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Antas são reintroduzidas em reserva particular


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As antas compõem uma população muito reduzida na Mata Atlântica e estão extintas no Rio de Janeiro há pelo menos um século. São animais de grande porte (podendo pesar até 300 quilos) e de reprodução lenta. Foto: Divulgação

As antas compõem uma população muito reduzida na Mata Atlântica e estão extintas no Rio de Janeiro há pelo menos um século. São animais de grande porte (podendo pesar até 300 quilos) e de reprodução lenta. Foto: Divulgação

Animais compõem uma população muito reduzida na Mata Atlântica e estão extintos no Rio de Janeiro há pelo menos um século

29/06/2018

 

Flora, Valente e Júpiter são os novos moradores da Reserva Ecológica Guapiaçu (Regua), área particular contígua ao Parque Estadual dos Três Picos, no município de Cachoeiras de Macacu, no Rio de Janeiro. As antas chegaram este mês, após percorrerem 1 mil quilômetros desde a sua antiga residência, o criadouro científico da Klabin, localizado em Telêmaco Borba, no Paraná.

As novas integrantes se juntarão a Eva e Floquinho, que já moram no local desde dezembro de 2017 e foram a primeira família a ser reintroduzida ali. A mãe e o filhote vieram do criadouro conservacionista da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), situado em Araxá (MG). Junto aos dois, havia outro macho que não sobreviveu ao período de 30 dias de aclimatação no viveiro localizado dentro da Reserva Particular do Patrimônio Natural.

As antas compõem uma população muito reduzida na Mata Atlântica e estão extintas no Rio de Janeiro há pelo menos um século. São animais de grande porte (podendo pesar até 300 quilos) e de reprodução lenta.

Reintroduções de espécies com essas características demandam tempo e envolvem muitos custos. Além disso, historicamente a taxa de sucesso das iniciativas não é alta. Os números variam de país para país, mas de modo geral, considera-se que menos de 10% desses projetos de reintrodução têm sucesso no longo prazo. Não é raro que os animais não tenham atividade reprodutiva ou não se adaptem à nova condição e tenham de ser reconduzidos ao cativeiro ou acabem morrendo.

Ambiente selvagem

Entretanto, o biólogo Maron Galliez, do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), explica que esses resultados estão melhorando graças ao desenvolvimento da ciência da disciplina biologia da reintrodução. Segundo ele, talvez a etapa mais importante do processo seja a que os pesquisadores chamam de aclimatação, quando os animais são colocados em um cercado já no ambiente de soltura.

Nesse caso das antas, elas são mantidas em um cercado de 8.800 metros quadrados, construído próximo ao ambiente selvagem da reserva. O cercado permanece fechado por no máximo 30 dias, período em que os animais ainda são alimentados pela equipe do projeto. Após um mês, a porteira é aberta, mas a suplementação alimentar pode ser mantida, caso a equipe considere necessária.

Antes da soltura, cada um dos indivíduos recebe um colar de VHF-GPS telemetria, que armazena localizações georreferenciadas automaticamente a cada 30 minutos. Os dados são enviados aos pesquisadores por e-mail. Caso seja notado que algum animal está debilitado ou não adaptado à reintrodução, ele é capturado e novamente levado para o recinto de aclimatação.

Jardineira da floresta

A relevância ecológica das antas está na elevada capacidade de dispersão de sementes, além de pisoteio de plântula – quando os animais pisam na vegetação, podendo levar à morte de algumas plantas mais delicadas e jovens, evitando assim a abundância excessiva de uma espécie dominante.  “A anta é uma verdadeira jardineira da floresta. Sem a volta desses animais, não adianta falar de restauração ambiental”, Maron Galliez.
 

Fonte: O Eco


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