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Acordo trará 50 ararinhas-azuis para o Brasil


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A previsão é que os animais estejam em território nacional no primeiro trimestre de 2019. Foto:Parrots International

A previsão é que os animais estejam em território nacional no primeiro trimestre de 2019. Foto:Parrots International

Previsão é que os animais cheguem ao país no primeiro trimestre de 2019

26/06/2018

 

Cinquenta ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) – espécie extinta na natureza há quase duas décadas – deverão migrar em breve da Alemanha para o Brasil, para compor a população que vai repovoar o sertão baiano, a partir de 2019.

O acordo para que isso aconteça foi assinado no último domingo (24) pelo ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, com organizações conservacionistas da Bélgica (Pairi Daiza Foundation) e da Alemanha (Association for the Conservation of Threatened Parrots), numa reunião na Bélgica, onde estão quatro das 158 ararinhas-azuis existentes hoje no mundo – todas elas em cativeiro.

A previsão é que os animais estejam em território nacional no primeiro trimestre de 2019. “A assinatura desse documento é um marco histórico na luta pela preservação das espécies”, afirmou Duarte. No dia 28 de junho, o ministro brasileiro participará da inauguração do Centro de Preparação para Reprodução e Reintrodução da Ararinha-Azul em Berlim, na Alemanha, criado especialmente para preparar esses animais para o retorno ao Brasil.

A ACTP e o Pairi Daiza também irão construir um centro de reintrodução da espécie no município de Curaçá (BA), na unidade de conservação criada este mês pelo governo. A parceria entre instituições privadas nacionais e internacionais e o governo brasileiro tem viabilizado diversas ações previstas no Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação da Ararinha-azul. Seus objetivos são o aumento da população manejada em cativeiro e a recuperação e a conservação do hábitat de ocorrência da espécie.

Será um processo cauteloso. As primeiras solturas serão feitas em conjunto com maracanãs (Primolius maracana), espécie com hábitos semelhantes aos da ararinha – ambas, por exemplo, usam cocos de caraibeira (ipê-amarelo) para fazer seus ninhos. Antes de desaparecer, o último macho de “spix” chegou a formar par com uma fêmea de maracanã.

Pesquisadores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em parceria com a população local, vêm estudando o comportamento das maracanãs para aprender mais sobre a espécie e, assim, planejar a liberação e o monitoramento das ararinhas que chegarão.

“A criação das áreas protegidas é essencial, mas ainda é necessário arrumar a casa para receber as araras. A paisagem é muito impactada pela criação de cabras, que interferem na cobertura vegetal da qual as aves dependem para fazer seus ninhos e se alimentar. Até 2022, esperamos ter a ararinha-azul reintroduzida com sucesso na natureza”, afirma a veterinária Camile Lugarini, pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave), do ICMBio.

Sobre as ararinhas

Descoberta no início do século 19 pelo naturalista alemão Johann Baptist von Spix (1781-1826), e exclusiva da caatinga brasileira, a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) teve sua população dizimada pela captura e tráfico de animais silvestres.

O último exemplar conhecido na natureza desapareceu em outubro de 2000, e até hoje não se sabe se morreu ou foi capturado. Desde então, os poucos exemplares que restaram em coleções particulares vêm sendo usados para reproduzir a espécie em cativeiro. Quase todos no exterior.

Naturalmente rara, a ararinha só existia originalmente numa pequena região do interior de Juazeiro e Curaçá, no norte da Bahia, onde o governo federal criou, no início deste mês, duas unidades de conservação: o Refúgio de Vida Silvestre (com 29,2 mil hectares) e a Área de Proteção Ambiental da Ararinha-Azul (com 90,6 mil hectares), destinadas à reintrodução e proteção da espécie e conservação do bioma.

Fonte: ICMBio


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