Três momentos de uma esperança

Ações ambientais promovidas pela Usiminas e pelo poder público fazem de Ipatinga, no Vale do Aço, uma das cidades com maior índice de área verde por habitante no Brasil. Desde 1985, mais de 3 milhões de mudas produzidas no viveiro da empresa foram plantadas na região
Hiram Firmino e Luciana Morais de Ipatinga-MG (*) - redacao@revistaecologico.com.br
Sustentabilidade
Edição 108 - Publicado em: 21/05/2018

Um oásis de biodiversidade aberto à visitação de estudantes e preservado também para o desfrute das gerações futuras. Estamos em Ipatinga, no coração do Vale do Aço mineiro, cidade que chama a atenção por suas inúmeras áreas verdes, praças e parques, contribuindo assim para a conservação da fauna e da água em seu território.

O foco da visita é o viveiro de mudas criado em 1985 pela Usiminas e reconhecido, em 2016, como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Estrategicamente localizado junto ao Centro de Biodiversidade da empresa, o viveiro ocupa uma área superior a 200 campos de futebol (204 hectares), formando uma enorme floresta urbana no Bairro do Horto.

“Não tem nada melhor do que mexer com plantação. Ela agradece e se multiplica”, revela, entre canteiros e mudas, o agricultor José das Graças, de 65 anos, 26 deles trabalhando no viveiro. O bioma local é a Mata Atlântica. Preservada sob a forma de remanescentes florestais nativos, ela está presente também em trechos reflorestados com espécies da região, assegurando a recuperação de uma área antigamente usada para a criação de gado e a exploração de pedras.

Além de sua reconhecida importância ecológica, o viveiro também é palco de atividades de um dos mais longevos e bem-sucedidos programas de educação ambiental do país. Trata-se do Projeto Xerimbabo que, em seus 33 anos de história, já atraiu nada menos que 2,5 milhões de visitantes à Usiminas, 33 mil deles só em 2017.

Nova consciência

Descontração, aprendizado lúdico e formação de uma nova consciência de cuidado ambiental também florescem e frutificam no viveiro. Desde março do ano passado, a Usiminas promove a Aventura no Viveiro, atividade gratuita de educação ambiental com programação voltada para estudantes de escolas locais e de municípios vizinhos, totalizando 545 alunos, de 15 instituições.

A iniciativa é coordenada pelo Instituto Cultural Usiminas, como parte das ações do Projeto Xerimbabo. Brincadeiras e contação de histórias tornam a visita dos estudantes mais didática e divertida. As crianças e adolescentes são recepcionados pela personagem Flora Manga. Ela é uma boneca interpretada pela atriz Raquel Vieira, que surge de dentro de uma mala e aborda temas ligados à conservação ambiental e à relação da siderúrgica com as comunidades do entorno.

Na visita orientada ao viveiro e ao berçário de mudas, os estudantes têm a oportunidade de conhecer espécies nativas da região, como o ipê e o jacarandá, além de manusear sementes de diferentes formatos e tamanhos. Eles também percorrem trilhas em meio à mata, visitam o apiário e degustam frutas colhidas no espaço.

“O objetivo é que as crianças – e por meio delas suas famílias e a comunidade – conheçam as ações de conservação ambiental promovidas pela Usiminas. Assim, elas entendem, por exemplo, a importância do plantio de árvores e da proteção das áreas verdes como forma de garantir o abastecimento público de água, a manutenção do microclima local e, consequentemente, a melhoria da nossa qualidade de vida”, explica a engenheira ambiental e analista de Meio Ambiente da siderúrgica, Luziane Oliveira.

Destaque no Brasil

Para este ano, a meta é ampliar o alcance das atividades, permitindo que moradores em geral e não apenas estudantes participem da Aventura no Viveiro. Mateus Pereira, um dos responsáveis pela manutenção do espaço, explica que lá são cultivadas mais de 150 espécies, entre nativas da Mata Atlântica, ornamentais e frutíferas.

“Aqui, cuidamos de todo o processo. Desde a coleta, beneficiamento, secagem e seleção das sementes até o preparo do substrato e produção das mudas. Elas são destinadas a plantios em áreas pertencentes à empresa, ao nosso programa de recomposição de mata ciliar, à arborização de espaços públicos e doadas a entidades parceiras”, detalha.

Os números são expressivos. Desde a criação do viveiro, mais de 3 milhões de mudas produzidas no local ajudam a esverdear e recuperar terrenos degradados em Ipatinga e cidades vizinhas. Em 2017, a Usiminas plantou 4.787 novas árvores somente em áreas de sua propriedade.

Outras 3.588 foram destinadas a espaços fora da empresa, entre eles a orla da Lagoa Silvana, conhecido cartão-postal da região, que recebeu, por meio de parceria com o Clube Náutico Alvorada (CNA), 3.127 novas espécies arbóreas nativas, cobrindo uma área de 38.534 metros quadrados. E mais: 11 mil mudas foram doadas a instituições com atuação no Vale do Aço e aproximadamente 8 mil distribuídas em campanhas junto à comunidade.

Não por acaso – e graças também a ações do poder público municipal, voltadas para a construção de praças, jardins e incremento florestal de bosques urbanos –, Ipatinga é uma das campeãs brasileiras entre as cidades com maior área verde por habitante: são 125 m2, ou seja, um índice mais de dez vezes superior ao preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 12 m2/habitante.

Recirculação de água e árvores por toda parte

Um dos diferenciais da manutenção do viveiro de mudas da Usiminas é o fato de ele ser abastecido com água fornecida pela própria Usina. A unidade mantém um sistema de captação, tratamento e distribuição interna de água, com 28 centros de recirculação.

Como resultado dos investimentos em gestão e tecnologias de reúso, entre 2002 e 2017 a empresa reduziu em 45% a captação no Rio Piracicaba, atingindo um índice de 95,3% de recirculação hídrica em seu processo produtivo.

Discreto e bom de prosa, o diretor-executivo Roberto Maia gosta de comparar a Usina a uma fazenda. A metáfora faz sentido. Afinal, ela é contornada por um cinturão verde com mais de 370 hectares. A área industrial, com seus 8 quilômetros de comprimento por 1,5 quilômetro de largura, é entremeada por inúmeras árvores, gramados, jardins e fontes. Também chama a atenção a Lagoa da Anta, com 4 km de extensão e 1,2 milhão de metros cúbicos, refúgio de vários animais, incluindo saguis, galinhas e patos-selvagens.

“Praticamente metade da área industrial é arborizada. Sempre que vem chuva, temos de ficar atentos para evitar acidentes com quedas de árvores e galhos. Dá trabalho manter toda essa arborização, mas os benefícios em termos de paisagismo, conforto térmico e ambiental são imensuráveis. Além do mais, sem árvore não tem chuva: e a água é estratégica para nós”, pondera Maia.

Consciente de que a disponibilidade de água está diretamente atrelada à conservação de nascentes e à proteção de áreas de recarga, como em topos de morro, a Usiminas tem apoiado projetos e iniciativas de instituições parceiras com foco na conservação hídrica.

Um exemplo é a recuperação de nascentes em áreas pertencentes à Usina, em sintonia com as ações do projeto Mapa da Mina, iniciado em 2015. Capitaneado pelo promotor Rafael Pureza, da 9ª Promotoria de Justiça de Ipatinga, esse projeto possibilitou, em parceria também com a prefeitura e outras empresas, o levantamento georreferenciado de cerca de 600 nascentes existentes no município.

“A conservação ambiental e hídrica é compromisso de todos: empresas, poder público e sociedade. Para nós, da Usiminas, promover ações de responsabilidade socioambiental é uma forma de validar a existência do nosso empreendimento. É mais do que uma licença social. Afinal, se o nosso trabalho em prol da natureza, das pessoas e do crescimento sustentável da cidade não for reconhecido, nossa presença aqui perde todo o sentido.”

(*) A equipe viajou a convite da Usiminas.

Entenda melhor

Com 62 anos de história e 13 mil colaboradores próprios, a Usiminas é líder nacional do mercado de aços planos e um dos maiores complexos siderúrgicos da América Latina. Confira alguns números relativos à empresa:

O viveiro de mudas começou a ser estruturado durante a construção da siderúrgica, na década de 1960. Uma área, já desmatada anteriormente, foi separada para replantio ao longo do tempo. Cerca de 60 anos depois, o que era pasto se transformou numa floresta urbana. A criação oficial do viveiro ocorreu em 1985 e, hoje, o local é uma RPPN.

A empresa tem duas plantas siderúrgicas: a Usina Intendente Câmara, com 10,5 milhões de m² de área, em Ipatinga (foto acima); e a Usina José Bonifácio de Andrada e Silva, com 12,5 milhões de m2, no Polo Industrial de Cubatão (SP). Juntas, elas têm capacidade nominal de produção de 9,5 milhões de toneladas de aço/ano.

2,5 milhões é o número de visitantes recebidos pelo Projeto Xerimbabo, em seus 33 anos de existência.

Três milhões de mudas produzidas e plantadas na região desde a criação do viveiro.

Por meio de outra ação educativa, Conhecendo a Usiminas, a empresa recebeu, ano passado, 571 estudantes, de 18 instituições. Eles visitaram as instalações para entender o processo produtivo e a origem de vários produtos usados em seu dia a dia, além de participar de oficinas de pintura com agregado siderúrgico (escória), co-produto da fabricação do aço. Para cada tonelada de aço produzido são gerados 900 kg de resíduos.

Parte da escória gerada na Usiminas é destinada à pavimentação de estradas vicinais, por meio do projeto Caminhos do Vale. Em cerca de três anos, são mais de 900 km de estradas recuperadas e 850 mil pessoas beneficiadas, em 36 cidades do colar metropolitano do Vale do Aço.

O programa Mata Ciliar, criado em 1996, promove a restauração das margens dos rios Piracicaba e Doce, em parceria com a Fundação Relictos e o Instituto Estadual de Florestas (IEF), totalizando 22 km de extensão, em três municípios: Coronel Fabriciano, Ipatinga e Santana do Paraíso.


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