O Ambientalista que deveríamos ser

Ambientalista Neylor Aarão em ação no interior da Bahia: ele denuncia crimes e impactos ambientais na perspectiva das pessoas afetadas

Hiram Firmino - redacao@revistaecologico.com.br
Carta do Editor
Edição 107 - Publicado em: 14/05/2018

As principais degradações contra a natureza e o próprio desenvolvimento sustentável ainda impunes no Brasil, vistas pelo olhar das pessoas afetadas, das empresas e autoridades envolvidas.

É essa a pegada da série documental O Ambientalista, que a Revista Ecológico publica, em parceria com a Guerrilha Filmes, a partir deste número. Inspirada no estilo da investigação científica, a série é pautada não somente em denúncias das populações atingidas, mas também de especialistas da área, representantes de ONGs e do Ministério Público.

Os documentários elencam alguns dos maiores conflitos socioambientais da atualidade, em cinco estados brasileiros (leia-se a ainda tragédia não resolvida de Mariana) e no Distrito Federal que, até o mês de janeiro, ainda mantinha o maior lixão em atividade na América Latina e o segundo no mundo.

Nada mais apropriado, portanto, que o título de O Ambientalista. Aliás, é isto o que cada um de nós, cidadãos, munidos com celulares, também deveríamos fazer. Sermos todos ambientalistas. Fotografar, dirigir recados e informar à opinião pública, em tempo real, quem são os degradadores de plantão. As empresas, políticos e cidadãos sem consciência de mundo, que teimam em destruir a natureza do único planeta com vida que conhecemos.

É ignorante e dolorida demais, justamente por falta de informação e agir ambiental, a permanência desta aposta no lado sombrio de nós mesmos. Por isso, para balancear a disputa, a escalação de outras matérias, entrevistas e exemplos positivos que trazemos nesta edição da Ecológico. A começar pela entrevistada em “Páginas Verdes”, a ambientalista politicamente empoderada Marília Carvalho de Melo, diretora-geral do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam). Sua bandeira inclui a luta contra a privatização da água e do saneamento no Brasil, defendida erroneamente pelo governo Temer.

E você vai saber mais. Vai entender como uma espécie de rolinha em extinção, chamada do “planalto” (Columbina cyanopis), é capaz de comover até o governo de Minas a criar um parque – para ela chamar de seu – na Serra do Espinhaço. E ainda o que levou 39 mulheres e um homem a assistirem ao polêmico filme Maria Madalena, de Garth Davis, e tomarem providência contra o bíblico “atirem pedras nela!”.

Por fim, a “Memória Iluminada” atual do escritor e jornalista Mia Couto, que nasceu na Cidade de Beira, em Moçambique, e hoje arrasta multidões por onde passa, na busca das nossas memórias e histórias perdidas.

Boa leitura!

Até a próxima lua cheia de maio, chamada não por acaso de “A lua de Buda”, tamanha a intensidade de sua luz.