> Notícias

Iclei BH: Cidades para as pessoas


font_add font_delete printer
Parque Símon Bolivar em Bogotá Foto: Divulgação

Parque Símon Bolivar em Bogotá Foto: Divulgação

20/06/2012 - por Cíntia Melo - Revista ECOLÓGICO

Se for para classificar, por grau de prioridade, quem vem em primeiro, segundo e terceiro lugares nos centros urbanos, Gil Peñalosa não pensa duas vezes: pedestres, ciclistas e, por último, carros. Para ele, observar como a cidade trata seus pedestres diz muito sobre ela.
“Pense em uma criança que você ama. Agora pense em um adulto que você ama. Você deixaria que fossem sozinhos, caminhando até a padaria?”, indaga.
Se a resposta for sim, segundo Gil, é porque a cidade está tratando bem seus pedestres e a mobilidade urbana. Do contrário, como ocorre na maioria das grandes cidades do mundo hoje, há que se pensar com mais cuidado em seus moradores.

No Brasil, a cada 22 minutos, morre uma pessoa por acidente de trânsito. O país ocupa o quinto lugar no ranking de trânsito que mais mata no mundo. Só perde para a Índia, China, Estados Unidos e a Rússia.

Juarez Rodrigues Coelho, taxista em BH há 18 anos, conhece de perto o problema. Se contar o tempo em que foi motorista de empresa, já são 23 anos no volante. Casado, pai de três filhos, ele trabalha parte da tarde e a noite toda e diz que tem chegado tão cansado em casa que já não tem mais humor para aproveitar a família.
“A cada dia no trânsito perco um dia de vida. Quando a gente menos espera já está arrastando bengala e nem viu os filhos crescerem. Rodar de taxi é passar raiva. Tem dia que a gente pensa que vai sofrer um ataque no volante”, diz.  

Juarez pensa em largar o ofício em dezembro deste ano. “Não aguento mais. Dirigir em BH ficou insuportável e daqui a mais dois ou três anos vai ficar impossível”, sentencia.
Para Gil, as estatísticas no trânsito e o dilema de Juarez têm a ver com o estilo de vida que levamos hoje.
“No passado, o homem enfrentou desafios que o ensinaram a sobreviver. Agora, precisa aprender a viver e a conviver. Se construo um passeio de dois metros, tenho uma passagem. Um de quatro metros impede que eu esbarre em outra pessoa. Já num de oito metros, dá para fazer uma festa, um verdadeiro encontro de pessoas!”, diz.

Outra aposta de Gil como conexão de locais de origem e de destinos nos centros urbanos são as ciclovias. “Há duas condições para que se tenha mais de 10% da população pedalando: a velocidade máxima dos carros em toda a vizinhança não deve ser maior que 30 km/h e as ciclovias devem ser protegidas, com separação física entre ciclistas, pedestres e carros. Os bicicletários, sistema de aluguel de bicicletas e as sinalizações também são importantes”, diz.

Preocupado com a realidade do planejamento urbano de muitas cidades hoje, o pesquisador alerta: “Pensar em cidades para pessoas significa priorizar pessoas. Quando a prioridade são os carros e a construção de ruas e avenidas, ampliamos os congestionamentos. É como se colocássemos fogo em gasolina”.

Leia também sobre o Iclei BH:

Cidades para as pessoas

A banda toca na cidade. A música toda no mundo

Curitiba é exemplo brasileiro

A gestão das águas urbanas

 

 


 

 


Compartilhe




Outras Notícias