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Amazônia e Caatinga ganham novas áreas protegidas


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Lago na comunidade Xixuaú, durante a Expedição Mariuá-Jauaperi, na fronteira dos estados do Amazonas e Roraima. Foto:Zig Koch

Lago na comunidade Xixuaú, durante a Expedição Mariuá-Jauaperi, na fronteira dos estados do Amazonas e Roraima. Foto:Zig Koch

Novas unidades de conservação estão localizadas entre Roraima e o Amazonas e no norte da Bahia

06/06/2018

Em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, o governo federal oficializou a criação de três novas áreas protegidas brasileiras: a Reserva Extrativista (Resex) Baixo Rio Branco-Jauaperi, entre os Estados de Roraima e Amazonas, e o Refúgio de Vida Silvestre (Revis) e Área de Proteção Ambiental (Apa) da Ararinha Azul, no norte da Bahia.

“Saudamos a criação dessas novas áreas protegidas, mas lembramos que o Brasil precisa avançar ainda mais nessa agenda, sobretudo em regiões com grande diversidade de espécies e altos índices de desmatamento, como é o caso do Cerrado. Há uma lista de unidades de conservação federais em adiantados processos de estudos no Ministério do Meio Ambiente e no ICMBio. E essa lista inclui áreas também no Pantanal e na Zona Costeira. Temos compromissos internacionais de proteger esses biomas”, disse Jaime Gesisky, especialista em Políticas Públicas do WWF-Brasil.

Com 581 mil hectares, a nova resex está localizada nos municípios de Rorainópolis (RR) e Novo Airão (AM), na confluência dos rios Branco e Jauaperi. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o objetivo proteger os estoques pesqueiros, essenciais para as comunidades tradicionais amazônicas que habitam aquele trecho da floresta, mas que enfrentam a ameaça da pesca predatória e comercial.

O local também ajudará a garantir a conservação e uso sustentável dos recursos florestais pelas comunidades, entre eles açaí, buriti, pupunha, castanha, cupuaçu, bacaba e patuá. A reserva é vizinha da Terra Indígena Waimiri-Atroari.

Rio Branco-Jauaperi

A criação da Resex Rio Branco-Jauaperi é uma reivindicação antiga. A mobilização teve início em 2001 por iniciativa das populações de comunidades como Santa Maria Velha, Vila da Cota, Remanso e Xixuaú. Nos anos seguintes, foram feitos diversos procedimentos e trabalhos técnicos para subsidiar a criação da unidade de conservação de uso sustentável. O processo chegou ao Governo Federal em 2006 e somente agora a unidade foi criada.

A área registra grande diversidade de plantas, peixes e animais. Estudos indicam a presença de ao menos 42 espécies de mamíferos na região. Dez delas constam na lista oficial de mamíferos ameaçados de extinção no Brasil. Animais típicos daquelas redondezas são a onça-parda, jaguatirica, tamanduá, peixe-boi e quelônios, como o tracajá, irapuca e a tartaruga-da-Amazônia. Os peixes mais recorrentes são o jaraqui, pacu, acari, bodó-pintado, tucunaré, barbado e piranha.

 Ararinha Azul

A criação de um Refúgio de Vida Silvestre (Revis), com cerca de 29 mil hectares, e uma Área de Proteção Ambiental (Apa), com aproximadamente 90 mil hectares, entre os municípios de Juazeiro e Curaçá tem o objetivo de proteger a área para um audacioso projeto de reintrodução na natureza da Ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), ave exclusiva daquela região, que faz parte do bioma Caatinga.

O último exemplar vivo da espécie, um macho, desapareceu dali no ano 2000, restando apenas 128 indivíduos, todos em cativeiro, a maioria vivendo em criadouros no Qatar e na Alemanha. A ideia é reintroduzir a ararinha em seu habitat natural em um esforço técnico e científico internacional. A criação das duas áreas protegidas na região é o primeiro passo do plano, que também prevê a construção de um Centro de Reintrodução e Reprodução da Ararinha-Azul em Curaçá, onde vivia o último remanescente da espécie.

O centro deverá custar US$ 1,5 milhão e será construído com apoio de instituições parceiras como a Al Wabra Wildlife Preservation (AWWP), do Qatar; a Association for the Conservation of Threatened Parrots (ACTP), da Alemanha; a Parrots International, dos EUA; o Jurong Bird Park, de Singapura; a Fazenda Cachoeira e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Brasil.

Também faz parte da estratégia trabalhar com as comunidades que vivem na região e promover atividades agropastoris de forma sustentável, beneficiando as espécies nativas que dão suporte à permanência da Ararinha-azul naquele ambiente. 

Essa ave mantinha estreita associação com as matas de galeria dominadas por caraibeiras (Tabebuia aurea), usando essa árvore para abrigo, nidificação e alimentação, na bacia do Rio Curaçá, afluente do São Francisco.
 

Fonte: WWF


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