Nem tudo é lixão

Vem aí mais uma edição do “Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza”, sob o tema, este ano, de “A Sustentabilidade na Floresta, no Campo e na Cidade - De Chico Mendes a Chico Bento”

Hiram Firmino - redacao@revistaecologico.com.br
Carta do Editor
Edição 108 - Publicado em: 21/05/2018

É o que você vai conferir, caro leitor, caro internauta, na segunda reportagem da série “O Ambientalista”, sobre o fim em transe do Lixão Estrutural de Brasília, até então a maior montanha de lixo da América do Sul e a segunda do planeta. Isso significa que, por mais sujos que sejamos com a natureza e conosco mesmo, a limpeza, começando pela ética ecológica, sempre vem. E vence, custe o que custar.

Essa esperança nossa, teimosa que nem burro empacado, também reportada nesta edição, revela o que de verde aconteceu com a histórica Usiminas, em Ipatinga, no Vale do Aço. Já chamados de “Cubatão” mineira, tamanha a devastação e poluição do ar, hoje o município e a siderúrgica são referência de desenvolvimento sustentável no país. Não se tem notícia de outro parque industrial brasileiro com mais árvores plantadas interna e externamente, em meio aos seus altos-fornos. Idem a cidade, é hoje detentora dos maiores índices de áreas verdes por habitante do país – nada menos que 125 m2, quando o mínimo recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU) é de 12 m2 de área verde por habitante.

Nem tudo, enfim, está perdido. Você vai ver nesta nossa edição outonal, já quase virando inverno, que a hidroponia (técnica de cultivo agrícola sem solo) é realidade crescente no país. Vai perceber que Guimarães Rosa continua nos passando a sua receita de como praticar a medicina pelo viés da ecologia humana em todo o Grande Sertão: Veredas que ainda não secou de vez. E que também temos a presença de Anita Roddick, fundadora da The Body Shop, uma das maiores redes de cosméticos produzidos de maneira sustentável do mundo, recentemente comprada pela Natura. Temos o seu pensamento, in memoriam, sobre como sermos empreendedores e consumidores e, ao mesmo tempo, éticos com o planeta.

E para terminar: a convocação para mais uma edição do “Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza”, sob o tema, este ano, de “A Sustentabilidade na Floresta, no Campo e na Cidade - De Chico Mendes a Chico Bento”. Ou seja, já passados 30 anos do seu covarde assassinato, o líder seringueiro não morreu em vão. Ele será relembrado ao lado de Chico Bento, personagem ecológico criado pelo cartunista Mauricio de Sousa que, 16 anos antes da realização da ECO/92 no Brasil, se juntou à Turma da Mônica em defesa da natureza rural.

Não à toa, nem sem precisão, como se diz na roça, no agronegócio e na realidade urbana das nossas cidades, as inscrições e indicações à maior e mais jornalística premiação ambiental do país (vide regulamento no site www.premiohugowerneck.com.br) já estão abertas desde o último 22 de maio, “Dia Internacional da Biodiversidade”.

A porteira dos bons exemplos ecológicos não se fechará mais. Essa é a nossa esperança comum.

Boa leitura!

Até 05 de junho, que não vai ter lua cheia. Mas será mais um “Dia Mundial do Meio Ambiente”. É quando, com o mesmo vislumbre de esperança, estaremos nas bancas ou no seu celular, com mais uma edição especial comemorativa da sua Ecológico.