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Tubarão-lixa se reproduz no Projeto TAMAR


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O tubarão-lixa é uma espécie ovovivípara, o que significa que produz ovos que se desenvolvem e eclodem dentro do corpo da fêmea. Logo após nascerem, os filhotes já estão prontos para enfrentar os desafios de sobrevivência, sem auxílio da mãe. Foto:Divulgação

O tubarão-lixa é uma espécie ovovivípara, o que significa que produz ovos que se desenvolvem e eclodem dentro do corpo da fêmea. Logo após nascerem, os filhotes já estão prontos para enfrentar os desafios de sobrevivência, sem auxílio da mãe. Foto:Divulgação

Mais três tubarõezinhos da espécie Ginglymostoma cirratum nasceram no TAMAR Praia do Forte-BA

21/06/2018

 

O Projeto Tamar Praia do Forte (BA) tem novos moradores. Nasceram mais três tubarõezinhos da espécie Ginglymostoma cirratum. A fêmea de tubarão-lixa apelidada de “Mascote” procriou pela primeira vez. Outra fêmea, apelidada de “Açaí”, teve filhotes em 2013, 2015 e 2017.

Com esses primeiros registros na América do Sul, o projeto reúne informações relevantes para a ciência, pesquisa e conhecimento mundial sobre a espécie classificada como “Dados Insuficientes” pela Lista Vermelha da IUCN – União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais.

Graças à parceria com pesquisadores do curso de veterinária da Universidade Federal da Bahia – UFBA, no início de junho/2018, foi feito um ultrassom, revelando que “Mascote” estava grávida pela primeira vez. Foram vistos seis filhotes ‘nadando’ na barriga da nova mamãe.

Entre o Dia Mundial do Meio Ambiente (5/6) e o Dia Mundial dos Oceanos (8/6), nasceram três filhotinhos, com pesos entre 70 e 90g, e comprimento entre 24,5 e 24,9cm. Já estão serelepes e nadando em uma piscina especial, separados dos adultos, ainda em observação.

“Estamos na expectativa de mais um nascimento, pois a Mascote ainda pode estar grávida!”, conta a médica veterinária do TAMAR, Thaís Pires. Por isso, outro ultrassom deve ser feito em breve, para confirmar se ainda há filhotes.

Entre junho e agosto de 2013, nasceram fêmeas e machos. Dois anos depois, foram observados novos comportamentos reprodutivos e mais filhotes nasceram em abril de 2015. Eles vieram ao mundo com pesos entre 60 e 110g e comprimento entre 20,5 e 27cm, o que se repetiu em julho de 2017. Hoje, os primogênitos estão no TAMAR Aracaju e na Praia do Forte, cada um com cerca de 30kg e 1,80cm de comprimento, colecionando sorrisos e a curiosidade dos visitantes que adoram conhecê-los e alimentá-los.

Estratégias reprodutivas

O tubarão-lixa é uma das espécies mais comuns em aquários mundo afora e se adapta muito bem aos cuidados humanos, sendo considerada uma importante ferramenta de conservação e educação.

Nas últimas três décadas, as técnicas para a manutenção desses animais têm se especializado, com a possibilidade da realização de vários trabalhos relacionados a estratégias reprodutivas, tamanho de primeira maturação e outros parâmetros relativos ao seu modo de vida.

Porém, a reprodução em piscinas ainda é um grande desafio. Estes são uns dos poucos registros no mundo em que todas as fases do ciclo de vida desses animais ocorre em piscinas e o registro no TAMAR foi o primeiro da América do Sul.

“Desde que os primeiros tubarõezinhos nasceram, em 2013, a vida continuou seu ciclo inevitável, mesmo fora do hábitat, o que significa que estão se sentindo bem aqui, comenta o coordenador nacional do Projeto TAMAR, Guy Marcovaldi. Para o oceanógrafo, além de uma grande alegria para todos no TAMAR, é uma oportunidade sem igual poder acompanhar o desenvolvimento dessa espécie para compreender melhor sua biologia.

O tubarão-lixa é uma espécie ovovivípara, o que significa que produz ovos que se desenvolvem e eclodem dentro do corpo da fêmea. Logo após nascerem, os filhotes já estão prontos para enfrentar os desafios de sobrevivência, sem auxílio da mãe (assim como as tartarugas marinhas). Podem nascer de 21 a 50 indivíduos, com uma média de 34, aproximadamente.

O acasalamento geralmente ocorre a cada dois anos. Os tubarões mais jovens têm uma coloração diferenciada dos adultos, com pintinhas escuras pelo corpo. A coloração diferente permite que se camuflem, ficando quase invisíveis. Quando atingem uma média de 60 cm vão perdendo as pintinhas e ficando com uma coloração marrom-amarelado escuro. Os machos chegam à fase adulta entre 2,14 e 2,15 metros, e as fêmeas entre 2,23 e 2,31 metros.

O tubarão-lixa ocorre em toda a costa brasileira e é amplamente distribuído no Oceano Atlântico tropical e subtropical. Vive em fundo de areia, próximo a rochas e corais em águas mornas, desde a superfície até uma profundidade de 60 metros. Tem hábitos noturnos e permanece imóvel por horas, durante o dia. Alimenta- se de moluscos, crustáceos e peixes, que captura por sucção.

 

Fonte: Projeto Tamar


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