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Brasil perde sete mil piscinas olímpicas de água por dia


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Desperdício de água no Brasil e gestão sustentável dos recursos hídricos são preocupação da Rede Brasil do Pacto Global. Foto: Agência Brasil / Tânia Rêgo

Desperdício de água no Brasil e gestão sustentável dos recursos hídricos são preocupação da Rede Brasil do Pacto Global. Foto: Agência Brasil / Tânia Rêgo

É o que revela estudo sobre o desperdício na distribuição de água no país

08/06/2018

No setor de saneamento básico, o desperdício de água na distribuição causou perda de cerca de R$ 10,5 bilhões no faturamento em 2016. O volume de água doce jogado fora equivale a sete mil piscinas olímpicas por dia.

É o que revela estudo encomendado pelo movimento Menos Perda, Mais Água, da Rede Brasil do Pacto Global da ONU. Realizada pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados, a pesquisa foi apresentada nesta quinta-feira (7/6), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), durante as comemorações da Semana Mundial do Meio Ambiente.

O relatório aponta ainda que, em 2016, o Brasil desperdiçou 38% da água potável, o maior volume em relação aos quatro anos anteriores. Os números são ainda mais preocupantes quando comparados ao investimento total feito pelo setor de saneamento: as perdas no faturamento representaram 92% do investimento total de R$ 11,5 bilhões.

O cálculo foi feito com base na metodologia da International Water Association (IWA), que classifica as perdas em duas categorias: reais e aparentes.

As perdas reais equivalem ao volume de água perdido durante as diferentes etapas do processo – captação na natureza, tratamento, armazenamento e distribuição – antes de chegar ao consumidor final.

As perdas aparentes por sua vez, também denominadas perdas comerciais, correspondem aos volumes de água consumidos, mas não autorizados nem faturados – decorrentes de fraudes, ligações clandestinas ou mesmo por falhas no cadastro comercial e erros na medição dos hidrômetros.

Uma comparação dos recordes no percentual anual de perdas de água mostra que o Brasil ocupa a 8ª posição no ranking internacional. A classificação foi elaborada pela Rede Internacional de Benchmarking para Serviços de Água e Saneamento (IBNET, na sigla em inglês), com base em dados de 2012 a 2016.

100 maiores cidades

Entre os 100 maiores municípios brasileiros, onde vive cerca de 40% da população, o percentual de perdas de água na distribuição é de 39%. Apenas 20% das cidades têm perdas inferiores a 30%. Somente Palmas (TO) tem o Índice de Perda na Distribuição (IPD) inferior a 15%.

Quando avaliado o Índice de Perda no Faturamento (IPF), 70% das 100 cidades têm perdas superiores a 30% e apenas dez municípios apresentam índices iguais ou menores a 15%.

Entre os destaques positivos, Limeira (SP) e Santos (SP) têm indicadores de perdas na distribuição e no faturamento inferiores a 20%. As taxas de ambas as cidades também tiveram poucas variações.

Eficiência no saneamento

Numa projeção de três cenários para a redução nas perdas de água, o estudo definiu para 2033 quedas da média nacional de desperdício para 15% (cenário otimista), 20% (base) e 25% (conservador). De acordo com o levantamento, caso o índice de perdas de água diminua para 20%, é estimado um ganho bruto de R$ 59,2 bilhões até 2033.

Para alcançar tais metas, o estudo do movimento Menos Perda, Mais Água traz um conjunto de estratégias e recomendações. Entre elas estão:

- Criar contratos com incentivos e foco na redução de perdas, como contratos de performance, parcerias público-privadas e parcerias público-público;

- Gerenciar o controle de perdas: implementação de planos de gestão de perdas baseados no conhecimento do sistema, indicadores de desempenho e metas preestabelecidas;

- Entender as dificuldades para a setorização dos sistemas de abastecimento, acompanhado de um plano de médio e longo prazo com ações para o controle.

Fonte: ONU


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