Conexão Vital

“V Seminário Ambiental” da Faemg aponta a urgência da agropecuária sustentável, com melhor conservação e uso de recursos naturais

Agronegócio
Edição 110 - Publicado em: 05/07/2018

Realizado na sede da entidade em BH, na lua cheia de junho, o V Seminário Ambiental da Faemg reuniu especialistas de várias partes do país para debater o tema “Água: Conexão entre Meio Ambiente e Produção Sustentável”. Na pauta estavam desafios, oportunidades, técnicas e inovações do setor, visando à conservação da água – o bem mais valioso hoje em todo o planeta – e o planejamento integrado dos recursos hídricos às soluções tecnológicas para a irrigação. Além de iniciativas positivas, que vêm se consolidando positivamente, como a Agricultura de Baixo Carbono, do “ABC do Cerrado”, e o modelo Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF).

Qual a importância de tantas frentes assim, em busca da sustentabilidade hídrica tanto na floresta quanto no campo e nas cidades, justamente o tema da IX edição do Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza deste ano?

O presidente do Sistema Faemg, Roberto Simões, foi cirúrgico na abertura do seminário:

“Precisamos fomentar o debate e a formação de referencial técnico sério e de massa crítica. Temos, à nossa frente, o desafio de garantir a alimentação de nove bilhões de pessoas neste planeta, de forma correta e sustentável. Esse equilíbrio só será possível se pudermos contar com a ciência, a inovação e a tecnologia, através de sistemas e processos cada vez mais verdes e eficientes e sustentáveis”.

Ele citou também a importância de reunir argumentos científicos para combater a disseminação de informações equivocadas:

“O agronegócio sofre agressões infundadas a todo o tempo, por incompreensão e desconhecimento da sociedade sobre a realidade do setor. Até por interesses internacionais em desestabilizar a competitividade agrícola brasileira, somos também colocados frequentemente em xeque perante as questões ambientais”.

Visão de futuro

Segundo demonstrou Abílio Rodrigues Pacheco, pesquisador da Secretaria de Inovação e Negócios da Embrapa, o Sistema Integração, Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF) tem sido considerado, por estudiosos do setor, o sistema de produção que irá vigorar no futuro. Por meio dele, será possível garantir que a terra produza mais e, o mais importante, com sustentabilidade econômica, ambiental e social. São vários os benefícios, ele apontou: “Do ponto de vista ecológico, garante a fixação do carbono no solo, há o favorecimento da amenização de temperatura, o aumento da umidade e a velocidade do vento que seca o pasto”. Já do ponto financeiro, viabiliza a otimização do uso da área agrícola, possibilitando a produção consorciada de diferentes cadeias. “Além disso, a diversificação da produção sustentável também favorece o produtor rural, na medida em que permite maior estabilidade às variações do mercado. Os resultados positivos” – concluiu Pacheco – “são a maior justificativa do sistema, tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico”.

Pegada hídrica

Ao abordar a gestão da água na pecuária leiteira, o consultor e especialista João Luiz dos Santos destacou que toda a água utilizada na produção agropecuária volta, de alguma forma, ao meio ambiente. “Em alguns produtos, podemos dizer que a água está ali, embutida, como nas frutas. Mas, no caso da produção de leite ou de carne, mais de 90% da água utilizada no processo produtivo volta à natureza. O que temos de saber é se a velocidade com que estamos captando a água para uso e depois devolvendo-a para o meio ambiente, muitas vezes sem tipo algum de tratamento, não é maior que a velocidade que a natureza precisa para nos devolver essa água novamente limpa”, alertou.