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Opte por frutas da estação e ajude a economizar água


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Prefira as frutas da estação e ajuda a economizar água. Foto:Domínio Público

Prefira as frutas da estação e ajuda a economizar água. Foto:Domínio Público

Produção de frutas, legumes e hortaliças da estação exige menos recursos hídricos e insumos agrícolas


05/03/2018

Quantos litros de água são consumidos para produzir as frutas que você come? Ao pensar nisso, considere não só a quantidade de água que o fruto carrega no momento em que você o saboreia, mas também em todos os litros que foram necessários durante o cultivo desse alimento.

O resultado dessa conta vai depender muito do tipo de fruta e das condições em que ela foi produzida. Se for cultivada em terreno e região propícios ao seu desenvolvimento natural e na sua melhor época, isto é, “durante a sua estação”, vai consumir muito menos água e, possivelmente, apenas água de chuva.

Já para produzir fora da estação da fruta, só com irrigação e muita água. Um quilo de manga, por exemplo, pode exigir até 450 litros de água de irrigação para ser cultivada, caso seja produzida fora da estação no semiárido do Nordeste.

Segundo Fábio Miranda, pesquisador da Embrapa, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), naquela região, o volume de irrigação é alto também para outras frutas produzidas fora da estação, como a goiaba (400 litros/kg para a irrigação), o mamão (360 litros/kg) e a melancia (140 litros/kg).

Ainda conforme o especialista, quando uma fruta é produzida em sua estação, a irrigação geralmente não é necessária. Isso implica algo importante: que optar por frutas da estação ajuda a economizar água. Por isso, no Dia Mundial da Água (22/03), saiba que tomar a simples atitude de comprar frutas da estação na região onde você vive pode ajudar a diminuir o impacto hídrico de sua produção – o que é muito bom para o meio ambiente e, consequentemente, para todos nós.

Quando cultivados fora da estação, frutas, hortaliças e legumes precisam não só de mais água, mas também de mais recursos para o seu crescimento – a produção geralmente exige maior uso de insumos, como pesticidas e fertilizantes.

Isso encarece a produção – motivo pelo qual os legumes, as frutas e as hortaliças da estação são mais baratas e abundantes do que os alimentos produzidos fora de época. Aliás, essa é uma maneira simples de identificar que um determinado produto está sendo produzido durante a sua estação, pois a disponibilidade será grande e os preços estarão mais baixo do que costumam estar.

Irrigação

A irrigação é responsável pela maior parte do consumo hídrico nacional, já que uma das principais atividades econômicas do Brasil é a agricultura. Segundo a Agência Nacional das Águas (ANA), foram captados 969 mil litros de água por segundo para esse fim, em 2016, o que significa 67,2% de todo o consumo no território nacional. O número representa quase o dobro do consumo do segundo colocado da lista, o abastecimento urbano, que exigiu cerca 488,3 mil litros por segundo no mesmo ano.

Manutenção e logística

A manutenção e operação dos sistemas de irrigação exigem grande estrutura e emprego de tecnologia, além de consumir bastante energia e recursos, afirma Miranda, da Embrapa. Mesmo assim, tem baixa eficiência no Brasil: cerca de 59%. Perdas ocorrem em função da escolha de métodos de irrigação inadequados para determinada cultura, para local ou clima específico, somadas à má gestão do tempo e períodos de irrigação, resultando em desperdício.

Olhar para os elevados percentuais de consumo de água do setor agrícola pode ser desmotivador para o consumidor. Frente a um consumo tão gigantesco, será que nós, como indivíduos, somos capazes de fazer alguma diferença?

Nesse sentido, é importante perceber que o esforço para produzir produtos fora da estação só existe porque há demanda dos consumidores. Isso significa que os gastos de recursos hídricos para a irrigação podem ser amenizados se o consumidor der preferência a frutas, legumes e hortaliças produzidas “na época da safra natural”, isto é, no período em que a natureza produz a fruta sem necessidade de uma intervenção tecnológica mais intensa.

Em um país com território tão vasto como o Brasil, a estação para produção de cada alimento varia de acordo com a região. Mangas, por exemplo, costumam crescer naturalmente no Sudeste, entre os meses de outubro e dezembro, enquanto, no Nordeste, podem ser colhidas o ano inteiro, em áreas propícias ao cultivo.

Já os cajus são naturalmente abundantes de agosto a dezembro em estados como Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. Também no Nordeste, a safra do cajá ocorre de março até junho; e no sul do país, a safra dos figos geralmente acontece entre dezembro e abril.

Longas distâncias

Frutas que são transportadas por longas distâncias também consomem energia elétrica para mantê-las refrigeradas. É mais um fator que aumenta o impacto, visto que é preciso refrigerar a carga, além de encarecer o produto final que chega ao consumidor.

Veja o caso das cerejas, por exemplo, que geralmente fazem parte da ceia de Natal. Por serem produzidas em países de clima frio, são importadas e têm preço salgado para os brasileiros. Por isso, se você é fã de cerejas, não precisa deixar de consumi-las, mas pode reduzir o consumo delas e combinar o prato de sobremesas com outras frutas da estação na sua região.

Frutas transportadas por distâncias menores não só ficarão mais baratas na conta final como terão menos chances de sofrer amassamento e deterioração no percurso – o que diminui o seu desperdício e as torna mais atraentes nas prateleiras do supermercado. Ao chegarem mais frescas ao consumidor, essas frutas também estão mais saborosas e nutritivas.

Mas, como saber quais são as frutas da estação? Há muitas listas divulgadas, com informações que algumas vezes são divergentes, já que a “época da safra natural” pode variar de ano para ano, em função do clima e de região para região, o que pode confundir o consumidor. A melhor dica é ficar de olho nos preços e no aumento da oferta do produto. Ambos são indicativos de que a estação ‘boa’ chegou.
 

Fonte: Akatu


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