Que Rosa nos proteja!

Hiram Firmino - redacao@revistaecologico.com.br
Carta do Editor
Ediçao 109 - Publicado em: 11/06/2018

A cada edição, seja falando de hanseníase ou malária, tuberculose ou picada de cobra, a série sobre O Viés Médico na Literatura de Guimarães Rosa vem confirmando que o sertão da nossa saúde pública ou da prevenção médico-social também é do tamanho do mundo. É sem lugar. Acontece dentro da gente. E pode salvar vidas.

É o que abordamos nesta edição, sobre o aumento dos casos de autoextermínio no campo, principalmente de jovens em idade produtiva e amorosa, querendo casar e criar filhos, cujas mortes poderiam ser evitadas.

O sinônimo disso, tão difícil de ser pronunciado, para não induzir um efeito em cascata em pessoas vulneráveis, é suicídio. E, no meio rural, está associado ao uso indiscriminado de agrotóxicos.

Quanto ao país onde esta tragédia mais ocorre, é o nosso Brasil mesmo. E podemos chamá-lo de “campeão mundial no consumo de agrotóxicos”. Mais precisamente em Venâncio Aires, no Rio Grande do Sul, que, não à toa, é o município “campeão nacional do suicídio” no campo.

É o que você, caro leitor, vai conferir em mais um capítulo da série “O Ambientalista”, produzida pela Guerrilha Filmes, sobre os maiores crimes ambientais ainda sem castigo na história brasileira.

Tem mais, nesta Edição Especial da sua Ecológico, comemorativa a mais um Dia Mundial do Meio Ambiente. Temos uma entrevista franca, em “Páginas Verdes”, com o presidente da Anglo American Brasil, Ruben Fernandes, sobre os dois vazamentos de seu mineroduto em Santo Antônio do Grama (MG), que fizeram lembrar erroneamente a tragédia de Mariana.

Uma matéria sobre o documento Visão 2030: o Futuro da Agricultura Brasileira, recém-lançado pelo presidente da Embrapa, Maurício Lopes, no 80 Fórum Mundial da Água, entre os festejos de 45 anos de atuação da empresa em busca da sustentabilidade tecnológica do setor.

A pequena Itabirito, localizada no sul do quadrilátero ferrífero de Minas Gerais, vencendo o “Prêmio FecomercioSP de Sustentabilidade 2018”, na capital paulista, por educar ambientalmente sua população rural e urbana e incentivar a preservação dos recursos hídricos. O exemplo da Cemig na luta ecológica contra os exóticos mexilhões-dourados que invadiram o país. E a memória iluminada do jornalista e escritor Demóstenes Romano Filho, autor do subversivo livro “Salve, Água!”. E não, perceba o detalhe, “Salve a Água”. O quê, em sua opinião, explica tudo o que de ruim tanto os governos quanto a população mundial continuam fazendo com o bem natural mais precioso e cada vez mais fugidio na superfície em degradação do planeta.

Tal como a última campanha da Conservation International, ambos estão certos, a ONG e o jornalista: “A natureza não precisa de nós. Nós é que precisamos da natureza”.

Que haja, em todos nós, humildade e sabedoria para entendermos isso. O que também explica o fato de ainda termos um único Dia Mundial do Meio Ambiente para comemorar essa esperança de evolução. Quando deveriam ser solares todos os dias que a natureza nos revela e abriga. Sem agrotóxico e outros venenos na mesa e no coração.

Boa leitura!


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