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Ausência de serviços para atender venezuelanos tem impacto ambiental


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Venezuelanos vivendo em tendas em Roraima.Foto: ONU Meio Ambiente/Daniel Stothart

Venezuelanos vivendo em tendas em Roraima.Foto: ONU Meio Ambiente/Daniel Stothart

Refugiados e migrantes enfrentam falta de banheiros adequados e de saneamento. Outros problemas incluem o aumento do lixo hospitalar e a derrubada de árvores para a preparação de alimentos

16/04/2018

 

Após viagem a Boa Vista, o oficial de assuntos humanitários da ONU Meio Ambiente, Daniel Stothart, alertou para as condições de vida precárias dos venezuelanos na capital de Roraima. Muitos abrigos estão “superlotados, às vezes até quatro vezes mais do que sua capacidade segura”. “Eles não têm espaço ou banheiros suficientes nem estruturas de drenagem”, ressaltou.

O oficial de assuntos humanitários diz ainda que encontrou pessoas morando debaixo de um coreto num parque. “As famílias estavam ali por volta de nove a 18 meses. Eles não sabiam o que fazer ou aonde ir. Parecia que estavam aguardando. Esperando uma mudança na Venezuela para poderem retornar.”

O governo de Boa Vista estima que haja cerca de 40 mil venezuelanos vivendo na cidade. Além da capital, outros “municípios agora estão enfrentando problemas ambientais associados ao maior fluxo de pessoas na história recente do Brasil”, afirmou Stothart.

Segundo o oficial da ONU Meio Ambiente, os gestores dos abrigos vivem uma “batalha diária” para esvaziar as fossas sépticas dos centros de acolhimento. Três caminhões fazem um percurso de seis horas, de duas a três vezes por dia, para retirar os resíduos da fossa de um abrigo projetado para receber 200 pessoas. O local já tem mais de 500 residentes.

Outro problema é o manejo do lixo hospitalar. Stothart aponta que a rede de atendimento, já fragilizada, tem de lidar com um influxo de pessoas que não foram vacinadas e cujo estado de saúde é bastante debilitado.

“O sistema também tem de gerir operações de saúde para a população local. O aumento no lixo hospitalar que tem de ser manejado tem uma pegada ambiental própria, que por sua vez apresenta riscos de saúde pública para a população em geral.”

Outro alerta associado está o desmatamento, que usam lenha para cozinhar. Para o especialista, “até que essa emergência receba uma injeção de recursos muito necessária, as pessoas continuarão a derrubar e levar árvores”.

Na fronteira, o esgotamento do lençol freático e a escassez de água continuam a se agravar com a chegada de novos venezuelanos.

Fonte: ONU


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