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Desmatamento no Cerrado aumentou 9% no último ano


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Ainda assim, os índices são considerados muito altos para o Cerrado, que abriga um terço da biodiversidade do Brasil, mas está extremamente ameaçado em razão da expansão do agronegócio. Atualmente, apenas 50% da vegetação original do ecossistema está de pé.

Ainda assim, os índices são considerados muito altos para o Cerrado, que abriga um terço da biodiversidade do Brasil, mas está extremamente ameaçado em razão da expansão do agronegócio. Atualmente, apenas 50% da vegetação original do ecossistema está de pé.

Expansão da agropecuária é a principal causa de destruição do bioma

29/06/2018

Savana mais rica do planeta, o Cerrado sofre com a devastação. Dados preliminares do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), divulgados recentemente pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), apontam que o desmatamento no bioma aumentou 9% em 2017, em comparação ao ano anterior.

Em 2016, um total de 6.777 km² foram desmatados; em 2017, esse número subiu para 7.408 km². O avanço da agropecuária sobre a vegetação nativa é a principal causa do desmatamento. Em comparação aos anos de 2014 e 2015, houve redução da taxa de desmatamento no bioma.

Ainda assim, os índices são considerados muito altos para o Cerrado, que abriga um terço da biodiversidade do Brasil, mas está extremamente ameaçado em razão da expansão do agronegócio. Atualmente, apenas 50% da vegetação original do ecossistema está de pé.

A boa notícia é que, pela primeira vez, estão sendo divulgados dados do desmatamento do Cerrado detalhados ano a ano, o que torna possível comparar a conversão da vegetação nativa a partir de uma série histórica.

O MMA prometeu, a partir de agora, divulgar as taxas do Cerrado todos os anos, prática que vem sendo adotada no bioma Amazônia desde 1988. O Cerrado também passará a ser monitorado diariamente, com base em imagens de satélite de alta definição, por meio do Deter B, um sistema de detecção do desmatamento em tempo real.

Mais fiscalização

Assim como aconteceu na Amazônia, espera-se que a ferramenta facilite o trabalho de fiscalização coordenado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A divulgação dos dados do Cerrado ano a ano é um importante passo do MMA, uma vez que aumenta a transparência das mudanças pelas quais passa o bioma em decorrência da expansão da agropecuária. “Isso permitirá não só o aumento do controle social como também norteará políticas públicas e compromissos de empresas”, avalia Cristiane Mazzetti, da campanha de florestas do Greenpeace Brasil.

Setor privado

As boas notícias de transparência ficarão apenas no papel se as empresas não assumirem compromissos concretos com a preservação desse importante bioma. Afinal, o simples cumprimento da lei não garante a sobrevivência do Cerrado.

“No Cerrado, os fazendeiros podem desmatar legalmente até 80% de sua propriedade, o que seria um desastre. O acelerado desmatamento no bioma, que já supera o da Amazônia, é responsável por uma parte relevante das emissões de gases que provocam mudanças climáticas. Além disso, a região abriga enorme biodiversidade, é berço de grande parte dos rios brasileiros e marcada pela desigualdade social, com uma histórica e perversa concentração de terra e renda em poucas mãos”, avalia Paulo Adário, estrategista sênior de florestas do Greenpeace.

Desmatamento zero

A ONG alerta para a necessidade de se aumentarem os esforços para a proteção do Cerrado, o que implica zerar o desmatamento. No ano passado, cerca de 60 organizações ambientalistas, incluindo o Greenpeace Brasil, lançaram o Manifesto do Cerrado, exigindo que investidores e empresas que compram soja e gado na região tomassem medidas para frear o avanço sobre a vegetação nativa.

Mais de 60 companhias apoiaram o manifesto e se comprometeram a trabalhar com os atores locais e internacionais para preservar o bioma. No entanto, nenhum compromisso concreto foi feito até agora. Recentemente, aliás, uma operação do Ibama no Cerrado multou 78 empresas, incluindo gigantes do agronegócio, no valor de R$105,7 milhões, por desmatamento ilegal.
 

Fonte: Greenpeace


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