O sonho que não acaba

Conheça a trajetória de sucesso do fundador e presidente da Rede Chromos de Ensino
Perfil
Edição 102 - Publicado em: 04/12/2017

Ele nasceu em Bom Despacho, na Região Central de Minas, e veio morar em Belo Horizonte com apenas um ano de idade. De origem humilde, passou por várias dificuldades junto com a família e, ainda pequeno, fez uma promessa para a mãe: quando crescesse, se tornaria-se catador de papel para poder comprar uma casa.

Valter Batista Teixeira começou a trabalhar cedo: foi engraxate, jornaleiro e lavador de carros. O esforço valeu a pena. Mais tarde, formou-se em Estudos Sociais na Faculdades Integradas do Triângulo (Associação de Ensino do Triângulo) –, com licenciatura em Geografia e História pela Faculdade de Uberlândia. A partir daí a sua trajetória foi além da promessa feita à mãe, anos antes.

Ele foi superintendente da Bemge Seguradora, assessor financeiro do grupo Algar e hoje preside uma das maiores redes de ensino de Minas Gerais, com mais de 10 mil alunos matriculados em suas 10 unidades (incluindo colégios, cursos preparatórios para vestibular, Enem e concursos).

Em reconhecimento aos trabalhos realizados no campo da educação, foi homenageado com vários títulos, incluindo os de “Cidadão Honorário” de Belo Horizonte e de Contagem, concedidos pelas Câmaras Municipais de cada cidade, e de “Empresário do Ano”, pela Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte.

Durante almoço-palestra realizado pela Associação de Dirigentes Cristãos de Empresa de Minas Gerais (ADCE-MG) na Fiemg, Valter Teixeira falou de forma descontraída sobre as experiências e os desafios vencidos ao longo da carreira de empresário. E também dos novos investimentos e da tradição da Chromos no mercado de educação. Confira, a seguir, os principais trechos de sua fala:

O primeiro trabalho

“Fui engraxate com cinco anos de idade, porque precisava ajudar em casa. Nas horas vagas, era jornaleiro e corria muito por Belo Horizonte. Na época existia uma instituição chamada ‘Pequenos Jornaleiros’ e eu saía vendendo pelas ruas. Também lavava carros. Um dia, estava limpando um táxi quando o proprietário me perguntou: ‘Menino, quando você for grande, o que quer ser?’. ‘Quero ter uma quitanda’. Meu espírito de empresário estava começando ali. Naquela época, quitanda era o sacolão de hoje. Esse foi o meu primeiro sonho.”

O começo

“Entrei no grupo Algar em 1983 e permaneci até 1994. Cumpri a minha missão e decidi constituir a minha empresa. Fundei a DT Assessoria e Planejamento e continuei assessorando o Grupo e empresas como MCDonald’s e Alimenta. Foi quando apareceu a Rede Chromos.”

“O antigo proprietário não estava conseguindo quitar as dívidas da Rede. Ele então perguntou se não queria comprá-la e me deu 48 horas para pensar na proposta. Pensei quatro horas e decidi adquiri-la. Assumi a instituição em um momento difícil, com uma dívida fiscal muito alta, aluguel, funcionários, professores e fornecedores com pagamento atrasado. Com as reservas que acumulei em meus trabalhos anteriores, investi sem prejudicar outras áreas da minha vida, inclusive a minha família. No dia 8 de outubro de 1994, assumi a gestão do Chromos.”

A primeira percepção

“Quando comprei a Rede, a unidade do pré-vestibular funcionava no Bahia Shopping. Ela tinha 1.200 alunos, 17 professores e cinco funcionários. Quando entrei, a minha primeira percepção foi que era preciso conhecer mais o mercado da educação. Visitei os melhores pré-vestibulares na época e muitas pessoas chamavam os locais de ‘cursinhos’.”

“Parei por um instante e refleti que uma instituição de ensino, com milhares de alunos, não poderia ser chamada de ‘cursinho’. Logo, mudei o nome para ‘Chromos Pré-Vestibular’. Também percebi que o atendimento era ruim. Ao chegar na recepção de um dos principais pré-vestibulares solicitando matrícula para meu filho, pedi para conhecer o local. O atendente apenas me entregou um papel com os valores do curso e informou que não seria possível conhecer o ambiente, pois não havia funcionário para apresentar as dependências. Na hora pensei: vou deitar e rolar!”

O diferencial

“Então, coloquei muitas mesas no salão da recepção. A recepcionista ficava na porta para atender prontamente os pais e estudantes, e levá-los até uma das mesas para receber atendimento personalizado. Em vez de apresentar os valores em papel xerocado, utilizamos folderes. Com isso, já tínhamos um diferencial.”

O mito

“O ano de 1995 foi um período de muito estudo. Avaliei todo o material que era produzido pelos professores e decidi criar uma editora. Outro fato também me chamou atenção: passei a observar o mercado e havia o mito de só serem aprovados na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) os candidatos que tinham pais com melhor qualidade de vida e estudavam nas melhores escolas particulares de Belo Horizonte.”

“Mudamos essa realidade. O Chromos não seria apenas um pré-vestibular para a classe A e sim para todas as outras também. Decidimos colocar alunos das escolas públicas na UFMG e também em outras universidades públicas do Brasil.”

O desafio público

“Temos um nicho de mercado que é a escola pública e ninguém quer. Contratei o professor Flávio Fonseca para ser o nosso diretor pedagógico e desenvolver um novo projeto. Criamos um simulado que era a cara da UFMG. Vi sitamos as instituições públicas de ensino, aplicamos a prova e depois passamos os resultados dos alunos à direção. Era uma tristeza, mas premiávamos os melhores alunos com bolsas de estudos. Também começamos a mostrar que a nossa equipe tinha condições de trabalhar com jovens que precisavam entrar em universidades públicas.”

As conquistas

“Apesar de ter formação de professor, nunca lecionei. Minha vida sempre foi dedicada à área empresarial. Junto com o professor Flávio, formamos uma equipe disposta a vivenciar o desafio. Em 1996, conseguimos o primeiro lugar geral na UFMG com um aluno da escola pública.”

“Também aconteceu mais um passo importante para o crescimento do Chromos, no dia 5 de fevereiro de 1996. Era uma sexta-feira, logo quando soubemos da conquista do primeiro lugar geral na UFMG. Recebi a ligação de um jornalista do Diário da Tarde. Ele gostaria de tirar uma foto com o aprovado e saiu uma matéria de página inteira.”

“No dia seguinte, em pleno sábado, cheguei bem cedo ao Chromos e já se formava uma fila de pessoas para fazer matrículas. De 1.200 alunos subimos para 2.400. Nesse processo rápido de crescimento, vieram muitas outras aprovações na UFMG. Para atender às demandas do mercado, foi necessário descentralizar o Chromos, porque os pré-vestibulares tinham endereços específicos na região central da capital.”

A expansão

“Em 1997, foi aberta a primeira unidade do pré-vestibular na Pampulha. Sucesso. E, com quatro mil alunos, decidi que era o momento de abrir um colégio, mas de forma diferente.”

“Aproveitamos o resultado do vestibular. Em vez de começar com o ensino infantil, fomos para o médio. Abrimos um colégio na região da Pampulha com três salas lotadas. Depois foi a vez da unidade no Eldorado e, na sequência, avançamos com o ensino fundamental.”

“Fizemos um projeto social em 2001, a pedido de um amigo que elogiou o trabalho desenvolvido pela escola, sobre a inserção dos jovens que nunca imaginaram entrar na universidade. Esse é o sonho do Chromos. A partir dali, estávamos propondo o que os outros não fizeram. Preparamos melhor as escolas públicas da capital mineira. Ajudei a colocar 800 jovens na universidade.”

A persistência

“Depois disso, muitas mudanças ocorreram na rede. Saímos da rua da Bahia e foi construída uma nova unidade e também chegaram outros segmentos. Todas as obras foram pagas por mim, já que o Chromos não tinha condições de arcar com os gastos. Enfrentei diversas situações, mas consegui, em janeiro de 2000, inaugurar o colégio na região do Eldorado.”

“Passamos por uma crise pesada em 2005, que afetou demais as instituições de ensino. Mas fomos persistentes. Mesmo assim, abrimos a unidade infantil no Eldorado, o Pré-Vestibular em Venda Nova e o Pré-Concurso no Barreiro.”

“Quando comecei no Chromos, fiz um planejamento de dez anos. Depois outro, de mais dez anos. A ideia era ter um crescimento horizontal, fazendo tudo de melhor para dar certo.”

O crescimento

“Em 2004 convidei o meu filho Ivan para trabalhar comigo. O primeiro desafio dele foi montar os horários dos professores. Em nenhum momento ele foi tratado como filho do dono, mas como funcionário. Passou por vários departamentos, conhecendo vários processos, até chegar ao cargo atual de diretor-executivo.”

“Foi ele que propôs criar o curso Pré-Técnico. E hoje temos um em cada três formandos do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet). Já no Colégio Técnico (Coltec) da UFMG, 50% dos alunos estudaram aqui. Além disso, com a chegada do meu filho foi possível estruturar um novo crescimento, agora vertical, sob a ótica interna de profissionalizar a empresa. Vamos continuar investindo no crescimento orgânico e sempre manter a nossa tradição de qualidade do ensino. ”

O futuro

“Agora em 2018 será inaugurado o colégio na região no Barreiro, além das novas aquisições de imóveis nas regiões de Venda Nova e Pampulha. Com isso, caminhamos para novos desafios. Atualmente estamos com mais de 10 mil alunos e a nossa expectativa é chegar a 15 mil até 2020.”


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