazendo e assistindo acontecer a extinção da vida, incluindo a espécie humana, em todo o planeta?

Isso talvez explique o sucesso de público do filme Jurassic World – Reino Ameaçado, em cartaz nos cinemas do mundo. E também o fascínio que os dinossauros ainda exercem, principalmente sobre as crianças, como o meu neto Rafael, que estampa este editorial.

Será que, lá no fundo, somos todos dinossauros?

É o que a Revista Ecológico aborda, pedagogicamente, nesta edição. Tal como a memória iluminada e sustentável de Eliezer Batista. A dívida ecológica levantada por Maria Lucia Fattorelli, coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, em Páginas Verdes. E o novo grito de alerta dos ambientalistas contra a destruição do símbolo natural da capital dos mineiros: “Mexeu com a Serra do Curral, mexeu comigo!”.

Boa leitura.

Até a próxima lua cheia!


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